15 abril 2012


MINHA CONTRIBUIÇÃO À COMISSÃO DA VERDADE

OS MORTOS PELA DITADURA
424 mortos (283 comprovados) sendo 136 deles considerados desaparecidos, segundo o livro "Dos Filhos deste Solo", escrito pelo petista Nilmário Miranda.

Como este lado da História já é sobejamente conhecido e largamente explorado pelas esquerdas, e para não ser tautológico e repetitivo, deixo de relacionar as vítimas da ditadura, mas não posso deixar de dizer que nessa conta estão quatro militantes da ALN-Molipo que foram mortos pelos próprios “companheiros”. Ela também inclui os que morreram de arma na mão no Araguaia.

E, não custa dizer o que pensam os realmente democratas: não deveria ter morrido uma só pessoa depois de rendida pelo Estado. Ponto final. Não há o que discutir sobre este particular.



OS MORTOS PELOS TERRORISTAS
129 pessoas, entre civis, militares e companheiros terroristas, morreram assassinadas pelos movimentos de esquerda no Brasil entre 1964 e 1974.

AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS ANTES DO AI-5

1 - 12/11/64 - PAULO MACENA,  Vigia - RJ
Explosão de bomba deixada por uma organização comunista nunca identificada, em protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES. No Cine Bruni, Flamengo, com seis feridos graves e um morto.


2 - 27/03/65 - CARLOS ARGEMIRO CAMARGO, Sargento do Exército - Paraná
Emboscada de um grupo de militantes da Força Armada de Libertação Nacional (FALN), chefiado pelo ex-coronel Jefferson Cardim de Alencar Osório. Camargo foi morto a tiros. Sua mulher estava grávida de sete meses.






3 - 25/07/66 - EDSON RÉGIS DE CARVALHO, Jornalista - PE
Explosão de bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, com 17 feridos e 2 mortos.








4 - 25/07/66 - NELSON GOMES FERNANDESAlmirante - PE
Morto no mesmo atentado citado no item 3.
Além das duas vítimas fatais, ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva (foto à esquerda)Além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda.






Sebastião Tomaz de Aquino (foto à esquerda) guarda civil, teve a perna direita amputada.








5 - 28/09/66 - RAIMUNDO DE CARVALHO ANDRADE - Cabo da PM, GO
Morto durante uma tentativa de desocupação do Colégio Estadual Campinas, em Goiânia, que havia sido ocupado por estudantes de esquerda. O grupo de soldados convocado para a tarefa era formado por burocratas, cozinheiros etc. Estavam armados com balas de festim. Andrade, que era alfaiate da Polícia Militar, foi morto por uma bala de verdade disparada de dentro da escola.

6 - 24/11/67 - JOSÉ GONÇALVES CONCEIÇÃO (Zé Dico) - fazendeiro - SP
Morto por Edmur Péricles de Camargo (foto à esquerda), integrante da Ala Marighella, durante a invasão da fazenda Bandeirante, em Presidente Epitácio. Zé Dico foi trancado num quarto, torturado e, finalmente, morto com vários tiros. O filho do fazendeiro que tentara socorrer o pai foi baleado por Edmur com dois tiros nas costas.







7 - 15/12/67 - OSÍRIS MOTTA MARCONDES - bancário - SP
Morto quando tentava impedir um assalto terrorista ao Banco Mercantil, do qual era o gerente.

8 - 10/01/68 - AGOSTINHO FERREIRA LIMA - Marinha Mercante - Rio Negro/AM
No dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi atacada por um grupo de nove terroristas, liderados  por Ricardo Alberto Aguado Gomes, “Dr. Ramon”, que, posteriormente, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Neste  ataque, Agostinho Ferreira Lima foi ferido gravemente, vindo a morrer no dia 10/01/68.

9 - 31/05/68 - AILTON DE OLIVEIRA - guarda Penitenciário - RJ
O Movimento Armado Revolucionário (MAR) montou uma ação para libertar nove de seus membros que cumpriam pena na Penitenciária Lemos de Brito (RJ) e que, uma vez libertados, deveriam seguir para a região de Conceição de Jacareí, onde o MAR pretendia estabelecer o “embrião do foco guerrilheiro”. No dia 26/05/68, o estagiário Júlio César entregou à funcionária da penitenciária Natersa Passos, num pacote, três revólveres calibre 38. Às 17h30, teve início a fuga. Os terroristas foram surpreendidos pelos guardas penitenciários Ailton de Oliveira e Jorge Félix Barbosa. Foram feridos, e Ailton morreu no dia 31/05/68. Ainda ficou gravemente ferido o funcionário da Light João Dias Pereira, que se encontrava na calçada da penitenciária. O autor dos disparos que atingiram o guarda Ailton foi o terrorista Avelino Brioni Capitani.

10 - 26/06/68 - MÁRIO KOZEL FILHO - Soldado do Exército - SP
No dia 26/06/68, Kozel atua como sentinela do Quartel General do II Exército. Às 4h30, um tiro é disparado por um outro soldado contra uma camioneta que, desgovernada, tenta penetrar no quartel. Seu motorista saltara dela em movimento, após acelerá-la e direcioná-la para o portão do QG. O soldado Rufino, também sentinela, dispara 6 tiros contra o mesmo veículo, que, finalmente, bate na parede externa do quartel. Kozel sai do seu posto e corre em direção ao carro para ver se havia alguém no seu interior.


Havia uma carga com 50 quilos de dinamite, que, segundos depois, explode. O corpo de Kozel é dilacerado (foto à direita). Os soldados João Fernandes, Luiz Roberto Julião e Edson Roberto Rufino ficam muito feridos.









É mais um ato terrorista da organização chefiada por Carlos Lamarca, a VPR.









Participaram do crime os terroristas:







Diógenes José de Carvalho Oliveira









Onofre Pinto










Dulce de Souza Maia

... além de Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egídio Fava, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antônio dos Santos, Renata Ferraz Guerra Andrade e José Ronaldo Tavares de Lima e Silva.

* Ah, sim: a família de Lamarca recebeu indenização. De Kozel, quase ninguém mais se lembra.

11 - 27/06/68 - NOEL DE OLIVEIRA RAMOS - civil - RJ
Morto com um tiro no coração em conflito na rua. Estudantes distribuíam, no Largo de São Francisco, panfletos a favor do governo e contra as agitações estudantis conduzidas por militantes comunistas. Gessé Barbosa de Souza, eletricista e militante da VPR, conhecido como “Juliano” ou “Julião”, infiltrado no movimento, tentou impedir a manifestação com uma arma. Os estudantes, em grande maioria, não se intimidaram e tentaram segurar Gessé que fugiu atirando, atingindo mortalmente Noel de Oliveira Ramos e ferindo o engraxate Olavo Siqueira.

12- 27/06/68 - NELSON DE BARROS - Sargento PM -  RJ
No dia 21/06/68, conhecida como a “Sexta-Feira Sangrenta”, realizou-se no Rio uma passeata contra o regime militar. Cerca de 10.000 pessoas ergueram barricadas, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam lojas, atacaram a tiros a embaixada americana e as tropas da Polícia Militar. No fim da noite, pelo menos 10 mortos e centenas de feridos. Entre estes, estava o sargento da PM Nelson de Barros, que morreu no dia 27.

13 - 01/07/68 - EDWARD ERNEST TITO OTTO MAXIMILIAN VON WESTERNHAGEN - major do Exército Alemão - RJ
Morto no Rio, onde fazia o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Assassinado na rua Engenheiro Duarte, Gávea, por ter sido confundido com o major boliviano Gary Prado, suposto matador de Che Guevara, que também cursava a mesma escola. Autores: Severino Viana Callou, João Lucas Alves (foto à esquerda) e um terceiro não-identificado. Todos pertenciam à organização terrorista COLINA- Comando de Libertação Nacional.




14 - 07/09/68 - EDUARDO CUSTÓDIO DE SOUZA - Soldado PM - SP
Morto com sete tiros por terroristas de uma organização não identificada quando de sentinela no DEOPS, em São Paulo.

15 - 20/09/68 - ANTÔNIO CARLOS JEFFERY - Soldado PM - SP
Morto a tiros quando de sentinela  no quartel da então Força Pública de São Paulo (atual PM) no Barro Branco. Organização terrorista que praticou o assassinato: Vanguarda Popular Revolucionária. Assassinos:  Pedro Lobo Oliveira (foto à esquerda), Onofre Pinto, Diógenes José Carvalho de Oliveira, atualmente conhecido como “Diógenes do PT”, ex-auxiliar de Olívio Dutra no Governo do RS.






16- 12/10/68 - CHARLES RODNEY CHANDLER - Cap. do Exército dos Estados Unidos - SP
Herói na guerra com o Vietnã, veio ao Brasil para fazer o Curso de Sociologia e Política, na Fundação Álvares Penteado, em São Paulo/SP. No início de outubro de 68, um “Tribunal Revolucionário”, composto pelos dirigentes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Onofre Pinto (Augusto, Ribeiro, Ari), João Carlos Kfouri Quartin de Morais (foto abaixo à esquerda) e Ladislaw Dowbor (foto abaixo à direita), condenou o capitão Chandler à morte, porque ele “seria um agente da CIA”. Os levantamentos da rotina de vida do capitão foram realizados por Dulce de Souza Maia (Judite). Quando retirava seu carro das garagem para seguir para a Faculdade, Chandler foi assassinado com 14 tiros de metralhadora e vários tiros de revólver,  na frente da sua mulher, Joan,  e de seus 3 filhos. O grupo de execução era constituído pelos terroristas Pedro Lobo de Oliveira (Getúlio), Diógenes José de Carvalho Oliveira (Luis, Leonardo, Pedro) e Marco Antônio Bráz de Carvalho (Marquito).











17 - 24/10/68 - LUIZ CARLOS AUGUSTO - civil - RJ
Morto, com 1 tiro, durante uma passeata estudantil.

18 - 25/10/68 - WENCESLAU RAMALHO LEITE - civil - RJ
Morto, com quatro tiros de pistola Luger 9mm durante o roubo de seu carro, na avenida 28 de Setembro, Vila Isabel, RJ. Autores: Murilo Pinto da Silva (Cesar ou Miranda) e Fausto Machado Freire (Ruivo ou Wilson), ambos integrantes da organização terrorista COLINA (Comando de Libertação Nacional).

19 - 07/11/68 - ESTANISLAU IGNÁCIO CORREIA - Civil - SP
Morto pelos terroristas Yoshitame Fujimore (foto abaixo à esquerda), Oswaldo Antônio dos Santos e Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), quando roubavam seu automóvel na esquina das ruas Carlos Norberto Souza Aranha e Jaime Fonseca Rodrigues, em São Paulo.

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AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS DEPOIS DO AI-5

20 - 07/01/69 - ALZIRA BALTAZAR DE ALMEIDA - dona de casa - Rio de Janeiro/RJ
Uma bomba jogada por terroristas embaixo de uma viatura policia, estacionada em frente à 9ª Delegacia de Polícia, ao explodir, matou Alzira, que passava pela rua.

21 - 11/01/69 - EDMUNDO JANOT - Lavrador - Rio de Janeiro / RJ
Morto a tiros, foiçadas e facadas por um grupo de terroristas que haviam montado uma base de guerrilha nas  proximidades da sua fazenda.

22 - 29/01/69 - CECILDES MOREIRA DE FARIA - Subinspetor de Polícia - BH/ MG

23 - 29/01/69 - JOSÉ ANTUNES FERREIRA - guarda civil-BH/MG
Policiais chegaram a um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo. Foram recebidos por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva, “Cesar’ ou “Miranda”, que mataram o subinspetor Cecildes Moreira da Silva (ver acima), que deixou viúva e oito filhos menores. Ferreira também morreu. Além do assassino, foram presos os seguintes terroristas:            Afonso Celso L. Leite (Ciro), Mauricio Vieira de Castro (Carlos), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida (Pedro), Jorge Raimundo Nahas (Clovis ou Ismael) e Maria José de Carvalho Nahas (Celia ou Marta). No interior do “aparelho”, foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos.

24 - 14/04/69 - FRANCISCO BENTO DA SILVA - motorista - SP
Morto durante um assalto, praticado pela Ala Vermelha do PC do B ao carro pagador (uma Kombi) do Banco Francês-Italiano para a América do Sul, na Alameda Barão de Campinas, quando foram roubados vinte milhões de cruzeiros. Participaram desta ação os seguintes terroristas: Élio Cabral de Souza (foto à esquerda), Derly José de Carvalho, Daniel José de Carvalho, Devanir José de Carvalho (foto à direita), James Allen Luz, Aderval Alves Coqueiro (foto abaixo), Lúcio da Costa Fonseca, Gilberto Giovanetti, Ney Jansen Ferreira Júnior, Genésio Borges de Melo e Antônio Medeiros Neto.


25 - 14/04/69 - LUIZ FRANCISCO DA SILVA - guarda bancário -SP
Também Morto durante o assalto acima relatado.

26 - 08/05/69 - JOSÉ DE CARVALHO - Investigador de Polícia -  SP
Atingido com um tiro na boca durante um assalto ao União de Bancos Brasileiros, em Suzano, no dia 07 de maio, vindo a falecer no dia seguinte. Nessa ação, os terroristas feriram, também, Antonio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini. Participaram os seguintes terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN): Virgílio Gomes da Silva (foto acima à esquerda), Aton Fon Filho (foto acima à direita), Takao Amano (foto abaixo à esquerda), Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto (foto abaixo à direita) e João Batista Zeferino Sales Vani. Takao Amano foi baleado na coxa e operado, em um “aparelho médico” por Boanerges de Souza Massa, médico da ALN.







27 - 09/05/69 - ORLANDO PINTO DA SILVA - Guarda Civil - SP
Morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por   Carlos Lamarca (foto à esquerda), durante assalto ao Banco Itaú, na rua Piratininga, Bairro da Mooca. Na ocasião também foi esfaqueado o gerente do Banco, Norberto Draconetti. Organização responsável por esse assalto: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).






28 - 27/05/69 - NAUL JOSÉ MONTOVANI - Soldado PM - SP
Em 27/05/69 foi realizada uma ação contra o 15º Batalhão da Força Pública de São Paulo, atual PMESP, na Avenida Cruzeiro do Sul, SP/SP. Os terroristas Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Carlos Eduardo Pires Fleury (foto à esquerda), Maria Aparecida Costa, Celso Antunes Horta e Ana Maria de Cerqueira César Corbusier metralharam o soldado Naul José Montovani, que estava de sentinela e que morreu instantaneamente. O soldado Nicário Conceição Pulpo, que correu ao local ao ouvir os disparos, foi gravemente ferido na cabeça, tendo ficado paralítico.


29 -  04/06/69 - BOAVENTURA RODRIGUES DA SILVA - Soldado PM - SP
Morto por terroristas durante assalto ao Banco Tozan.

30 - 22/06/69 - GUIDO BONÉ - soldado PM - SP
Morto por militantes da ALN que atacaram e incendiaram a rádio-patrulha RP 416, da então Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar, matando os seus dois ocupantes, os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, roubando suas armas.

31 - 22/06/69 - NATALINO AMARO TEIXEIRA - Soldado PM - SP
Morto por militantes da ALN na ação acima relatada.

32 - 11/07/69 - CIDELINO PALMEIRAS DO NASCIMENTO - Motorista de táxi - RJ
Morto a tiros quando conduzia, em seu carro, policiais que perseguiam terroristas que haviam assaltado o Banco Aliança, agência Muda. Participaram deste assassinato os terroristas Chael Charles Schreier (foto à esquerda), Adilson Ferreira da Silva, Fernando Borges de Paula Ferreira (foto à direita), Flávio Roberto de Souza, Reinaldo José de Melo, Sônia Eliane Lafóz e o autor dos disparos Darci Rodrigues, todos pertencentes a organização terrorista VAR-Palmares.

33 - 24/07/69 - APARECIDO DOS SANTOS OLIVEIRA - Soldado PM - SP
O Banco Bradesco, na rua Turiassu, no Bairro de Perdizes, foi assaltado por uma frente de grupos de esquerda. Foram roubados sete milhões de cruzeiros. Participaram da ação:
- Pelo Grupo de Expropriação e Operação: Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Raimundo Gonçalves de Figueiredo (foto à esquerda), Ney Jansen Ferreira Júnior, José Couto Leal;
- Pelo Grupo do Gaúcho: Plínio Petersen Pereira, Domingos Quintino dos Santos, Chaouky Abara;
- Pela VAR-Palmares: Chael Charles Schreier, Roberto Chagas e Silva, Carmem Monteiro dos Santos Jacomini e Eduardo Leite.
Raimundo Gonçalves Figueiredo baleou o soldado Oliveira. Já caído, ele recebeu mais quatro tiros disparados por Domingos Quintino dos Santos.


34 - 20/08/69 - JOSÉ SANTA MARIA - Gerente de Banco - RJ
Morto por terroristas que assaltaram o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, do qual era gerente

35 - 25/08/69 - SULAMITA CAMPOS LEITE - dona de casa, PA
Parente do terrorista Flávio Augusto Neves Leão Salles. Morta na casa dos Salles, em Belém, ao detonar, por inadvertência, uma carga de explosivos escondida pelo terrorista.

36 - 31/08/69 - MAURO CELSO RODRIGUES - Soldado PM - MA
Morto quando procurava impedir a luta entre proprietários e posseiros, incitada por movimentos subversivos.

37 - 03/09/69 - JOSÉ GETÚLIO BORBA - Comerciário - SP
Os terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN) Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira (foto à esquerda) e Maria Augusta Tomaz resolveram comprar um gravador na loja Lutz Ferrando, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis. O pagamento seria feito com um cheque roubado num assalto. Descobertos, receberam voz de prisão e reagiram. Na troca de tiros, o guarda civil João Szelacsak Neto ficou ferido com um tiro na coxa, e o funcionário da loja, José Getúlio Borba, foi mortalmente ferido. Perseguidos pela polícia, o terrorista José Wilson Lessa Sabag matou a tiros o soldado da Força Pública (atual PM) João Guilherme de Brito.

38 - 03/09/69 - JOÃO GUILHERME DE BRITO - Soldado da Força Pública/SP
Morto na ação acima narrada.

39 - 20/09/69 - SAMUEL PIRES - Cobrador de ônibus - SP
Morto por terroristas quando assaltavam uma empresa de ônibus.

40 - 22/09/69 - KURT KRIEGEL - Comerciante - Porto Alegre/RS



Morto pela Var-Palmares em seu bar, em Porto Alegre (na foto, Natal de 1969, ele está sentado à frente com a esposa).








41 - 30/09/69 - CLÁUDIO ERNESTO CANTON - Agente da Polícia Federal - SP
Após ter efetuado a prisão de um terrorista, foi atingido na coluna vertebral, vindo a falecer em conseqüência desse ferimento.

42 - 04/10/69 - EUCLÍDES DE PAIVA CERQUEIRA - Guarda particular - RJ
Morto por terroristas durante assalto ao carro transportador de valores do Banco Irmãos Guimarães

43 - 06/10/69 - ABELARDO ROSA LIMA - Soldado PM - SP
Metralhado por terroristas numa tentativa de assalto ao Mercado Peg-Pag. Autores: Devanir José de Carvalho (Henrique), Walter Olivieri, Eduardo Leite (Bacuri, foto à esquerda), Mocide Bucherone e Ismael Andrade dos Santos. Organizações Terroristas: REDE (Resistência Democrática) e MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes).







44 - 07/10/69 - ROMILDO OTTENIO - Soldado PM - SP
Morto quando tentava prender um terrorista.

45 - 31/10/69 - NILSON JOSÉ DE AZEVEDO LINS - civil - PE
Gerente da firma Cornélio de Souza e Silva, distribuidora da Souza Cruz, em Olinda. Foi assaltado e morto quando ia depositar, no Banco, o dinheiro da firma. Organização: PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Autores: Alberto Vinícius Melo do Nascimento (foto à esquerda), Rholine Sonde Cavalcante Silva, Carlos Alberto Soares e João Maurício de Andrade Baltar.

46 - 04/11/69 - ESTELA BORGES MORATO - Investigadora do DOPS - SP
Morta a tiros quando participava da operação em que morreu o terrorista Carlos Marighela.


47 - 04/11/69 - FRIEDERICH ADOLF ROHMANN - Protético - SP
Morto durante a operação que resultou na morte do terrorista Carlos Marighela.





48 - 14/11/69 - ORLANDO GIROLO - Bancário - SP
Morto por terroristas durante assalto ao Bradesco.

49 -  17/11/69 - JOEL NUNES - Subtenente PM - RJ
Neste dia, o PCBR assaltou o Banco Sotto Maior, na Praça do Carmo, no subúrbio carioca de Brás de Pina, de onde foram roubados cerca de 80 milhões de cruzeiros. Na fuga, obstados por uma viatura policial, surgiu um violento tiroteio no qual Avelino Bioni Capitani matou o sargento da PM Joel Nunes. Na ocasião, foi preso o terrorista Paulo Sérgio Granado Paranhos.

50 - 18/12/69 - ELIAS DOS SANTOS - Soldado do Exército - RJ
Havia um aparelho do PCBR na rua Baronesa de Uruguaiana nº 70, no bairro de Lins de Vasconcelos. Ali, Prestes de Paula, ao fugir pelos fundos da casa, disparou um tiro de pistola 45 contra Elias dos Santos.

51 - 17/01/70 - JOSÉ GERALDO ALVES CURSINO - Sargento PM - São Paulo / SP
Morto a tiros por terroristas.

52 - 20/02/70 - ANTÔNIO  APARECIDO POSSO  NOGUERÓ - Sargento PM - São Paulo
Morto pelo terrorista Antônio Raimundo de Lucena quando tentava impedir um ato terrorista no Jardim Cerejeiras, Atibaia/SP.

53 - 11/03/70 - NEWTON DE  OLIVEIRA NASCIMENTO -  Soldado PM - Rio de Janeiro
No dia 11/03/70, os militantes do grupo tático armado da ALN Mário de Souza Prata (foto à esquerda), Rômulo Noronha de Albuquerque e Jorge Raimundo Júnior (foto à direita) deslocavam-se num carro Corcel azul, roubado, dirigido pelo último, quando foram interceptados no bairro de Laranjeiras- RJ por uma patrulha da PM. Suspeitando do motorista, pela pouca idade que aparentava, e verificando que Jorge Raimundo não portava habilitação, os policiais ordenaram-lhe que entrasse no veículo policial, junto com Rômulo Noronha Albuquerque, enquanto Mário de Souza Prata, acompanhado de um dos soldados, iria dirigindo o Corcel até a delegacia mais próxima. Aproveitando-se do descuido dos policiais, que não revistaram os detidos, Mário, ao manobrar o veículo para colocá-lo à frente da viatura policial, sacou de uma arma e atirou, matando com um tiro na testa o soldado da PM Newton Oliveira Nascimento, que o escoltava no carro roubado. O soldado Newton deixou a viúva dona Luci e duas filhas menores, de quatro e dois anos.

54 - 31/03/70 - JOAQUIM MELO - Investigador de Polícia - Pernambuco
Morto por terroristas durante ação contra um “aparelho”

55 - 02/05/70 - JOÃO BATISTA DE SOUZA - Guarda de Segurança - SP
Um comando terrorista, integrado por Devanir José de Carvalho, Antonio André Camargo Guerra, Plínio Petersen Pereira, Waldemar Abreu e José Rodrigues Ângelo, pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), e mais Eduardo Leite (Bacuri), pela Resistência Democrática (REDE), assaltaram a Companhia de Cigarros Souza Cruz, no Cambuci/SP. Na ocasião Bacuri assassinou o guarda de segurança João Batista de Souza.

56 -  10/05/70 - ALBERTO MENDES JUNIOR - 1º Tenente PM - SP
Esta é uma das maiores expressões da covardia e da violência de que era capaz o terrorista Carlos Lamarca. No dia 08/05/70, 7 terroristas, chefiados por ele, estavam numa pick-up e pararam num posto de gasolina em Eldorado Paulista. Foram abordados por policiais e reagiram a bala, conseguindo fugir. Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha. Em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado Paulista. Por volta das 21h, houve o encontro com os terroristas, que estavam armados com fuzis FAL, enquanto os PMs portavam o velho fuzil Mauser modelo 1908. Em nítida desvantagem bélica, vários PMs foram feridos, e o Tenente Mendes verificou que diversos de seus comandados estavam necessitando de urgentes socorros médicos. Julgando-se cercado, Mendes aceitou render-se desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Tendo os demais componentes da patrulha permanecido como reféns, o Tenente levou os feridos para Sete Barras.

De madrugada, a pé e sozinho, Mendes buscou contato com os terroristas, preocupado que estava com o restante de seus homens. Encontrou Lamarca, que decidiu seguir com seus companheiros e com os prisioneiros para Sete Barras. Ao se aproximarem dessa localidade, foram surpreendidos por um tiroteio, ocasião em que dois terroristas - Edmauro Gopfert e José Araújo Nóbrega - desgarraram-se do grupo, e os cinco terroristas restantes embrenharam-se no mato, levando junto o Tenente Mendes. Depois de caminharem um dia e meio na mata, os terroristas e o tenente pararam para descansar. Carlos Lamarca, Yoshitame Fujimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um “tribunal revolucionário”, que resolveu assassinar o Tenente Mendes. Os outros  dois, Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima, ficaram vigiando o prisioneiro.

Poucos minutos depois, os três terroristas retornaram. Yoshitame Fujimore (foto à esquerda) desfechou-lhe violentos golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Caído e com a base do crânio partida, o Tenente Mendes gemia e se contorcia em dores. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensangüentada, o Tenente Mendes foi enterrado. Em 08/09/70, Ariston Lucena foi preso pelo DOI-CODI e apontou o local onde o tenente estava enterrado.

57 - 11/06/70 - IRLANDO DE MOURA RÉGIS - Agente da Polícia Federal - RJ
Foi assassinado durante o seqüestro do embaixador da Alemanha, Ehrendfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben.  Participaram da operação, executada pelo Comando Juarez Guimarães de Brito:





Jesus Paredes Soto




Sônia Eliane Lafóz










José Milton Barbosa











Eduardo Coleen Leite (Bacuri), que matou Irlando












Herbert Eustáquio de Carvalho












José Roberto Gonçalves de Rezende








Alex Polari de Alverga 



além de Roberto Chagas da Silva e José Maurício Gradel.



58 - 15/07/70 - ISIDORO ZAMBOLDI - segurança - SP
Morto pela terrorista Ana Bursztyn durante assalto à loja Mappin.

59 - 12/08/70 - BENEDITO GOMES - Capitão do Exército - SP
Morto por terroristas, no interior do seu carro, na Estrada Velha de Campinas.

60 - 19/08/70 - VAGNER LÚCIO VITORINO DA SILVA - Guarda de segurança - RJ
Morto durante assalto do Grupo Tático Armado da organização terrorista MR-8 ao Banco Nacional de Minas Gerais, no bairro de Ramos. Sônia Maria Ferreira Lima foi quem fez os disparos que o mataram. Participaram, também, dessa ação os terroristas Reinaldo Guarany Simões, Viriato Xavier de Melo Filho e Benjamim de Oliveira Torres Neto, os dois últimos recém-chegados do curso em Cuba.

61 - 29/08/70 - JOSÉ ARMANDO RODRIGUES - Comerciante - CE
Proprietário da firma Ibiapaba Comércio Ltda. Após ter sido assaltado em sua loja, foi seqüestrado, barbaramente torturado e morto a tiros por terroristas da ALN. Após seu assassinato, seu carro foi lançado num precipício na serra de Ibiapaba, em São Benedito, CE. Autores: ex-seminaristas Antônio Espiridião Neto e Waldemar Rodrigues Menezes (autor dos disparos), José Sales de Oliveira, Carlos de Montenegro Medeiros, Gilberto Telmo Sidney Marques, Timochenko Soares de Sales e Francisco William.

62 - 14/09/70 - BERTOLINO FERREIRA DA SILVA - Guarda de segurança - SP
Morto durante assalto praticado pelas organizações terroristas ALN e MRT ao carro pagador da empresa Brinks, no Bairro do Paraíso em são Paulo.

63 - 21/09/70 - CÉLIO TONELLY - soldado da PM - SP
Morto em Santo André. Quando de serviço em uma rádio-patrulha, tentou deter terroristas que ocupavam um automóvel.

64 - 22/09/70 - AUTAIR MACEDO - Guarda de segurança - RJ
Morto por terroristas, durante assalto a empresa de ônibus Amigos Unidos

65 - 27/10/70 - WALDER XAVIER DE LIMA - Sargento da Aeronáutica - BA
Morto quando, ao volante de uma viatura, conduzia terroristas presos, em Salvador. O assassino, Theodomiro Romeiro dos Santos (foto à esquerda) o atingiu com um tiro na nuca. Organização: PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).




66 - 10/11/70 - JOSÉ MARQUES DO NASCIMENTO - civil - SP
Morto por terroristas que trocavam tiros com a polícia.

67 - 10/11/70 - GARIBALDO DE QUEIROZ - Soldado PM - SP
Morto em confronto com terroristas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que faziam uma panfletagem armada na Vila Prudente, São Paulo.

68 - 10/11/70 - JOSÉ ALEIXO NUNES - soldado PM - SP
Também morto na ocorrência relatada acima.

69 - 10/12/70 - HÉLIO DE CARVALHO ARAÚJO - Agente da Polícia Federal - RJ
No dia 07/12, o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, foi seqüestrado pela VPR. Participaram da operação os terroristas Adair Gonçalves Reis, Gerson Theodoro de Oliveira, Maurício Guilherme da Silveira, Alex Polari de Alverga, Inês Etienne Romeu, Alfredo Sirkis (foto à esquerda), Herbert Eustáquio de Carvalho e Carlos Lamarca. Após interceptar o carro que conduzia o Embaixador, Carlos Lamarca bateu com um revólver Smith-Wesson, cano longo, calibre 38, no vidro do carro. Abriu a porta traseira e, a uma distância de dois metros, atirou, duas vezes contra o agente Hélio. Os terroristas levaram o embaixador e deixaram o agente agonizando. Transferido para o hospital Miguel Couto, morreu no dia 10/12/70.

70 - 07/01/71 - MARCELO COSTA TAVARES - Estudante - MG
Morto por terroristas durante um assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais.
Autor dos disparos: Newton Moraes.

71 - 12/02/71 - AMÉRICO CASSIOLATO - Soldado PM - São Paulo
Morto por terroristas em Pirapora do  Bom Jesus.

72 - 20/02/71 - FERNANDO PEREIRA - Comerciário - Rio de Janeiro
Morto por terroristas quando tentava impedir um assalto ao estabelecimento “Casa do Arroz”, do qual era gerente.

73 - 08/03/71 - DJALMA PELUCI BATISTA - Soldado PM - Rio de Janeiro
Morto por terroristas, durante assalto ao Banco do Estado do Rio de Janeiro.

74 - 24/03/71 - MATEUS LEVINO DOS SANTOS - Tenente da FAB - Pernambuco
O PCBR necessitava roubar um carro para participar do seqüestro do cônsul norte-americano, em Recife.  No dia 26/06/70, o grupo decidiu roubar um Fusca, estacionado em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife, nas proximidades do Hospital da Aeronáutica. Ao tentarem render o motorista, descobriram tratar-se de um tenente da Aeronáutica. Carlos Alberto Soares (foto à esquerda) disparou dois tiros contra o militar: um na cabeça e outro no pescoço. Depois de nove meses de intenso sofrimento (foto acima à direita), morreu no dia 24 de março de 1971, deixando viúva e duas filhas menores. O imprevisto levou o PCBR a desistir do seqüestro.

75 - 04/04/71 - JOSÉ JULIO TOJA MARTINEZ - Major do Exército -  Rio de Janeiro
No início de abril, a Brigada Pára-Quedista recebeu uma denúncia de que um casal de terroristas ocupara uma casa localizada na rua Niquelândia, 23, em Campo Grande/RJ. Não desejando passar esse informe à 2ª Seção do então I Exército, sem aprofundá-lo, a 2ª Seção da Brigada, chefiada pelo major Martinez, montou um esquema de vigilância da casa. Por volta das 23h, chega um casal de táxi. A mulher ostentava uma volumosa barriga, sugerindo gravidez.

O major Martinez acabara de concluir o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, onde, por três anos, exatamente o período em que a guerra revolucionária se desenvolvera, estivera afastado desses problemas em função da própria vida escolar bastante intensa. Estagiário na Brigada de Pára-Quedista, a quem também não estava afeta a missão de combate à subversão, não se havia habituado à virulência da ação terrorista.

Julgando que o casal nada tinha a ver com a subversão, Martinez iniciou a travessia da rua, a fim de solicitar-lhe que se afastasse daquela área. Ato contínuo, da barriga, formada por uma cesta para pão com uma abertura para saque da arma ali escondida, a “grávida” retirou um revólver, matando-o antes que pudesse esboçar qualquer reação. O capitão Parreira, de sua equipe, ao sair em sua defesa, foi gravemente ferido por um tiro desferido pelo terrorista. Nesse momento, os demais agentes desencadearam cerrado tiroteio, que causou a morte do casal de terroristas. Eram os militantes do MR-8 Mário de Souza Prata (foto acima à esquerda) e Marilena Villas-Bôas Pinto (foto acima à direita), responsáveis por uma extensa lista de atos terroristas.  No “aparelho” do casal, foram encontrados explosivos, munição e armas, além de dezenas de levantamentos de bancos, de supermercados, de diplomatas estrangeiros e de generais do Exército. Martinez deixou viúva e quatro filhos, três meninas e um menino, a mais velha, à época, com 11 anos.

76 - 07/04/71 - MARIA ALICE MATOS - Empregada doméstica - Rio de Janeiro
Morta por terroristas quando do assalto a um depósito de material de construção.

77 - 15/04/71 - HENNING ALBERT BOILESEN - (Industrial - São Paulo)
Quando da criação da Operação Bandeirante, o então comandante do II Exército, general Canavarro, reuniu-se com o governador do Estado de São Paulo, com várias autoridades federais, estaduais, municipais e com industriais paulistas para solicitar o apoio para um órgão que necessitava ser criado com rapidez, a fim de fazer frente ao crescente terrorismo que estava em curso no estado de São Paulo. Assim, vários industriais, entre eles Boilesen, se cotizaram para atender ao pedido daquela autoridade militar. Por decisão de Lamarca, Boilesen, um dinamarquês naturalizado brasileiro, foi assassinado.


Participaram da ação os terroristas Yuri Xavier Pereira (foto à esquerda), Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa (foto à direita), Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos.  No relatório escrito por Yuri, e apreendido pela polícia, aparecem as frases “durante a fuga trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”. Vários carros e casas foram atingidos por projéteis. Duas mulheres foram feridas. Sobre o corpo de Boilesen, atingido por 19 tiros, panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça: “Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.

78 - 10/05/71 - MANOEL DA SILVA NETO - Soldado PM - SP
Morto por terroristas durante assalto à Empresa de Transporte Tusa.

79 - 14/05/71 - ADILSON SAMPAIO - Artesão - RJ
Morto por terroristas durante assalto às lojas Gaio Marti.

80 - 09/06/71 - ANTÔNIO LISBOA CERES DE OLIVEIRA - Civil - RJ
Morto por terroristas durante assalto à boate Comodoro

81 - 01/07/71 - JAIME PEREIRA DA SILVA - Civil - RJ
Morto por terroristas na varanda de sua casa durante tiroteio entre terroristas e policiais.

82 - 02/09/71 - GENTIL PROCÓPIO DE MELO - Motorista de praça - PE
A organização terrorista denominada Partido Comunista Revolucionário determinou que um carro fosse roubado para realizar um assalto. Cumprindo a ordem recebida, o terrorista José Mariano de Barros tomou um táxi em Madalena, Recife. Ao chegar ao Hospital das Clínicas, quando fingia que ia pagar a corrida, apareceram seus comparsas, Manoel Lisboa de Moura (foto à esquerda) e José Emilson Ribeiro da Silva, que se aproximaram do veículo. Emilson matou Procópio com dois tiros.



83 - 02/09/71 - JAYME CARDENIO DOLCE - Guarda de segurança - RJ
Assassinado pelos terroristas Flávio Augusto Neves Leão Salles, Hélio Pereira Fortes (foto à esquerda), Antônio Carlos Nogueira Cabral, Aurora Maria do Nascimento Furtado (foto à direita), Sônia Hipólito e Isis Dias de Oliveira, durante assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras.






84 - 02/09/71 - SILVÂNO AMÂNCIO DOS SANTOS - Guarda de segurança - RJ
Assassinado na operação relatada acima.

85 - 02/09/71 - DEMERVAL FERREIRA DOS SANTOS - Guarda de segurança - RJ
Assassinado na operação relatada no item 83

86 - __/10/71 - ALBERTO DA SILVA MACHADO - Civil - RJ
Morto por terroristas durante assalto à Fábrica de Móveis Vogal Ltda, da qual era um dos proprietários.

87 - 22/10/71 - JOSÉ DO AMARAL - Sub-oficial da reserva da Marinha - RJ
Morto por terroristas da VAR-PALMARES e do MR-8 durante assalto a um carro transportador de valores da Transfort S/A. Foram feridos o motorista Sérgio da Silva Taranto e os guardas Emílio Pereira e Adilson Caetano da Silva.
Autores: James Allen Luz (Ciro), Carlos Alberto Salles (soldado), Paulo Cesar Botelho Massa, João Carlos da Costa.

88 - 01/11/71 - NELSON MARTINEZ PONCE - Cabo PM - SP
Metralhado por Aylton Adalberto Mortati (foto à esquerda) durante um atentado praticado por cinco terroristas do MOLIPO (Movimento de Libertação Popular) contra um ônibus da Empresa de Transportes Urbano S/A, em Vila Brasilândia, São Paulo







89 - 10/11/71 - JOÃO CAMPOS - Cabo PM - SP
Morto na estrada de Pindamonhangaba, ao interceptar um carro que conduzia terroristas armados.

90 - 22/11/71 - JOSÉ AMARAL VILELA - Guarda de segurança  - RJ
Neste dia os terroristas Sérgio Landulfo Furtado, Norma Sá Ferreira, Nelson Rodrigues Filho (foto à esquerda), Paulo Roberto Jabour, Thimothy William Watkin Ross e Paulo Costa Ribeiro Bastos assaltaram um carro-forte da firma Transfort, na Estrada do Portela, em Madureira.






91 - 27/11/71 - EDUARDO TIMÓTEO FILHO - Soldado PM - RJ
Morto por terroristas, durante assalto contra as Lojas Caio Marti.

92 - 13/12/71 - HÉLIO FERREIRA DE MOURA - Guarda de Segurança - RJ
Morto, por terroristas, durante assalto contra um carro transportador de valores da Brink’s, na Via Dutra.

93 - 18/01/72 - TOMAZ PAULINO DE ALMEIDA - Sargento PM - São Paulo / SP
Morto a tiros de metralhadora no bairro Cambuci quando um grupo terrorista roubava o seu carro. Autores do assassinato: João Carlos Cavalcante Reis (foto à esquerda), Lauriberto José Reyes (foto à direita) e Márcio Beck Machado, todos integrantes do Molipo.





94 - 20/01/72 - SYLAS BISPO FECHE - Cabo PM São Paulo / SP
O cabo Sylas Bispo Feche integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército. Sua equipe executava  uma ronda quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo. A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado. Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi metralhado. Dois terroristas, membros da ALN, morreram.

95 - 25/01/72 - ELZO ITO - Estudante - São Paulo / SP
Aluno do Centro de Formação de Pilotos Militares, foi morto por terroristas que roubaram seu carro.

96 - 01/02/72 - IRIS DO AMARAL - Civil - Rio de Janeiro
Morto durante um tiroteio entre terroristas da ALN e policiais. Ficaram feridos nesta ação os civis Marinho Floriano Sanches, Romeu Silva e Altamiro Sinzo. Autores: Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”) e Antônio Carlos Nogueira Cabral (foto à esquerda).






97 - 05/02/72 - DAVID A. CUTHBERG - Marinheiro inglês - Rio de Janeiro
A respeito desse assassinato, sob o título “REPULSA”, o jornal “O Globo” publicou:
“Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David  A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.

A ação criminosa foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas:
- ALN - Flávio Augusto Neves Leão Salles (”Rogério”, “Bibico”), que fez os disparos com a metralhadora, Antônio Carlos Nogueira Cabral (foto à esquerda), Aurora Maria Nascimento Furtado (foto à direita), Adair Gonçalves Reis (”Elber”, “Leônidas”, “Sorriso”);
- VAR-PALMARES - Lígia Maria Salgado da Nóbrega (”Ana”, “Célia”, “Cecília”), que jogou dentro do táxi os panfletos que falavam em vingança contra os “Imperialistas Ingleses”; Hélio Silva (”Anastácio”, “Nadinho”), Carlos Alberto Salles (”Soldado”);
- PCBR - Getúlio de Oliveira Cabral (foto à esquerda)









98 - 15/02/72 - LUZIMAR MACHADO DE OLIVEIRA - Soldado PM - Goiás
O terrorista Arno Preiss (foto à esquerda) encontrava-se na cidade de Paraiso do Norte, que estava incluída no esquema de trabalho de campo do MOLIPO. Usava o nome falso de Patrick McBundy Comick. Arno tentou entrar com sua documentação falsa no baile carnavalesco do clube social da cidade. Sua documentação levantou suspeita nos policiais, que o convidaram a comparecer à delegacia local. Ao deixar o clube, julgando-se desmascarado, Arno sacou seu revólver e disparou à queima roupa contra os policiais, matando o PM Luzimar Machado de Oliveira e ferindo gravemente o outro PM que o conduzia, Gentil Ferreira Mano. Acabou morto.

99 - 18/02/72 - BENEDITO MONTEIRO DA SILVA - Cabo PM - São Paulo
Morto quando tentava evitar um assalto terrorista a uma agencia bancária em Santa Cruz do Rio Pardo.

100 - 27/02/72 - NAPOLEÃO FELIPE BERTOLANE BISCALDI - Civil - São Paulo
Morto durante um tiroteio entre os terroristas Lauriberto José Reyes e José Ibsem Veroes com policiais, na rua Serra de Botucatu, no bairro Tatuapé. Nesta ação, um policial foi ferido a tiros de metralhadoras por Lauriberto. Os dois terroristas morreram no local.

101 - 06/03/72 - WALTER CÉSAR GALLETI - Comerciante - São Paulo
Terroristas da ALN assaltaram a firma F. Monteiro S/A. Após o assalto, fecharam a loja, fizeram um discurso subversivo e assassinaram o gerente Walter César Galetti e feriram o subgerente Maurílio Ramalho e o despachante Rosalindo Fernandes.

102 - 12/03/72  - MANOEL DOS SANTOS - Guarda de Segurança - São Paulo
Morto durante assalto terrorista à fábrica de bebidas Charel Ltda.

103 - 12/03/72  - ANÍBAL FIGUEIREDO DE ALBUQUERQUE - Coronel R1 do Exército - São Paulo
Morto durante assalto à fábrica de bebidas Charel Ltda., da qual era um dos proprietários

104 - 08/05/72 - ODILO CRUZ ROSA - Cabo do Exército - PA
Morto na região do Araguaia quando uma equipe comandada por um tenente e composta ainda, por dois sargentos e pelo Cabo Rosa foram emboscados por terroristas comandados por Oswaldo Araújo Costa, o “Oswaldão” (foto abaixo à esquerda), na região de Grota Seca, no Vale da Gameleira. Neste tiroteio foi morto o Cabo Rosa e feridos um Tenente e um Sargento.











105 - 02/06/72 - ROSENDO - Sargento PM - SP
Morto ao interceptar 04 terroristas que assaltaram um bar e um carro da Distribuidora de Cigarros Oeste LTDA.

106 - 29/06/72 - JOÃO PEREIRA - Mateiro-região do Araguaia - PA
“Justiçado exemplarmente” pelo PC do B por ter servido de guia para as forças legais que combatiam os guerrilheiros. A respeito, Ângelo Arroyo declarou em seu relatório: “A morte desse bate-pau causou pânico entre os demais da zona”.

107 - 09/09/72 - MÁRIO DOMINGOS PANZARIELO - Detetive Polícia Civil - RJ
Morto ao tentar prender um terrorista da ALN.

108 - 23/09/72 - MÁRIO ABRAIM DA SILVA - Segundo Sargento do Exército - PA
Pertencia ao 2º Batalhão de Infantaria de Selva, com sede em Belém. Sua Companhia foi deslocada para combater a guerrilha na região do Araguaia. Morto em combate, durante um ataque guerrilheiro no lugarejo de Pavão, base do 2º Batalhão de Selva.

109 - 27/09/72 - SÍLVIO NUNES ALVES - Bancário - RJ
Assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR - ALN - VPR - Var Palmares e MR8. Autor do assassinato: José Selton Ribeiro.

110 - __/09/72 - OSMAR… - Posseiro - PA
“Justiçado” na região do Araguaia pelos guerrilheiros por ter permitido que uma tropa de pára-quedistas acampasse em suas terras.

111 - 01/10/72 - LUIZ HONÓRIO CORREIA - Civil - RJ
Morto por terroristas no assalto à empresa de Ônibus Barão de Mauá

112 - 06/10/72 - SEVERINO FERNANDES DA SILVA - Civil - PE
Morto por terroristas durante agitação no meio rural.

113 - 06/10/72 - JOSÉ INOCÊNCIO BARRETO - Civil - PE
Morto por terroristas durante agitação no meio rural.

114 - 21/02/73 - MANOEL HENRIQUE DE OLIVEIRA - Comerciante - São Paulo
No dia 14 de junho de 1972, as equipes do DOI de São Paulo, como já faziam há vários dias, estavam seguindo quatro terroristas da ALN que resolveram almoçar no restaurante Varela, no bairro da Mooca. Quando eles saíram do restaurante, receberam voz de prisão. Reagindo, desencadearam tiroteio com os policiais. Ao final, três terroristas estavam mortos, e um conseguiu fugir. Erroneamente, a ALN atribuiu a morte de seus três companheiros à delação de um dos proprietários do restaurante e decidiu justiçá-lo. O comando “Aurora Maria do Nascimento Furtado”, constituído por Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Emanuel Penteado, Francisco Seiko Okama e Ronaldo Mouth Queiroz, foi encarregado da missão e assassinou, no dia 21 de fevereiro, o comerciante Manoel Henrique de Oliveira, que foi metralhado sem que pudesse esboçar um gesto de defesa. Seu corpo foi coberto por panfletos da ALN, impressos no Centro de Orientação Estudantil da USP por  interveniência do militante Paulo Frateschi.

115 - 22/02/73 - PEDRO AMÉRICO MOTA GARCIA - Civil - Rio de Janeiro
Por vingança, foi “justiçado” por terroristas por haver impedido um assalto contra uma agência da Caixa Econômica Federal.

116 - 25/02/73 - OCTÁVIO GONÇALVES MOREIRA JÚNIOR - Delegado de polícia - São Paulo
Com a tentativa de intimidar os integrantes dos órgãos de repressão, um “Tribunal Popular Revolucionário” decidiu “justiçar” um membro do DOI/CODI/II Exército. O escolhido foi o delegado de polícia Octávio Gonçalves Moreira Júnior.

117 - 12/03/73 - PEDRO MINEIRO - Capataz da Fazenda Capingo
“Justiçado” por terroristas na Guerrilha do Araguaia.

118 - FRANCISCO VALDIR DE PAULA - Soldado do Exército-região do Araguaia - PA
Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.

119 - 10/04/74 - GERALDO JOSÉ NOGUEIRA - Soldado PM - São Paulo
Morto numa operação de captura de terroristas.

120 - 31/3/69 - MANOEL DA SILVA DUTRA - Civil
Durante assalto ao banco Andrade Arnaud, no Rio. Um dos então terroristas que participaram da operação era Carlos Minc (foto à esquerda), que vinha do Colina, que se fundiu com a VPR para formar a VAR-PALMARES.
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Segue a lista dos “justiçados” - isto é, terroristas mortos por seus próprios “companheiros”, conforme está sintetizado no site “Quinto Poder”:

1 - GERALDO FERREIRA DAMASCENO, militante da Dissidência da VAR-Palmares (DVD), “justiçado”em 29/5/1970, no Rio de Janeiro;

2 - ARI ROCHA MIRANDA, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), “justiçado” em 11/6/1970, por seu companheiro Eduardo Leite, codinome “Bacuri”, durante uma “ação”, em São Paulo;

3 - ANTONIO LOURENÇO, militante da Ação Popular (AP), “justiçado” em fevereiro de 1971, no Maranhão;

4 - MÁRCIO LEITE TOLEDO, da Ação Libertadora Nacional (ALN), “justiçado” em 23/3/1971.
O militante Márcio Leite Toledo manifestou descontentamento com os rumos da ALN e fez críticas à direção do grupo terrorista. Foi assassinado com oito tiros. Em comunicado, a organização admitiu: “A Ação Libertadora Nacional (ALN) executou, dia 23 de março de 1971, Márcio Leite Toledo. Esta execução teve o fim de resguardar a organização… Uma organização revolucionária, em guerra declarada, não pode permitir a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilações desta espécie, muito menos uma defecção deste grau em suas fileiras… Tolerância e conciliação tiveram funestas consequências na revolução brasileira… Ao assumir responsabilidade na organização cada quadro deve analisar sua capacidade e seu preparo. Depois disto não se permitem recuos… A revolução não admitirá recuos!”.

5 - AMARO LUIZ DE CARVALHO, codinome “Capivara”, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e, posteriormente, do Partido Comunista Revolucionário (PCR), “justiçado” em 22/8/1971, em Recife, dentro do presídio onde cumpria pena;






6 - CARLOS ALBERTO MACIEL CARDOSO, da Ação Libertadora Nacional (ALN), “justiçado” em 13/9/1971, no Rio de Janeiro;

7 - FRANCISCO JACQUES MOREIRA DE ALVARENGA, da Resistência Armada Nacionalista (RAN), “justiçado” em 28/6/1973, dentro da Escola onde era professor, por um comando da (ALN). Maria do Amparo Almeida Araujo, então militante da Organização e, bem mais tarde, presidente do “Grupo Tortura Nunca Mais”, em Pernambuco, participou dos levantamentos que permitiram a realização do referido “justiçamento”. Hoje, em depoimento no livro “Mulheres que Foram a Luta”, do jornalista Luis Maklouf de Carvalho-1998, ela declara não saber quem realizou a ação, embora seja evidente que, para que o “justiçamento” pudesse ter sido realizado, ela devesse ter passado este levantamento para alguém;

8 - SALATIEL TEIXEIRA ROLINS, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), “justiçado” em 22/7/1973 por militantes da Organização. Segundo Jacob Gorender, que em 1967 foi um dos fundadores do PCBR, em seu livro “Combate nas Trevas”, os assassinos não poderiam intitular-se “militantes do PCBR”, pois nessa época o “o PCBR não mais existia”.

9 - ROSALINO CRUZ SOUZA - guerrilheiro, justiçado no Araguaia pelo PC do B.

* ANTONIO NOGUEIRA DA SILVA FILHO, da VAR-Palmares, condenado ao “justiçamento” em 1969, escapou por ter fugido para o exterior.

Sabem o que impressiona? Nesse caso, os “reparadores” não cobram justiça. Tampouco pretendem levar os que ainda estão vivos e respondem por aquelas mortes para o banco dos réus. A canalha se protege de tal modo que acha crime de lesa humanidade que um militar mate um dos seus, mas considera que esquerdista matando esquerdista, em nome da causa, é parte legítima do jogo.




ATENTADO NO AEROPORTO INTERNACIONAL DOS GUARARAPES
O atentado do Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife, ocorreu em 25 de julho de 1966, quando uma bomba explodiu no saguão do aeroporto matando o jornalista Edson Régis de Carvalho (foto acima à esquerda), casado e pai de cinco filhos, teve seu abdômen dilacerado e o almirante Nelson Gomes Fernandes (foto acima à direita) com o crânio esfacelado, deixando viúva e um filho menor. Outras 17 pessoas foram feridas na explosão. Esse atentado foi um dos atos que provocaram o endurecimento do regime militar e é considerado o início da luta armada no Brasil.

Nessa manhã de 25 de julho de 1966, o Marechal Costa e Silva, então candidato à Presidência da República, era esperado por cerca de 300 pessoas que lotavam o Aeroporto Internacional dos Guararapes. Às 08h30, poucos minutos antes da previsão de chegada do Marechal, o serviço de som anunciou que, em virtude de pane no avião, ele estava deslocando-se por via terrestre de João Pessoa até Recife e iria, diretamente, para o prédio da SUDENE, local onde ocorreria um ato de campanha.

Esse comunicado provocou o início da retirada do público. O guarda-civil Sebastião Tomaz de Aquino (foto à esquerda), o "Paraíba", outrora popular jogador de futebol do Santa Cruz, percebeu uma maleta escura abandonada junto à livraria "SODILER", localizada no saguão do aeroporto. Julgando que alguém a havia esquecido, pegou-a para entregá-la no balcão do Departamento de Aviação Civil (DAC). Ocorreu uma forte explosão. O som ampliado pelo recinto, a fumaça, os estragos produzidos e os gemidos dos feridos provocaram o pânico e a correria do público. Passados os primeiros momentos de pavor, viu-se que o atentado havia vitimado 19 pessoas.

O guarda-civil "Paraíba" feriu-se no rosto e nas pernas, o que resultou, alguns meses mais tarde, na amputação de sua perna direita. O então Tenente-Coronel do Exército, Sylvio Ferreira da Silva (foto abaixo), sofreu fratura exposta do ombro esquerdo e amputação traumática de quatro dedos da mão esquerda.

Ficaram, ainda, feridos os advogados Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antonio Pedro Morais da Cunha, os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro, os estudantes José Oliveira Silvestre, Amaro Duarte Dias e Laerte Lafaiete, a professora Anita Ferreira de Carvalho, a comerciária Idalina Maia, o guarda-civil José Severino Pessoa Barreto, o deputado federal Luiz de Magalhães Melo e Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas seis anos de idade.

Além das pessoas acima listadas, há evidências de que várias outras também sofreram ferimentos menores (luxações, pequenas escoriações etc.) sem que seus nomes tenham sido mencionados publicamente.

O acaso, transferindo o local de chegada do futuro presidente, impediu que a tragédia fosse maior. Um dos executores do atentado, revelado pelas pesquisas e entrevistas de Jacob Gorender em seu livro “Combate nas Trevas", foi o militante político Raimundo Gonçalves Figueiredo (foto à esquerda), codinome Chico, que viria a ser morto pela Polícia Civil, em abril de 1971, já como integrante da VAR-Palmares.





Ainda, segundo Jacob Gorender, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), o mentor do atentado foi o Padre Alípio de Freitas (foto abaixo), da Ação Popular (AP).

Português de nascimento, Alípio esteve em Cuba, juntamente com outros militantes, em 1961, fazendo curso de guerrilha. Depois disso participou, com Francisco Julião, dos primórdios das Ligas Camponesas e foi seu último secretário-geral, em 1964. Entre 1964 e 1981, foi transferido 16 vezes de prisão em prisão pelo Brasil. Ao organizar grupos na resistência com seus companheiros e com os presos comuns que conviviam com eles nas celas, ganhou a fama de ser o “pai” de duas organizações criminosas que hoje aterrorizam o Brasil, o CV (Comando Vermelho, do RJ) e o PCC (Primeiro Comando da Capital, de SP).

Em 2004, foi concedida da indenização fixada em R$ 1,09 milhão pela Comissão de Anistia, que tem direito ainda a uma pensão mensal de R$ 6.000,00.

O "CANHÃO DO ARRUDA"

A perna direita protagonizou situações marcantes e antagônicas na vida do paraibano Sebastião Tomaz de Aquino.

A potência do chute o consagrou no esporte. No time do Santa Cruz, por exemplo, tornou-se o "Canhão do Arruda". Virou o sétimo maior artilheiro da história do clube pernambucano e ajudou a equipe a conquistar o primeiro supercampeonato estadual. Um dos poucos a marcar mais de cem gols com a camisa tricolor.

As artimanhas do destino, no entanto, cessaram as alegrias ofertadas pela região do corpo responsável pelos maiores triunfos do ex-atleta.

Sebastião foi uma das 17 vítimas do historicamente conhecido Atentado dos Guararapes. O laudo médico final causou impacto semelhante à bomba estourada no incidente do aeroporto: amputação.

Sebastião, ou “Paraíba”, como era conhecido na época do Santa, sentiu as agruras do conturbado período pós-Golpe Militar de 31 de março de 1964.

Três séries de três bombas alçaram Recife ao centro das guerras políticas, dois anos após o golpe. As ações terroristas praticamente se restringiram a causar danos materiais. Eis que, por volta das 8h30 do dia 25 de julho de 1966, o Aeroporto Internacional dos Guararapes virou o palco da mais violenta explosão.

Sebastião - "recém-chuteiras penduradas" do futebol e guarda civil do terminal aéreo desde 1962 - visualizou uma maleta preta aparentemente esquecida no saguão de desembarque. Apanhou a valise e se dirigiu ao setor de Achados e Perdidos. Foi forçado a parar no meio do caminho.

Repentinamente, o estrondo. Pânico. Correria. Instalações destruídas.

Quinze feridos, dentre eles, Sebastião. Dois mortos: o jornalista e secretário do governo de Pernambuco, Édson Régis de Carvalho, e o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes.

Mais tarde, descobriu-se que o material teria como destinatário o general Costa e Silva. A mudança de rota do general evitou maior número de vítimas.

O acaso, no entanto, teve contornos diferentes para o guarda civil que carregou a maleta preta munida da bomba. "Eu pedi ao meu chefe para folgar no domingo, para jogar uma 'peladinha' com os meus amigos, e ir trabalhar na segunda-feira", revelou. Foi a última partida de futebol de Sebastião. Ironicamente, a segunda-feira de serviço foi a de 25 de julho de 1966.

Do exato momento do impacto da bomba, Sebastião conserva uma única lembrança. "Fui até o teto", rememora, feliz por ter sobrevivido ao incidente. "Não morri, porque não era para morrer. Tem gente que leva uma topada e morre".

A batalha do herói

Recolhido aos cuidados médicos, Sebastião demorou a dar conta do posto alcançado após a explosão. Muitos o tacharam como herói, pois acreditaram que, se a maleta tivesse permanecido no local onde foi estrategicamente abandonada, poderia ter causado ainda mais danos. Do leito do hospital, recebeu visitas ilustres. Castelo Branco, ex-presidente da República, e Pelé, Rei do Futebol, prestaram solidariedade à vítima.

Foram dias de batalha dos médicos para salvar a vida de Sebastião e meses para resguardar a perna direita. O ex-jogador escapou da morte. Mas não conseguiu evitar a amputação. "Meu marido foi atingido por uma bomba artesanal. Ela continha materiais que colaboraram para a infecção. A perna, vez por outra, ficava cheia da 'tapurus' (germes). Uma aparência horrível", relembra a esposa Eurídice.

Sebastião relutou para aceitar a recomendada amputação. Só deu o sinal positivo à junta médica depois de ouvir o conselho de Amauri, ex-companheiro de profissão no Santa Cruz. "Ele me disse: 'tens amigos e uma família que te ama, e o que mais vale é a vida'. Virei para o doutor e ordenei: 'corte'. A adaptação foi horrível. Demorei a aceitar a nova condição. Hoje, no entanto, não me arrependo", garante.

Exato um ano após o Atentado dos Guararapes, o aeroporto da capital pernambucana recebeu uma placa de bronze, onde reluz frases de homenagem às vítimas: "Glorificados pelo sacrifício, seus nomes serão sempre lembrados, recordando aos pósteros o violento e trágico atentado terrorista, praticado à sorrelfa pelos inimigos da Pátria". O monumento saudou os mortos na tragédia. Já a história acabou por esquecer o papel de Sebastião Tomaz de Aquino.

Hoje, o ex-jogador vive no anonimato, travando batalhas diárias para a sobrevivência, em uma humilde casa localizada no Ipsep, bairro da Zona Sul do Recife. Recebe salários como aposentado da Polícia Civil e da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), onde trabalhou como auxiliar de portaria após a amputação da perna. As despesas com tratamentos e remédios abarcam a maior fatia de um montante inferior a R$ 2 mil.

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Lista de policiais militares, civis e federais que deram a vida lutando contra uma ditadura comunista.

1) Raimundo de Carvalho Andrade 28/09/66 – Cb PMGO
Morto durante uma tentativa de desocupação do Colégio Estadual Campinas, em Goiânia, que havia sido ocupado por estudantes de esquerda. 
2) Aílton de Oliveira, guarda Penitenciário – 31/05/ 68 – RJ
O Movimento Armado Revolucionário (MAR) montou uma ação para libertar nove de seus membros que cumpriam pena na Penitenciária Lemos de Brito (RJ) e que, uma vez libertados, deveriam seguir para a região de Conceição de Jacareí, onde o MAR pretendia estabelecer o “embrião do foco guerrilheiro”. No dia 26/05/68, o estagiário Júlio César entregou à funcionária da penitenciária Natersa Passos, num pacote, três revólveres calibre 38. Às 17h30, teve início a fuga. Os terroristas foram surpreendidos pelos guardas penitenciários Aílton de Oliveira e Jorge Félix Barbosa. Foram feridos, e Aílton morreu no dia 31/05/68. Ainda ficou gravemente ferido o funcionário da Light João Dias Pereira, que se encontrava na calçada da penitenciária. O autor dos disparos que atingiram o guarda Aílton foi o terrorista Avelino Brioni Capitani.
3) Nelson de Barros – Sargento PM – 27/06/68 – RJ
No dia 21/06/68, conhecida como a “Sexta-Feira Sangrenta”, realizou-se no Rio uma passeata contra o regime militar. Cerca de 10.000 pessoas ergueram barricadas, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam lojas, atacaram a tiros a embaixada americana e as tropas da Polícia Militar. No fim da noite, pelo menos 10 mortos e centenas de feridos. Entre estes, estava o sargento da PM Nelson de Barros, que morreu no dia 27.
4) Eduardo Custódio de Souza – Soldado PM – 7/09/68 – SP
Morto com sete tiros por terroristas de uma organização não identificada quando de sentinela no DEOPS, em São Paulo.
5) Antônio Carlos Jeffery – Soldado PM – 20/09/68 – SP
Morto a tiros quando de sentinela no quartel da então Força Pública de São Paulo (atual PM) no Barro Branco. Organização terrorista que praticou o assassinato: Vanguarda Popular Revolucionária. Assassinos: Pedro Lobo de Oliveira, Onofre Pinto, Diógenes José Carvalho de Oliveira, atualmente conhecido como “Diógenes do PT”, ex-auxiliar de Olívio Dutra no Governo do RS.
6) Cecildes Moreira de Faria – Subinspetor de Polícia – 29/01/69 – BH/ MG
7) José Antunes Ferreira – guarda civil – 29/01/69 – BH/MG
Policiais chegaram a um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na Rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo. Foram recebidos por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva, “Cesar’ ou “Miranda”, que mataram o subinspetor Cecildes Moreira da Silva (ver acima), que deixou viúva e oito filhos menores. Ferreira também morreu. Além do assassino, foram presos os seguintes terroristas: Afonso Celso L. Leite (Ciro), Mauricio Vieira de Castro (Carlos), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida (Pedro), Jorge Raimundo Nahas (Clóvis ou Ismael) e Maria José de Carvalho Nahas (Celia ou Marta). No interior do “aparelho”, foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos.
8) Orlando Pinto da Silva – Guarda Civil – 9/05/69 – SP
Morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por Carlos Lamarca, durante assalto ao Banco Itau, na rua Piratininga, Bairro da Moóca. Na ocasião também foi esfaqueado o gerente do Banco, Norberto Draconetti. Organização responsável por esse assalto: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).
9) Naul José Montovani – Soldado PM – 27/05/69 – SP
Em 27/05/69 foi realizada uma ação contra o 15º Batalhão da Força Pública de São Paulo, atual PMESP, na Avenida Cruzeiro do Sul, SP/SP. Os terroristas Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Carlos Eduardo Pires Fleury, Maria Aparecida Costa, Celso Antunes Horta e Ana Maria de Cerqueira César Corbusier metralharam o soldado Naul José Montovani, que estava de sentinela e que morreu instantaneamente. O soldado Nicário Conceição Pulpo, que correu ao local ao ouvir os disparos, foi gravemente ferido na cabeça, tendo ficado paralítico.
10) Boaventura Rodrigues da Silva – Soldado PM – 4/06/69 – SP
Morto por terroristas durante assalto ao Banco Tozan.
11) Guido Boné – Soldado PM – 22/06/69 – SP
12) Natalino Amaro Teixeira – Soldado PM – 22/06/69 – SP
Mortos por militantes da ALN que atacaram e incendiaram a rádio-patrulha RP 416, da então Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar, matando os seus dois ocupantes, os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, roubando suas armas.
13) Aparecido dos Santos Oliveira – Soldado PM – 24/07/69 – SP
O Banco Bradesco, na rua Turiaçu, no Bairro de Perdizes, foi assaltado por uma frente de grupos de esquerda. Foram roubados sete milhões de cruzeiros. Participaram da ação:
- Pelo Grupo de Expropriação e Operação: Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Raimundo Gonçalves de Figueiredo, Ney Jansen Ferreira Júnior, José Couto Leal;
- Pelo Grupo do Gaúcho: Plínio Petersen Pereira, Domingos Quintino dos Santos, Chaouky Abara;
- Pela VAR-Palmares: Chael Charles Schreier, Roberto Chagas e Silva, Carmem Monteiro dos Santos Jacomini e Eduardo Leite.
Raimundo Gonçalves Figueiredo baleou o soldado Oliveira. Já caído, ele recebeu mais quatro tiros disparados por Domingos Quintino dos Santos.
14) Mauro Celso Rodrigues – Soldado PM – 31/08/69 – MA
Morto quando procurava impedir a luta entre proprietários e posseiros, incitada por movimentos subversivos.
15) João Guilherme de Brito – Soldado da Força Pública - 3/09/69 – SP
Os terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN) Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Tomaz resolveram comprar um gravador na loja Lutz Ferrando, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis. O pagamento seria feito com um cheque roubado num assalto. Descobertos, receberam voz de prisão e reagiram. Na troca de tiros, o guarda civil João Szelacsak Neto ficou ferido com um tiro na coxa, e o funcionário da loja, José Getúlio Borba, foi mortalmente ferido. Perseguidos pela polícia, o terrorista José Wilson Lessa Sabag matou a tiros o soldado da Força Pública (atual PM) João Guilherme de Brito.
16) Cláudio Ernesto Canton – Agente da Polícia Federal – 30/09/69 – SP
Após ter efetuado a prisão de um terrorista, foi atingido na coluna vertebral, vindo a falecer em conseqüência desse ferimento.
17) Euclídes de Paiva Cerqueira – Guarda particular – 4/10/69 – RJ
Morto por terroristas durante assalto ao carro transportador de valores do Banco Irmãos Guimarães
18) Abelardo Rosa Lima – Soldado PM – 6/10/69 – SP
Metralhado por terroristas numa tentativa de assalto ao Mercado Peg-Pag. Autores: Devanir José de Carvalho (Henrique), Walter Olivieri, Eduardo Leite (Bacuri), Mocide Bucherone e Ismael Andrade dos Santos. Organizações Terroristas: REDE (Resistência Democrática) e MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes).
19) Romildo Ottenio – Soldado PM – 7/10/69 – SP
Morto quando tentava prender um terrorista.
20) Estela Borges Morato – Investigadora do DOPS – 4/11/69 – SP
21) Joel Nunes – Subtenente PM – 17/11/69 – RJ
Neste dia, o PCBR assaltou o Banco Sotto Maior, na Praça do Carmo, no subúrbio carioca de Brás de Pina, de onde foram roubados cerca de 80 milhões de cruzeiros. Na fuga, obstados por uma viatura policial, surgiu um violento tiroteio no qual Avelino Bioni Capitani matou o sargento da PM Joel Nunes. Na ocasião, foi preso o terrorista Paulo Sérgio Granado Paranhos.
22) Elias dos Santos – Soldado do Exército – 18/12/69 – RJ
Havia um aparelho do PCBR na rua Baronesa de Uruguaiana nº 70, no bairro de Lins de Vasconcelos. Ali, Prestes de Paula, ao fugir pelos fundos da casa, disparou um tiro de pistola 45 contra Elias dos Santos.
23) José Geraldo Alves Cursino – Sargento PM – 17/01/70 – São Paulo / SP
Morto a tiros por terroristas.
24) Antônio Aparecido Posso Nogueró – Sargento PM – 20/02/70 – São Paulo
Morto pelo terrorista Antônio Raimundo de Lucena quando tentava impedir um ato terrorista no Jardim Cerejeiras, Atibaia/SP.
25) Newton de Oliveira Nascimento – Soldado PM – 11/03/70 – Rio de Janeiro
No dia 11/03/70, os militantes do grupo tático armado da ALN Mário de Souza Prata, Rômulo Noronha de Albuquerque e Jorge Raimundo Júnior deslocavam-se num carro Corcel azul, roubado, dirigido pelo último, quando foram interceptados no bairro de Laranjeiras- RJ por uma patrulha da PM. Suspeitando do motorista, pela pouca idade que aparentava, e verificando que Jorge Raimundo não portava habilitação, os policiais ordenaram-lhe que entrasse no veículo policial, junto com Rômulo Noronha Albuquerque, enquanto Mauro de Souza Prata, acompanhado de um dos soldados, iria dirigindo o Corcel até a delegacia mais próxima. Aproveitando-se do descuido dos policiais, que não revistaram os detidos, Mário, ao manobrar o veículo para colocá-lo à frente da viatura policial, sacou de uma arma e atirou, matando com um tiro na testa o soldado da PM Newton Oliveira Nascimento, que o escoltava no carro roubado. O soldado Newton deixou a viúva dona Luci e duas filhas menores, de quatro e dois anos.
26) Joaquim Melo – Investigador de Polícia – 31/03/70 – Pernambuco
Morto por terroristas durante ação contra um “aparelho”.
27) João Batista de Souza – Guarda de Segurança – 2 /05/70 – SP
Um comando terrorista, integrado por Devanir José de Carvalho, Antonio André Camargo Guerra, Plínio Petersen Pereira, Waldemar Abreu e José Rodrigues Ângelo, pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), e mais Eduardo Leite (Bacuri), pela Resistência Democrática (REDE), assaltaram a Companhia de Cigarros Souza Cruz, no Cambuci/SP. Na ocasião Bacuri assassinou o guarda de segurança João Batista de Souza.
28) Alberto Mendes Junior- 1º Tenente PM – 10/05/70 – SP
Esta é uma das maiores expressões da covardia e da violência de que era capaz o terrorista Carlos Lamarca. No dia 08/05/70, sete terroristas, chefiados por ele, estavam numa pick-up e pararam num posto de gasolina em Eldorado Paulista. Foram abordados por policiais e reagiram a bala, conseguindo fugir. Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha. Em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado Paulista. Por volta das 21h, houve o encontro com os terroristas, que estavam armados com fuzis FAL, enquanto os PMs portavam o velho fuzil Mauser modelo 1908. Em nítida desvantagem bélica, vários PMs foram feridos, e o Tenente Mendes verificou que diversos de seus comandados estavam necessitando de urgentes socorros médicos. Julgando-se cercado, Mendes aceitou render-se desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Tendo os demais componentes da patrulha permanecido como reféns, o Tenente levou os feridos para Sete Barras.
De madrugada, a pé e sozinho, Mendes buscou contato com os terroristas, preocupado que estava com o restante de seus homens. Encontrou Lamarca, que decidiu seguir com seus companheiros e com os prisioneiros para Sete Barras. Ao se aproximarem dessa localidade, foram surpreendidos por um tiroteio, ocasião em que dois terroristas – Edmauro Gopfert e José Araújo Nóbrega – desgarraram-se do grupo, e os cinco terroristas restantes embrenharam-se no mato, levando junto o Tenente Mendes. Depois de caminharem um dia e meio na mata, os terroristas e o tenente pararam para descansar. Carlos Lamarca, Yoshitame Fujimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um “tribunal revolucionário”, que resolveu assassinar o Tenente Mendes. Os outros dois, Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima, ficaram vigiando o prisioneiro.
Poucos minutos depois, os três terroristas retornaram. Yoshitame Fujimore desfechou-lhe violentos golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Caído e com a base do crânio partida, o Tenente Mendes gemia e se contorcia em dores. Diógenes Sobrosa de Souza desferiu-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensanguentada, o Tenente Mendes foi enterrado. Em 08/09/70, Ariston Lucena foi preso pelo DOI-CODI e apontou o local onde o tenente estava enterrado.
29) Irlando de Moura Régis – Agente da Polícia Federal – 11/06/70 – RJ
Foi assassinado durante o sequestro do embaixador da Alemanha, Ehrendfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben. A operação foi executada pelo Comando Juarez Guimarães de Brito. Participaram Jesus Paredes Soto, José Maurício Gradel, Sônia Eliane Lafóz, José Milton Barbosa, Eduardo Coleen Leite (Bacuri), que matou Irlando, Herbert Eustáquio de Carvalho, José Roberto Gonçalves de Rezende, Alex Polari de Alverga e Roberto Chagas da Silva.
30) Isidoro Zamboldi – segurança – 15/07/70 – SP
Morto pela terrorista Ana Bursztyn durante assalto à loja Mappin.
31) Vagner Lúcio Vitorino da Silva – Guarda de segurança – 19/08/70 – RJ
Morto durante assalto do Grupo Tático Armado da organização terrorista MR-8 ao Banco Nacional de Minas Gerais, no bairro de Ramos. Sônia Maria Ferreira Lima foi quem fez os disparos que o mataram. Participaram, também, dessa ação os terroristas Reinaldo Guarany Simões, Viriato Xavier de Melo Filho e Benjamim de Oliveira Torres Neto, os dois últimos recém-chegados do curso em Cuba.
32) Bertolino Ferreira da Silva – Guarda de segurança – 14/09/70 – SP
Morto durante assalto praticado pelas organizações terroristas ALN e MRT ao carro pagador da empresa Brinks, no Bairro do Paraíso em São Paulo.
33) Célio Tonelly – soldado da PM – 21/09/70 – SP
Morto em Santo André. Quando de serviço em uma rádio-patrulha, tentou deter terroristas que ocupavam um automóvel.
34) Autair Macedo – Guarda de segurança – 22/09/70 – RJ
Morto por terroristas, durante assalto à empresa de ônibus Amigos Unidos
35) Garibaldo de Queiroz – Soldado PM – 10/11/70 – SP
36) José Aleixo Nunes – soldado PM – 10/11/70 – SP
Mortos em confronto com terroristas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que faziam uma panfletagem armada na Vila Prudente, São Paulo.
37) Hélio de Carvalho Araújo – Agente da Polícia Federal – 10/12/70 – RJ
No dia 07/12, o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, foi sequestrado pela VPR. Participaram da operação os terroristas Adair Gonçalves Reis, Gerson Theodoro de Oliveira, Maurício Guilherme da Silveira, Alex Polari de Alverga, Inês Etienne Romeu, Alfredo Sirkis, Herbert Eustáquio de Carvalho e Carlos Lamarca. Após interceptar o carro que conduzia o Embaixador, Carlos Lamarca bateu com um revólver Smith-Wesson, cano longo, calibre 38, no vidro do carro. Abriu a porta traseira e, a uma distância de dois metros, atirou duas vezes contra o agente Hélio. Os terroristas levaram o embaixador e deixaram o agente agonizando. Transferido para o hospital Miguel Couto, morreu no dia 10/12/70.
38) Américo Cassiolato – Soldado PM – 12/02/71 – São Paulo.
Morto por terroristas em Pirapora do Bom Jesus.
39) Djalma Peluci Batista – Soldado PM – 8/03/71 – Rio de Janeiro.
Morto por terroristas, durante assalto ao Banco do Estado do Rio de Janeiro.
40) Manoel da Silva Neto – Soldado PM – 10/05/71 – SP.
Morto por terroristas durante assalto à Empresa de Transporte Tusa.
41) Nelson Martinez Ponce – Cabo PM – 1/11/71 – SP.
Metralhado por Aylton Adalberto Mortati durante um atentado praticado por cinco terroristas do MOLIPO (Movimento de Libertação Popular) contra um ônibus da Empresa de Transportes Urbano S/A, em Vila Brasilândia, São Paulo
42) João Campos – Cabo PM – 10/11/71 – SP.
Morto na estrada de Pindamonhangaba, ao interceptar um carro que conduzia terroristas armados.
43) José Amaral Vilela – Guarda de segurança – 22/11/71 – RJ.
Neste dia, os terroristas Sérgio Landulfo Furtado, Norma Sá Ferreira, Nelson Rodrigues Filho, Paulo Roberto Jabour, Thimothy William Watkin Ross e Paulo Costa Ribeiro Bastos assaltaram um carro-forte da firma Transfort, na Estrada do Portela, em Madureira.
44) Eduardo Timóteo Filho – Soldado PM – 27/11/71 – RJ.
Morto por terroristas, durante assalto contra as Lojas Caio Marti.
45) Hélio Ferreira de Moura – Guarda de Segurança – 13/12/71 – RJ.
Morto, por terroristas, durante assalto contra um carro transportador de valores da Brinks, na Via Dutra.
46) Tomaz Paulino de Almeida – Sargento PM – 18/01/72 – São Paulo/SP.
Morto a tiros de metralhadora no bairro Cambuci quando um grupo terrorista roubava o seu carro. Autores do assassinato: João Carlos Cavalcante Reis, Lauriberto José Reyes e Márcio Beck Machado, todos integrantes do Molipo.
47) Sylas Bispo Feche – Cabo PM - 20/01/72 – São Paulo/SP.
O cabo Sylas Bispo Feche integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército. Sua equipe executava uma ronda quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo. A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado. Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi metralhado. Dois terroristas, membros da ALN, morreram.
48) Luzimar Machado de Oliveira – Soldado PM – 15/02/72 – Goiás.
O terrorista Arno Preiss encontrava-se na cidade de Paraíso do Norte, que estava incluída no esquema de trabalho de campo do MOLIPO. Usava o nome falso de Patrick McBundy Comick. Arno tentou entrar com sua documentação falsa no baile carnavalesco do clube social da cidade. Sua documentação levantou suspeita nos policiais, que o convidaram a comparecer à delegacia local. Ao deixar o clube, julgando-se desmascarado, Arno sacou seu revólver e disparou à queima roupa contra os policiais, matando o PM Luzimar Machado de Oliveira e ferindo gravemente o outro PM que o conduzia, Gentil Ferreira Mano. Acabou morto.
49) Benedito Monteiro da Silva – Cabo PM – 18/02/72 – São Paulo.
Morto quando tentava evitar um assalto terrorista a uma agencia bancária em Santa Cruz do Rio Pardo.
50) Rosendo – Sargento PM – 2/06/72 – São Paulo.
Morto ao interceptar 4 terroristas que assaltavam um bar e um carro da distribuidora de cigarros Oeste Ltda.
51) Mário Domingos Panzarielo – Detetive da Polícia Civil – 9/09/72 – RJ.
Morto ao tentar prender um terrorista da ALN.
52) Octávio Gonçalves Moreira Júnior – Delegado de polícia – 25/02/73 – SP.
Na tentativa de intimidar os órgãos de repressão, um “tribunal popular revolucionário” decidiu “justiçar” um membro do DOI/CODI/II Exército. O escolhido foi o policial civil.
53) Geraldo José Nogueira – Soldado PM - 10/04/74 – São Paulo.
Morto em uma operação de captura de terroristas.

13 abril 2012

COMUNISMO - HISTÓRIA DE UMA ILUSÃO - Parte 1


Comunismo - História de uma Ilusão - Parte 2


Comunismo - História De Uma Ilusão - Parte 3

09 abril 2012


A MENTALIDADE REVOLUCIONÁRIA
Segundo Olavo de Carvalho, a mente revolucionária tem 3 características essenciais:

A inversão da percepção do tempo
As pessoas normais consideram que o passado é algo imutável e que o futuro é algo de contingente ― “o passado está enterrado e o futuro a Deus pertence”, diz o senso-comum.
A mente revolucionária não raciocina desta forma: para ela, o futuro utópico é um objetivo que será inexoravelmente atingido ― o futuro utópico é uma certeza; não pode ser mudado.
Por outro lado, a mente revolucionária considera que o passado pode ser mudado (e ferozmente denunciado!) através da reinterpretação da História por via do desconstrucionismo ideológico (Nietzsche → Gramsci → Heidegger → Sartre → Foucault → Derrida → Habermas). Em suma: o futuro é uma certeza e o passado uma contingência ― isto é, o reviralho total.


A inversão da moral
Em função da crença num futuro utópico dado como certo e determinado, em direção ao qual a sociedade caminha sem qualquer possibilidade de desvio, a mente revolucionária acredita que esse futuro utópico inexorável é isento de “mal” ― esse futuro será perfeito, isento de erros humanos. Por isso, em função desse futuro utópico certo e dado como adquirido, todos os meios utilizados para atingir a inexorabilidade desse futuro estão, à partida, justificados. Trata-se de uma moral teleológica: os fins justificam todos os meios possíveis.


A inversão do sujeito/objeto
A culpa dos atos de horror causados pela mente revolucionária é sempre das vítimas, porque estas não compreenderam as noções revolucionárias que levariam ao inexorável futuro perfeito e destituído de qualquer “mal”. As vítimas da mente revolucionária não foram assassinadas: antes suicidaram-se, e a ação da mente revolucionária é a que obedece sem remissão a uma verdade dialética imbuída de uma certeza científica que clama pela necessidade desse futuro sem “mal” ― portanto, a ação da mente revolucionária é impessoal, isenta de culpa ou de quaisquer responsabilidades morais ou legais nos atos criminosos que comete.
Segundo a mente revolucionária, as pessoas assassinadas por Che Guevara ou por Hitler foram elas próprias as culpadas da sua morte (suicidaram-se), por se terem recusado a compreender a inexorabilidade do futuro sem “mal” de que os revolucionários seriam simples executores providenciais.


Ele explica bem sua tese em uma palestra em Bucareste, Romênia, proferida em junho de 2011, no instituto "Investigare a Crimelor Comunismului". O vídeo é editado, suprimindo a tradução para o público romeno.

Parte 1.2


Parte 2.2



A TRADIÇÃO REVOLUCIONÁRIA - 1
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 14 de julho de 2011  

O dado mais importante da história mundial desde há mais de dois séculos é também, por força de sua onipresença mesma, o mais freqüentemente negligenciado – quando não totalmente ignorado – pelo comentário político usual.
Esse dado é o seguinte: o movimento revolucionário é a única tradição de pensamento político-estratégico que tem uma existência contínua e um senso de unidade orgânica desde pelo menos o século XVIII. Todas as correntes adversárias são efusões parciais, locais, temporárias e inconexas.
A marcha avassaladora do pensamento revolucionário é como uma enchente que não se defrontasse pelo caminho senão com velhos pedaços de muro erguidos a esmo, um aqui, outro ali, em toda a extensão de uma planície aberta.
A unidade da tradição revolucionária não consiste, é claro, de uma coerência em bloco, de um acordo universal em torno de princípios explícitos, tal como se tentou criar na URSS sob o nome de “marxismo-leninismo”. Ao contrário, existem no seio dela antagonismos profundos, talvez insanáveis, que com freqüência se exteriorizam em lutas sangrentas. O que caracteriza a sua unidade é que toda a multidão das suas correntes e facções compõe um patrimônio comum do qual os intelectuais revolucionários estão conscientes e que alimenta, de geração em geração, os debates dos partidos e organizações revolucionárias.
Nenhum intelectual revolucionário que se preze pode se dar o luxo de ignorar as variedades internas do movimento, nem as mais remotas e insignificantes, nem as que lhe pareçam extravagantes, estéreis, desprezíveis ou abomináveis. Até mesmo entre as facções mais hostis do movimento revolucionário, como o fascismo e o comunismo, o diálogo foi intenso, não só no campo das idéias, mas no da estratégia e da tática. Josef Stálin enxergava o corpo inteiro do nazifascismo como uma peça bem integrada dos seus planos de dominação mundial, manobrando-o para seus próprios fins mediante a alternância maquiavélica de apoio estratégico e combate mortal (v. Viktor Suvorov, Iceberg. Who Started the Second World War?, Bristol, UK, Pluk Publishing, 2009).
Nada de semelhante observou-se jamais na “direita”. Entre as suas facções e divisões reina a mais incompreensiva hostilidade, quando não aquele desprezo olímpico que torna a ignorância mútua uma espécie de dever. Só para dar um exemplo mais flagrante, até hoje não foi possível nenhum diálogo entre a direita americana e a européia, que se movem em esferas epistemológicas e semânticas incomunicáveis. Um fator complicante é acrescentado pelo fato de que muitos movimentos soi disant reacionários ou conservadores só o eram no seu discurso de auto-justificação ideológica: na prática, erguendo utopia contra utopia, acabavam se integrando no próprio movimento revolucionário que alegavam combater. De nada adiantou, nisso, a advertência antecipada de Joseph de Maistre: “Não precisamos de uma contra-revolução, mas do contrário de uma revolução". Os movimentos contra-revolucionários, nos quais tantos reacionários e conservadores apostaram suas belas esperanças, nunca passaram da ala direita do processo revolucionário, fortalecendo-o na medida mesma em que imaginavam debilitá-la.
Até hoje, todas as reações que se oferecem ao movimento revolucionário são apenas pontuais, reagindo às suas manifestações particulares e esgotando-se em combates periféricos que deixam incólume o coração do monstro. É como se cada conservador, reacionário, liberal, cristão tradicionalista ou judeu ortodoxo só se desse conta da malignidade do processo revolucionário quando este fere os valores que são caros à sua pessoa ou comunidade, sem reparar na infinidade de outros pontos de ataque em torno de bolsões de resistência dispersos, onde franco-atiradores oferecem uma obstinada e vã resistência parcial a um cerco geral e multilateral.
Para complicar um pouco mais as coisas, o movimento revolucionário é uma entidade protéica, infinitamente adaptável às mais variadas circunstâncias, de tal modo que lhe é sempre possível absorver em seu proveito, reinserindo-as dialeticamente na sua estratégia geral, todas as bandeiras de luta parciais e isoladas, levantadas aqui e ali por adversários que só o enxergam por partes e fragmentos. Isso faz dos governos revolucionários os dominadores absolutos da “desinformação estratégica”, onde há pelo menos um século vêm realizando as proezas mais espetaculares, reduzindo seus adversários à condição de “idiotas úteis” a serviço de planos que transcendem infinitamente seus horizontes de consciência. Na medida em que essas derrotas e humilhações do campo reacionário se sucedem e se acumulam, formando um patrimônio negativo considerável, mais forte é a tendência de negar os fatos deprimentes mediante um discurso de auto-lisonja triunfal perfeitamente ilusório, recobrindo a ação revolucionária com novas e novas camadas de invisibilidade protetora.
Os políticos e os serviços de inteligência dos EUA continuam se gabando de que “venceram a Guerra Fria”, quando tudo o que conseguiram foi aumentar consideravelmente o poder mundial da KGB – inclusive dentro do território americano –, servindo de instrumentos para a realização de planos traçados já desde os anos 40 por Lavrenti Beria para ampliar o raio de ação do movimento revolucionário por meio de um simulacro de auto-desmantelamento do Estado comunista.
Note-se que Beria não foi nem mesmo pioneiro no uso desse artifício. Em 1921, Lênin conseguiu persuadir os governos, os serviços secretos e os investidores ocidentais de que o comunismo recém-implantado na Rússia estava em vias de extinção e ia ser em breve substituído por um sistema capitalista democrático. Com isso, não só obteve os capitais de que necessitava para consolidar o regime comunista, mas também se livrou de milhares de opositores exilados, que, persuadidos a voltar à Rússia para lutar contra o regime alegadamente moribundo, foram aprisionados e assassinados tão logo desembarcaram em território russo (v. Edward Jay Epstein, Deception. The Invisible War between the KGB and the CIA, New York, Simon & Schuster, 1989, pp. 22-30).
Esse vexame colossal parece não ter ensinado nada aos serviços de “inteligência” Ocidentais, que vêm caindo no engodo de novo e de novo, com a solicitude mecânica de cães de Pavlov, sem jamais admitir que foram enganados.
Na II Guerra, novamente foram feitos de otários, despejando ajuda bilionária nos cofres de Stalin porque acreditaram que a URSS era a vítima desprevenida de um ataque alemão, quando o fato era que o governo soviético, além de instigar e apoiar em segredo os nazistas para que desencadeassem uma guerra mundial, já havia começado ele próprio a guerra antes de Hitler, atacando os países neutros que separavam a URSS da Alemanha e assim preparando a invasão da Europa, que deveria seguir-se aos primeiros e aparentes sucessos do Exército alemão no Ocidente. O dinheiro americano praticamente criou o parque industrial soviético, que até hoje é enaltecido na Rússia como realização pessoal de Stalin.
O mais admirável em tudo isso foi que o plano concebido por Stalin para usar os alemães como “navio quebra-gelo da Revolução” não eram nem mesmo secretos. Foram alardeados mil vezes em documentos oficiais e no Pravda, sem que os líderes e os serviços de inteligência das democracias ocidentais conseguissem ver neles nada mais que efusões verbais de patriotismo inócuo. Quando terminou a guerra, a URSS saíra definitivamente do seu isolamento e se tornara a potência mundial que dominava, com a força de seus exércitos de ocupação e governos locais títeres, metade da Europa, precisamente como Stálin vinha anunciando desde os anos 30.


A TRADIÇÃO REVOLUCIONÁRIA - 2
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 15 de julho de 2011  

Os efeitos da hegemonia revolucionária são visíveis por toda parte. Não faltam exemplos mais perto de nós. O “Plano Colômbia”, de Bill Clinton, fornecendo ajuda ao governo colombiano para o combate ao narcotráfico sob a condição de que “não tocasse nas organizações políticas”, serviu apenas para, desmantelando os antigos cartéis, dar às FARC o monopólio do comércio de drogas na América Latina, fazendo daquela incipiente organização guerrilheira uma potência de dimensões continentais e o sustentáculo financeiro do Foro de São Paulo, que, hoje, domina doze países latino-americanos e vai rapidamente estendendo seus tentáculos por todos os outros. Ao mesmo tempo, o plano serviu de pretexto para que as mesmas FARC desencadeassem uma violenta campanha de publicidade contra a “agressão americana” personificada no mesmo plano. Dialeticamente, não há contradição nenhuma em beneficiar-se da ajuda recebida e usá-la como instrumento de propaganda contra o desastrado benfeitor. Muitos críticos do movimento revolucionário dizem horrores do “pensamento duplo” que o inspira, mas raramente entendem que, por trás de uma aparente contradição lógica, se esconde uma ação de mão dupla inteiramente racional do ponto de vista prático.
Por mais chocante que pareça, esse exemplo é rigorosamente nada em comparação com as grandes operações de desinformação estratégica com que o velho governo soviético conseguia - e o atual governo russo ainda consegue - fazer seus adversários trabalharem para ele, realizando integralmente o ideal de Sun-tzu, segundo o qual a mais brilhante das vitórias se obtém sem combate, moldando à distância as decisões do governo inimigo por meio de um bem calculado fluxo de informações entre verdadeiras e falsas.
Outro caso notável foi a facilidade com que a desinformação soviética, apelando à confiança dos americanos na invulnerabilidade das suas instituições democráticas e agitando na sua frente o fantasma da “perseguição macartista” (em cuja realidade a mídia e o establishment continuam acreditando até hoje), logrou bloquear investigações decisivas sobre a penetração comunista nas altas esferas do governo de Washington, só para que, quarenta anos depois, a abertura dos arquivos de Moscou viesse a confirmar, tarde demais, as piores suspeitas do senador Joe McCarthy, com a única diferença de que os infiltrados não eram dezenas, como ele supunha, mas sim milhares.
Duas décadas atrás, a diplomacia chinesa, repetindo o truque que Lênin já aplicara aos investidores europeus em 1921 conseguiu convencer políticos e empresários americanos de que a abertura para a economia de mercado traria automaticamente a liberalização do regime. Mesmo após o massacre da Praça da Paz Celestial os sábios de Washington continuaram afirmando anestesicamente que “a China estava no bom caminho”. Com toda a evidência, o instrumento de desinformação utilizado no caso foi uma das crenças mais queridas dos liberais e conservadores: o nexo de implicação recíproca entre liberdade econômica e liberdade política.
O sucesso dos mais espetaculares ardis de desinformação estratégica postos em prática pelos governos revolucionários seria, no entanto, impossível sem a hegemonia cultural e psicológica de que o movimento revolucionário desfruta em escala mundial. Hegemonia cultural significa ser o controlador dos pressupostos embutidos no pensamento do adversário, de tal modo que o trabalho dos agentes envolvidos numa operação concreta de desinformação estratégica se reduz ao mínimo. Quando o agente de desinformação trabalha num ambiente já antecipadamente preparado pela hegemonia cultural, ele pode controlar facilmente as reações do adversário sem precisar abusar dos expedientes usuais da espionagem que tornariam a sua ação mais visível, mais material. Por isso o velho Willi Münzenberg chamava essas operações de “criação de coelhos”: basta juntar um discreto casal de bichinhos e contar com a propagação automática dos efeitos esperados. Uma ação clássica do tipo “medidas ativas” pode ser investigada e denunciada pelos meios usuais dos serviços de inteligência, mas uma operação fundada em prévia hegemonia cultural pode tornar-se tão evanescente que qualquer tentativa de denunciá-la acabe assumindo as aparências da mais louca “teoria da conspiração”. Por isso é que Antonio Gramsci qualificava a influência do partido revolucionário, quando escorada na hegemonia cultural, de “um poder onipresente e invisível”. Tanto mais invisível quanto mais onipresente.
Enquanto o movimento revolucionário se move com a destreza alucinante de uma dialética capaz de absorver e aproveitar todas as contradições, as elites ocidentais, nominalmente liberais ou conservadoras, se apegam a uma lógica linear de tipo positivista que, quando não encontra um elo material de causa e efeito escancaradamente visível, acredita que nada está acontecendo.
Os filósofos escolásticos ensinavam que, para agir, é preciso antes existir. A existência, por sua vez, pressupõe unidade e continuidade. Um ser dividido em pedaços, desprovido de vida unitária, não é de maneira alguma um ser: é uma ilusão fantasmal que se agita no ar por instantes, deixando livre o espaço histórico para a ação do ser genuíno.
Não há nenhum exagero em dizer que o movimento revolucionário mundial é a única força política que conta para alguma coisa na história do mundo. Enquanto seus adversários não o perceberem como unidade, nada poderão contra ele. Lutando contra uma de suas alas, acabarão servindo a alguma outra, como tem acontecido invariavelmente. No fim das contas, toda a política mundial corre o risco de acabar se reduzindo a um leque de conflitos internos do movimento revolucionário. Se e quando isso acontecer, não será excesso de pessimismo anunciar o início de mil anos de trevas.


A TRADIÇÃO REVOLUCIONÁRIA - 3
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 18 de julho de 2011  

A monstruosa superioridade do movimento revolucionário ante seus adversários de todos os matizes não se limita, é claro, ao campo da desinformação estratégica. Nada se compara à sua capacidade de mobilização de massas em qualquer país do mundo, quando não em todos eles, e em tempo quase instantâneo. Dois exemplos clássicos:


(1) A guerrilha de Chiapas, que, derrotada mil vezes no terreno militar, acabava obtendo tudo o que queria no campo político, graças aos protestos que se seguiam imediatamente, em dezenas de países, a cada vitória do governo mexicano.
(2) As manifestações populares que se seguiram em prazo recorde ao atentado mortífero de dezembro de 2003 na Espanha, voltadas, não contra os terroristas, mas contra... o governo espanhol.


Nesses episódios, como em centenas de outros, salta aos olhos a articulação do movimento revolucionário, unificando terrorismo, desinformação e protestos de massa. A invulnerabilidade política da guerrilha de Chiapas serviu de modelo para o estudo The Advent of Netwar, de John Arquilla e David F. Ronfeldt, publicado pela Rand Corporation, que pode ser descarregado do site http://www.rand.org/publications/MR/MR789/, que pioneiramente descreveu a nova estrutura “em redes”, infinitamente mais eficaz, que havia substituído a velha hierarquia monolítica dos partidos revolucionários. A mobilização instantânea dessa rede colocava o governo mexicano numa luta inglória contra um inimigo evanescente, “onipresente e invisível”, que nenhuma força armada poderia jamais controlar. (V. o meu artigo “Em plena guerra assimétrica”, DC, 24 de julho de 2006, http://www.olavodecarvalho.org/semana/060724dc.html).
O caso espanhol ilustra ainda mais claramente a força da hegemonia cultural como preparação do terreno para grandes operações que articulam desinformação e protestos de massa. Ante a brutalidade dos atentados, um governo conservador intoxicado e enfraquecido por temores “politicamente corretos”, plantados na mente da classe dominante com décadas de antecedência, sentiu-se inibido de ferir suscetibilidades islâmicas e preferiu, num primeiro momento, atribuir o crime ao ETA, a guerrilha basca. Em menos de vinte e quatro horas a massa organizadíssima, claramente preparada de antemão, estava nas ruas protestando contra a ineficiência do governo em localizar os verdadeiros culpados. Foi o fim do gabinete conservador (v. meu artigo “Exemplo didático”, Jornal da Tarde, 25 de março de 2004, http://www.olavodecarvalho.org/semana/040325jt.htm).
Por favor, pensem um pouco e respondam: existe no mundo alguma articulação direitista, conservadora ou reacionária habilitada a brincar assim de gato e rato com os governos revolucionários como estes fazem com todos os demais governos?

Vejam só o caso da Rússia: com o seu contingente duplicado, a KGB conta, hoje em dia, com milhares de pseudópodos espalhados pelo mundo, operando legalmente sob o disfarce de bancos, indústrias, firmas de consultoria, o diabo; tem ademais a seu serviço a máfia russa, que desde o começo dos anos 90 possui o domínio sobre todas as grandes redes criminosas do mundo, da Sibéria à Venezuela e à Colômbia (v. Claire Sterling, Thieves' World: The Threat of the New Global Network of Organized Crime, New York, Simon & Schuster, 1994, bem como Helène Blanc e Renata Lesnik, L’Empire de Toutes les Mafias, Paris, Presses de la Cité, 1998), mais o terrorismo islâmico que é criatura sua (v. Ion Mihai Pacepa, “The Arafat I Knew” em http://www.weizmann.ac.il/home/comartin/israel/pacepa-wsj.html) e todos os movimentos revolucionários militantes do mundo, agora unidos a ela por laços cada vez mais complexos e difíceis de rastrear. 

Que poder, no mundo, jamais se organizou para enfrentar uma coisa dessas? Por favor, não caiam no ridículo de mencionar a CIA, organização incomparavelmente menor, cuja inermidade ante essa máquina infernal já se comprovou centenas de vezes.
Para piorar ainda mais as coisas, resta o fato de que a elite econômica ocidental, que uma opinião pública boboca pode ainda imaginar empenhada em defender a democracia e a liberdade, há muitas décadas já se deixou seduzir pela proposta de “governo mundial”, que traz as marcas inconfundíveis do ideal revolucionário: um projeto de sociedade hipotética a ser realizado mediante a concentração do poder. Concentração aliás muito mais densa que aquela prevista em qualquer dos projetos revolucionários anteriores, já que baseada no total controle da psicologia das massas por uma elite de “engenheiros comportamentais” iluminados (v. Pascal Bernardin, Machiavel Pédagogue – Ou le Ministère de la Réforme Psychologique, Éd. Notre-Dame des Grâces, 1995). A convergência desse projeto com a utopia socialista é tão acentuada que, nos países ocidentais, a KGB não precisa gastar um tostão para promover a demolição “politicamente correta” da moral e das instituições: o serviço é feito inteiramente sob os auspícios da elite globalista bilionária, em cuja vanguarda se destacam George Soros e a família Rockefeller.
O segredo da hegemonia revolucionária é simples: continuidade e intensidade do debate interno. Em qualquer conflito, cruento ou incruento, o contendor que dura mais é, por definição, o vencedor. O clássico simbolismo chinês já representava o poder ativo, soberano, por uma linha contínua, a passividade por uma linha quebrada. A fragilidade das resistências que se opõem ao avanço revolucionário advém do fato de que mesmo as entidades mais antigas, mais aptas, portanto, a sustentar objetivos de longo prazo, como a Igreja Católica, a Casa Real Britânica, a comunidade judaica, a Maçonaria ou mesmo o governo americano, têm suas finalidades próprias, distintas e limitadas, só ocasionalmente e pontualmente entrando em disputa direta com o movimento revolucionário na luta pelo poder mundial que é, para ele, o objetivo constante e o foco unificador de todos os seus esforços. A visão que essas entidades têm do processo revolucionário é acidental e quebradiça. É nos intervalos dessa linha descontínua que o movimento revolucionário se insinua, utilizando para seus próprios fins as energias daqueles que teriam tudo para ser seus mais eficientes e temíveis adversários.


A TRADIÇÃO REVOLUCIONÁRIA - 4
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 25 de julho de 2011  

Para encerrar estas breves explicações, só faltam duas coisas: dar um exemplo concreto, entre milhares de outros possíveis, da continuidade histórica da ação revolucionária, e esclarecer – como me pedem alguns leitores – o conceito de “movimento revolucionário mundial”.
O exemplo trará por si mesmo um começo de esclarecimento.
Escrevendo em 12 de junho de 1883 a Eduard Bernstein, Friedrich Engels dizia que era preciso induzir os inimigos da revolução a “fazer-se uns aos outros em pedaços, moer-se uns aos outros até virarem pó, assim pavimentando o caminho para nós”.
Decorridos quarenta e tantos anos, a proposta ressurge na boca de Lênin, mas agora já não como mera idéia e sim como estratégia pronta para aplicação imediata. Tendo a experiência da guerra imperialista entre as potências européias como condição preparatória do levante revolucionário, mas vendo que os resultados obtidos tinham sido apenas parciais, com a instauração do socialismo num só país, ele se pergunta em 1916 o que é necessário para que a revolução volte a eclodir, mas desta vez em escala mundial. E a resposta que ele dá é inequívoca: precisamos de “uma segunda guerra imperialista”.
Hoje sabe-se, com certeza histórica suficiente, que a sugestão não caiu no vazio, mas foi levada à prática, com destreza quase mágica, pela política externa de Stálin. Estimulando em segredo as ambições imperialistas de Hitler ao mesmo tempo que promovia nas democracias ocidentais uma violenta campanha antinazista, Stálin conseguiu induzir as grandes potências a “fazer-se umas às outras em pedaços”, pavimentando o caminho para a ocupação de meia Europa pelas tropas soviéticas, o que era o seu plano desde o começo.
Entre a carta de Engels e a eclosão da II Guerra Mundial passaram-se seis décadas. Nesse ínterim, o que era apenas uma possibilidade teórica transformou-se num plano de ação e numa estratégia de efeitos avassaladores. Essa transformação só foi possível porque, ao longo de quatro gerações, os revolucionários comunistas não cessaram de meditar e remeditar os mesmos textos, sempre com o propósito de transmutar a teoria em prática e de enriquecer a teoria com os resultados da prática.
Essa continuidade, porém, vai muito além da evolução interna do movimento comunista stricto sensu. Thomas Münzer, Maquiavel ou o marquês de Sade nunca foram comunistas nem membros de um partido que não existia no seu tempo. Eram revolucionários no sentido mais genérico do termo. Mas quem pode negar a força que o movimento comunista adquiriu ao absorver suas doutrinas, transmutando-as em ferramentas estratégico-táticas pelos bons préstimos de Ernst Bloch, Antonio Gramsci e Jean-Paul Sartre?
Nem sempre o material absorvido vem da mesma facção revolucionária. A linha nacionalista-romântica do início do século XIX, que deu origem ao fascismo e que muitos revolucionários internacionalistas e materialistas chegaram a condenar como reacionária, acabou se integrando muito bem na cultura comunista através da interpretação que lhe deu o filósofo marxista húngaro Georg Lukacs. Sem isso, florescimentos posteriores como a “teologia da libertação” não teriam sido possíveis.
Do mesmo modo, as lições de Lênin se transformaram num modelo para a criação do movimento fascista italiano.
Às vezes a substância a ser transmutada vem de fonte estranha. O Dr. Freud, um conservador que desprezava o socialismo, estava bem consciente do potencial explosivo das suas teorias, mas não poderia imaginar a facilidade com que, através de Wilhelm Reich, essa força anárquica viria a ser integrada e enquadrada no arsenal do movimento comunista.
A unidade histórica da revolução não é a unidade formal e burocrática de uma “organização”, de um “partido”, mas a unidade viva e móvel de uma “tradição” que, ao longo dos tempos, vai tudo absorvendo e transmutando em instrumento de poder, aumentando incessantemente a força de giro de um “movimento” que, não podendo levar a parte alguma, tem o seu próprio incremento ilimitado como única finalidade e justificação da vida humana.
Onde quer que se veja uma idéia, uma doutrina, um símbolo ser transfigurado em meio de ação política com vistas à concentração do poder para a “transformação do mundo”, ali está presente a unidade do movimento revolucionário mundial, para além de todas as divergências partidárias e ideológicas.
Ao longo do tempo, essa unidade, de início nebulosa e meramente potencial, vai se tornando mais clara aos próprios revolucionários. A confraternização de gayzistas, feministas, comunistas, radicais islâmicos, neonazistas, socialdemocratas e tutti quanti, que hoje reúne facções antes hostis num front mundial contra as democracias ocidentais e o cristianismo, é o resultado de um longo processo de incorporação no qual o movimento revolucionário realiza sua unidade à medida que a percebe, e a percebe à medida que a realiza.
A UTOPIA SUFOCA A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE
Gustavo Ioschpe

Um dos males que assolam nossa educação é a esperança vã de pensadores e legisladores de que uma escola que mal consegue ensinar o básico resolva todos os problemas sociais e éticos do país. Eles criaram um sistema com um currículo imenso, sistemas de livros didáticos em que o objetivo até das disciplinas científicas é formar um cidadão consciente e tolerante. Responsabilizaram a escola pela formação de condutas que vão desde a preservação do meio ambiente até os cuidados com a saúde; instituíram cotas raciais e forçaram as escolas a receber alunos com necessidades especiais. A agenda maximalista seria uma maneira de sanar desigualdades e corrigir injustiças. O Brasil deveria questionar essa agenda.
Primeira pergunta: nossas escolas conseguem dar conta desse recado? A resposta é, definitivamente, não. Estão aí todas as avaliações nacionais e internacionais mostrando que a única igualdade que nosso sistema educacional conseguiu atingir é ser igualmente péssimo. Copiamos o ponto final de programas adotados nos países europeus sem termos passado pelo desenvolvimento histórico que lhes dá sustentação.
Segunda pergunta: esse desejo expansionista faz bem ou mal ao nosso sistema educacional? Será um caso em que mirar no inatingível ajuda a ampliar o alcançável ou, pelo contrário, a sobrecarga faz com que a carroça se mova ainda mais devagar? Acredito que seja o último. Por várias razões. A primeira é simplesmente que essas demandas todas tornam impossível que o sistema tenha um foco. Perseguir todas as ideias que aparecem -- mesmo que sejam todas nobres e excelentes -- é um erro. Infelizmente, a maioria dos nossos intelectuais e legisladores não tem experiência administrativa, e acredita ser possível resolver qualquer problema criando uma lei. No confronto entre intenções e realidade, a última sempre vence. A segunda razão para preocupação é que, com uma agenda tão extensa e bicéfala -- formar o cidadão virtuoso e o aluno de raciocínio afiado e com conhecimentos sólidos --, sempre é possível dizer que uma parte não está sendo cumprida porque a prioridade é a outra: o aluno é analfabeto, mas solidário, entende? (Com a vantagem de que não há nenhum índice para medir solidariedade.) E, finalmente, porque quando as intenções ultrapassam a capacidade de execução do sistema o que ocorre é que o agente -- cada professor ou diretor -- vira um legislador, cabendo a ele o papel de decidir quais partes das inatingíveis demandas vai cumprir. Uma medida que deveria estimular a cidadania tem o efeito oposto: incentiva o desrespeito à lei, que é a base fundamental da vida em sociedade.
As aulas de ciências e as de português e matemática são as que vão fazer diferença positiva na vida dos jovens quando eles chegarem ao mercado
Terceira pergunta: mesmo que todas essas nobres intenções fossem exequíveis, sua execução cumpriria as aspirações de seus mentores, construindo um país menos desigual? Eu diria que não apenas não cumpriria esses objetivos como iria na direção oposta. Deixe-me dar um exemplo com essas novas matérias inseridas no currículo do ensino médio -- música, sociologia e filosofia. A lógica que norteou a decisão é que não seria justo que os alunos pobres fossem privados dos privilégios intelec-tuais de seus colegas ricos. O que não é justo, a meu ver, é que a adição dessas disciplinas torna ainda mais difícil para os pobres se equiparar aos alunos mais ricos nas matérias que realmente vão ser decisivas em sua vida. A desigualdade entre os dois grupos tende a aumentar. A triste realidade é que, por viverem em ambientes mais letrados e com pais mais instruídos, alunos de famílias ricas precisam de menos horas de instrução para se alfabetizar. É pouco provável que um aluno rico saia da 1ª série sem estar alfabetizado, enquanto é muito provável que o aluno pobre chegue ao 3º ano nessa condição. O aluno rico pode, portanto, se dar ao luxo de ter aula de música. Para nivelar o jogo, o aluno pobre deveria estar usando essas horas para se recuperar do atraso, especialmente nas habilidades basilares: português, matemática e ciências. É o domínio dessas habilidades que lhe será cobrado quando ingressar na vida profissional. Se esses pensadores querem a escola como niveladora de diferenças, se a diferença que mais impacta a qualidade de vida das pessoas é a de renda, e se a fonte principal de renda é o trabalho, então precisamos de um sistema educacional que coloque ricos e pobres em igualdade de condições para concorrer no mercado de trabalho. O que, por sua vez, presume uma educação desigual entre pobres e ricos, fazendo com que a escola dê aos primeiros as competências intelectuais que os últimos já trazem de casa. Estou argumentando baseado em uma lógica supostamente de esquerda (digo supostamente porque, nesse caso, é transparente que as boas intenções dos revolucionários de poltrona só aprofundam as desigualdades que eles pretendem diminuir).
O mercado de trabalho valoriza mais as habilidades cognitivas e emocionais não porque os nossos empregadores sejam mesquinhos, mas porque, em um mercado competitivo, precisam remunerar seus trabalhadores de acordo com sua produtividade. Essa é a lógica inquebrantável do sistema de livre-iniciativa. Não adianta pedir ao gerente de recursos humanos que seja “solidário” na hora da contratação e leve em conta que os candidatos à vaga vêm de origens sociais diferentes, porque, se o recrutador selecionar o funcionário menos competente, o mais certo é que em breve ambos estejam solidariamente no olho da rua. Não conheço nenhum estudo que demonstre o impacto de uma educação filosoficamente inclusiva sobre o bem-estar das pessoas. Mas há vários estudos empíricos sobre a desigualdade no Brasil. O que eles informam é assustador: o fator número 1 na explicação das desigualdades de renda é, de longe, a desigualdade educacional (disponíveis em twitter.com/gioschpe). Ao criarmos uma escola sobrecarregada com a missão de não apenas formar o brasileiro do futuro mas corrigir as desigualdades de 500 anos de história, nós nos asseguramos de que ela se tornará um fracasso. A escola não pode fracassar, pois é a alavanca de salvação do Brasil.
O tipo de escola pública que queremos é uma discussão em última instância política, e não técnica. É legítimo, embora estúpido, que a maioria dos brasileiros prefira uma educação que fracasse em ensinar a tabuada mas ensine bem a fazer um pagode. Acrescento apenas uma indispensável condição: que a população seja informada, de modo claro e honesto, sobre as consequências de suas escolhas. Quais as perdas e os ganhos de cada caminho. O que é, aí sim, antidemocrático e desonesto é criar a ilusão de que não precisamos fazer escolhas, de que podemos tudo e de que conseguiremos obter tudo ao mesmo tempo, agora. Infelizmente, é exatamente isso que vem sendo tentado. Nossas lideranças se valem do abissal desconhecimento da maioria da população sobre o que é uma educação de excelência para vender-lhe a possibilidade do paraíso terreno em que professores despreparados podem formar o novo homem e o profissional de sucesso. Essa utopia, como todas as outras, acaba em decepção e atraso. Essa pretensa revolução, como todas as outras, termina beneficiando apenas os burocratas que a implementam.

08 abril 2012

O POLITICAMENTE CORRETO JÁ ENCONTROU A SUA "CONTRACULTURA"

ANARQUIA
Frank Miller (de seu blog pessoal)

Todo mundo está educado até demais sobre esse disparate:
O movimento “Ocupe”, esteja ele se mostrando em Wall Street ou nas ruas de Oakland (que, com covardia indescritível, o abraçou) é qualquer coisa menos um exercício de nossa abençoada Primeira Emenda. “Ocupe” não é nada além de um bando de imbecis, ladrões e estupradores, um rebanho de foras-da-lei, alimentado pela nostalgia da era de Woodstock e uma honradez falsa e pútrida. Esses palhaços não podem fazer nada além de prejudicar a América.
“Ocupe” não é nada exceto uma tentativa grosseira e mal-articulada de anarquia, na medida em que o “movimento” -- HAH! Grande “movimento”, exceto se a palavra “intestinal” vier junta -- não é nada mais do que uma manifestação de mau gosto de um bando de moleques mimados de iPhone e iPad que deveriam parar de atrapalhar as pessoas que trabalham e arrumar um emprego para eles mesmos.
Isso não é um levante popular. Isso é lixo. E Deus sabe que eles estão vomitando seu lixo -- tanto política quanto fisicamente -- de todas as maneiras que eles podem encontrar.
Acorde, gentalha. A América está em guerra contra um inimigo cruel.
Talvez, entre rodadas de autopiedade e todos os outros petiscos saborosos de narcisismo dos quais vocês têm se servido em seus mundinhos protegidos e confortáveis, vocês tenham ouvido termos como Al-Qaeda e Islamicismo.
E esse inimigo meu -- não seu, aparentemente -- deve estar casquinando à beça, se não estiver gargalhando até perder o fôlego, de seu espetáculo vão, infantil e autodestrutivo.
Em nome da decência, voltem para a casa de seus pais, seus perdedores. Voltem para os porões de suas mamães e joguem com seus Lordes do Warcraft.
Ou, melhor ainda, alistem-se pra valer. Talvez nossos militares possam colocar alguns de vocês em forma.
Entretanto, talvez eles não deixem vocês, bebezões, com seus iPhones. Tentem agir como soldados.
Otários!!!

Frank Miller é roteirista e desenhista de quadrinhos. Dentre suas obras mais famosas, estão “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, “300” e “Sin City”.
O VERDADEIRO CRISTO É MARX
Nelson Rodrigues
16 de abril de 1968

Nos momentos pânicos do Brasil, corro aos grã-finos. Bem os conheço. Têm uma fina sensibilidade histórica e, direi mesmo, um agudo faro profético. E, no último sábado, lá fui eu para um palácio no Alto da Boa Vista (o banheiro da dona da casa, todo em mármore e com bicas de ouro, é desses que exigem uma Paulina Bonaparte). Chego e caio nos braços do anfitrião. Qual um Bórgia obeso, ele me arrasta de convidado em convi­dado, fazendo as apresentações. Bem. já apertei todas as mãos presentes. E, então, ele me pergunta: — “Você não é marxista?”.
Alcei a fronte: — “Não sou marxista”. O Bórgia recua dois passos e avança outros dois, num desolado escândalo: — “Como pode? Como pode?”. E, de fato, em certas recepções, o não-marxista é olhado como se fosse uma girafa. O dono da casa atraca-se a mim, patético: — “Você tem de ser marxista!”. E, de olho rútilo e lábio trêmulo, repete o apelo: — “Seja marxista!”.
Aquela reunião tinha belas senhoras por toda parte. Eu próprio estou cercado de decotes. E, então, para me justificar e me absolver, falo de uma velha entrevista que fiz com o Otto Lara Resende, a quatro mãos. Lá está dito o óbvio, isto é, que falta a Marx a dimensão da morte. Em nenhum escrito marxista há uma linha, uma escassa linha sobre o nosso destino eterno. E, como Marx nos tirara a alma imortal, queríamos que ele a devolvesse.
Um dos decotes presentes tomou a palavra. Afirmou que, não sendo eu marxista, o meu teatro estaria mais obsoleto do que a primeira audição do “Danúbio azul”. O anfitrião secundou: — “Todo teatro moderno tem de ser marxista. Ou é marxista ou não é nem moderno, nem teatro”. Afastei-me um momento para largar o cigarro no cinzeiro. Quando voltei, o anfitrião falava para uma senhora, de belíssimo decote. Dizia ele, mais interessado no decote do que na luta de classes: — “Marx é tudo!”.
Houve uma concordância unânime (eu era a única e muda oposição). Durante duas ou três horas, Marx deixou de ser Marx e passou a ser “o velho”. E, quando as senhoras diziam “o velho”, havia um frêmito geral e voluptuosíssimo nos decotes. Foi então que arrisquei: — “O marxismo é o ópio do povo”. Fiz a frase, sem lhe acrescentar um ponto de exclamação. A coisa saiu em tom modesto e, mesmo, tímido. Tive o cuidado de evitar qualquer ênfase. Todavia, percebi, imediatamente, a minha inconveniência brutal. Ninguém disse nada; e esse mudo horror me agrediu mais do que um soco na cara.
Fui posto de lado. Fiquei confinado no fundo da sala, e só olhando. Lá adiante, o Bórgia falava, a outro decote, sobre o Sudeste Asiático. Mas eu era um pobre-diabo, sem função e sem destino, naquela festa. Mais um pouco e me despedi. Por coincidência, saiu comigo um conhecido. E ele veio me dizendo: — “Chamar marxismo de ópio do povo é uma boa piada”. Logo, porém, corrigiu: — “Mas você deu um fora. Não se diz tudo”. Retruquei-lhe que as coisas não ditas apodrecem em nós. Com uma condescendência superior, o outro suspira: — “Você é literário demais”.
Mais tarde, em casa, trato de adular a minha úlcera com um prato de mingau. E não me sai da cabeça o sarau de grã-finos. Tomando a papinha analgésica, ainda via aquelas belas senhoras sob a embriaguez marxista. Eram ninfas decotadas falando de “o velho” como de um luminoso sátiro vadio. E pensava no “ópio do povo”. Realmente, é uma imprudência, um risco, um mau negócio não ser marxista. Ou por outra: — não se trata de ser marxista, mas de se dizer marxista. “Dizer-se marxista” é uma maneira de ser inteligente sem ler o próprio Marx e muito menos o próprio Marx. Mas falei no “ópio do povo” e já não sei se posso totalizar. Certas populações do Brasil ainda não chegaram nem à República e ainda estão em Pedro II. Todavia, nas grandes cidades, o Pedro II das elites é Marx. Intelectuais, estudantes, grã-finos fumam o ópio marxista.
De vez em quando, um desses fumantes me diz: — “Marx é maior do que Cristo”. E um outro viciado jurou-me: — “O verdadeiro Cristo é Marx”. Ambos usavam a mesma ênfase alucinatória. Bem os entendo. O Brasil atual é um pouco a Velha China. Sabemos o que foi, historicamente, para o antigo chinês, o papel do ópio. Houve uma espantosa deliqüescência de valores. O vício maravilhoso destruía o sentimento de terra, de nação, de história, de família. Tudo apodrecia no êxtase supremo. (Mas a China não pode viver sem ópio. Hoje o ópio, o sonho, o delírio é Mao Tsé-Tung.)
Julgo perceber uma certa semelhança entre o aviltamento da China do ópio e a atitude de certas áreas ideológicas do Bra­sil. Procurem me entender. Fumamos o ópio marxista. Muito bem. E, na fumaça leve e encantada que sopramos, não aparece a silhueta do Brasil. É cada vez mais cruel a distância entre as esquerdas e o Brasil. De vez em quando, vejo muros pichados com vivas a Cuba. Eis o que me pergunto, gelado de pavor: — “Vivas a Cuba e não ao Brasil?”. Nunca, até hoje, se sujou um muro brasileiro com um honesto e desesperado viva ao Brasil.
Ainda ontem recebi um telefonema patético. Era uma estudante da PUC. Não fez nenhum mistério: — “Sou marxista”. Perguntei, risonhamente: — “Ah, você também gosta de ópio?”. Ela não entendeu. Mas, quando falou em “o jovem”, fui taxativo. Expliquei o meu ponto de vista. Para mim, “o jovem” é tão falso, tão irreal como “o artista”, “o judeu”, “o negro” etc. etc. Mas ela queria falar do Vietnã, de Cuba, da China, da Rússia e, para xingar, dos Estados Unidos.
Com relativa paciência, fiz-lhe ver a sua confusão geográfica. Isto aqui é o Brasil. E repeti: — “Ponha-se no Brasil! Ponha-se no Brasil!”. Finalmente, tomei a palavra e não a larguei mais. Disse-lhe que, no momento, só me interessa um fato: — a solidão do Brasil. Cuidar do Vietnã, de Cuba, da África, é a melhor maneira de não fazer nada, de não sair do Antonio’s, de não deixar a praia. Há todo um Brasil por fazer. E o ópio ideológico justifica e absolve a nossa deslavada ociosidade. Vamos dar vivas a Cuba e ninguém precisa mover uma palha, tirar uma cadeira do lugar. Por fim, eu estava exausto do meu próprio fer­vor polêmico. Furiosa, a aluna da PUC já me tratava de você. Explodiu: — “Sabe de uma coisa? Você é um velho gagá!”. Bateu com o telefone. Fiquei, por um momento, meio alado, contemplativo. Depois, me levantei. E me sentia realmente uma múmia.

03 abril 2012

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 1/9

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 2/9

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 3/9

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 4/9

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 5/9

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 6/9
A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 7/9

A HISTÓRIA SOVIÉTICA - PARTE 8/9


A HISTÓRIA SOVIÉTICA - ÚLTIMA PARTE

05 fevereiro 2012

AS PEDRAS GUIA DA GEÓRGIA












As Pedras guia da Geórgia (Georgia Guidestones) formam um monumento em granito localizado no Condado de Elbert, Geórgia, Estados Unidos e nele estão gravados dez frases em oito línguas modernas: inglês, espanhol, suaíli, hindi, hebreu, árabe, chinês e russo, e uma pequena mensagem, no topo, escrita em quatro antigas línguas: babilônio, sânscrito, grego e em hieróglifos egípcios.
Em junho de 1979 um desconhecido sob o pseudônimo de R.C. Christian contratou a empresa Elberton Granite Finishing para que construíssem a estrutura. O monumento mede 19 pés e 3 polegadas e utiliza 951 pés cúbicos de granito. Todas as pedras juntas pesam mais de 119 toneladas.
1. Manter a humanidade abaixo de 500.000.000 em um balanço constante com a natureza.
2. Controlar a reprodução de maneira sábia – aperfeiçoando as condições físicas e a diversidade.
3. Unir a humanidade com um novo idioma vigente.
4. Controlar a paixão – fé – tradição – e todas as coisas com razão moderada.
5. Proteger povos e nações com leis e cortes justas.
6. Permitir que todas as nações regulem-se internamente, resolvendo disputas externas em uma corte mundial.
7. Evitar leis insignificantes e governantes desnecessários.
8. Balancear direitos pessoais com deveres sociais.
9. Valorizar a verdade – beleza – amor – procurando a harmonia com o infinito.
10. Não ser um câncer na terra – Deixar espaço para a natureza.
Esta idéia é compartilhada por vários defensores de um Governo Mundial que defendem a redução da população e o controle da natalidade. Os mesmos grupos são acusados de fomentar a histeria do Aquecimento Global para incluir mais e mais taxas para concluir seu objetivo de acabar com a soberania dos países. Este “mandamento” além de “pedir” uma redução dos atuais 7 bilhões de seres humanos para apenas 500 milhões, pede que isto seja feito em harmonia com a natureza.


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Muitos anos depois, foi construído o aeroporto de Denver. Um manancial indescritível de bizarrices da Nova Ordem Mundial globalista.

O ENIGMÁTICO AEROPORTO DE DENVER

Veja nestes sites:
http://muitoalem2013.blogspot.com.br/2013/09/o-enigmatico-aeroporto-de-denver.html

http://midiailluminati.blogspot.com.br/2014/01/lugares-sinistros-o-aeroporto.html

http://thoth3126.com.br/denver-international-airport-uma-enorme-base-subterranea/

http://naoanovaordem.blogspot.com.br/2012/06/o-aeroporto-internacional-de-denver.html

http://acordecristovem.blogspot.com.br/2011/04/aeroporto-internacional-de-denver.html


03 fevereiro 2012

SOBRE O LIVRO DE THOMAS SOWELL:



"A VISÃO DOS UNGIDOS: AUTO-CONGRATULAÇÃO, COMO BASE PARA A POLÍTICA SOCIAL”.




O MORALISMO SOCIAL
Fábio Barbieri




O uso da palavra doninha [1] “social” no título deste artigo não é acidental. Além de identificar o moralismo que cada vez mais acompanha as discussões dos problemas políticos modernos, indica também a vacuidade desse mesmo moralismo. Quando a política não mais é vista como o embate entre opiniões diferentes sobre o que é o melhor a se fazer e passa a ser encarada como o conflito entre, por um lado, a opinião correta do justo e, pelo outro, a superstição do ignorante ou do mau caráter, abandonam-se gradualmente os alicerces de uma sociedade livre e democrática.
Durante os três primeiros quartos do século vinte – a era do totalitarismo –, a sensação de superioridade moral era patente entre os ideólogos de esquerda, a despeito do desprezo formal por esse “valor burguês”; eles se viam como “os” defensores dos trabalhadores, dos pobres e desfavorecidos. Opiniões contrárias eram, por definição, esposadas por defensores do capital, dos ricos e privilegiados. Jamais passou pela cabeça dessas pessoas a ideia de que talvez houvessem outras opiniões sobre o que é melhor para a população em geral e para os pobres, em particular. Na melhor das hipóteses, pessoas com opiniões diferentes eram tidas como vítimas de propaganda; mas, de qualquer modo, deveriam ser tratadas como “inimigos do povo”.
Mas será que o maniqueísmo era característico de toda doutrina política? Considere, como contra-exemplo, a postura de dois dos mais importantes economistas liberais do período, Mises e Hayek. Eles atribuíram boas intenções aos seus oponentes socialistas, acreditando apenas que estes tinham ideias equivocadas. E eles criticaram duramente essas ideias. Esse é em geral o modo de pensar do economista: seus argumentos indagam se os meios defendidos são compatíveis com os fins almejados. Estes últimos não são discutidos: toma-se como algo óbvio que a grande maioria das doutrinas políticas almeja o melhor para todos.
Depois que o marxismo foi traído pela história, não era mais possível manter com facilidade as certezas que nutriam o discurso maniqueísta (e portanto moralista) do período. Mas, embora o edifício explanatório marxista tenha se esfacelado, dissolvendo-se a consistência interna parcial que alimentava seu fascínio, cada um de seus tijolos sobreviveu individualmente, pulverizado em miríades de causas defendidas pela esquerda atual. Cada um dessas causas carrega ainda o DNA do iliberalismo político de seu antecessor e, em conjunto, contribuem para o novo moralismo social que discutiremos neste texto. E esse moralismo, herdado da esquerda americana, é muito mais fanático do que o moralismo religioso da direita que tanto abominam.
Onde podemos encontrar esse moralismo? Grosso modo, em qualquer discussão associada ao discurso “politicamente correto”, seja o assunto reciclagem de lixo, conservação do meio ambiente, relações de trabalho, criação de filhos, educação em geral, criminalidade, relações entre gêneros, segurança de produtos, hábitos alimentares ou de saúde. Duas características marcam esse discurso: por um lado, a ausência de discussão de ideias e, por outro, um sentimento de superioridade moral daqueles que se veem como defensores de “causas” associadas a esses tópicos.
A ausência de discussão de ideias pode ser detectada se notarmos que, nos discursos sobre qualquer um dos assuntos listados acima, novamente ocorre a associação automática entre a opinião do ativista e os verdadeiros interesses dos grupos atingidos. Nunca ocorre a detecção e análise de hipóteses rivais sobre as causas do problema em questão. Assim, existiriam apenas pessoas “contra” ou “a favor” da natureza, dos mais pobres, das crianças, dos doentes ou dos criminosos e nunca diagnósticos diferentes sobre essas questões, o que levaria naturalmente ao debate.
Esse estado de coisas, em larga medida, pode ser atribuído à “lei” da desutilidade marginal crescente associada ao trabalho, em especial o trabalho intelectual: o ativista, para desenvolver uma opinião mais sofisticada, teria que pesquisar e estudar teorias rivais, lidando com argumentos de natureza lógica e empírica. Mas isso seria cansativo.
Isso nos leva à segunda característica mencionada. O ativista, se de fato tivesse a curiosidade de pesquisar explicações rivais, teria que se despojar da sensação de superioridade moral resultante de sua visão de mundo simplista. Ao perceber alguns tons de cinza entre o branco e o preto de suas certezas anteriores, sumiria de vista a divisão fácil entre heróis e vilões e com ela a satisfação de pertencer ao primeiro grupo. Mas isso aparentemente faria mal à autoestima.
Note que, a partir do exposto acima, podemos inferir que as duas características do fenômeno estão intimamente relacionadas; ignorância e presunção se reforçam mutuamente, nutrindo o moralismo social moderno. Vejamos agora alguns exemplos desse moralismo, deixando para o leitor a tarefa de identificar suas características em qualquer outro dos temas listados anteriormente.
Considere o tema da criminalidade e posse de armas. De tempos em tempos é vinculada na televisão campanha com atores que se dizem a favor da paz, o que implica que quem não concorda com a proposta de proibição de armas seria então defensor da violência. Os críticos são retratados ora como boçais, como nos filmes de Woody Allen, ora como desonestos, pagos pela indústria de armamentos. Mas, do alto de sua posição esclarecida, pouquíssimos defensores da proibição se dão ao trabalho de examinar argumentos ou evidência empírica.
Quantos ouviram falar que estatísticas baseadas em boletins de ocorrência policial consistem no exemplo mais grotesco de amostra estatística enviesada (praticamente só as tentativas fracassadas de autodefesa são registradas em BO)? Quantos examinaram os estudos estatísticos sérios, isto é, que estimam a influência que diferentes níveis de proibição exercem na criminalidade, controlando-se variáveis como desemprego, nível e desigualdade de renda, idade, etc.? Quantos sabem que esses estudos mostram que proibição não reduz violência e que alguns deles mostram até mesmo uma fraca relação positiva entre proibição e criminalidade? Quantos conhecem a argumentação econômica que de fato esperaria que essa relação ocorresse?
Note que para nosso argumento, não importa no final das contas qual posição seja correta: o problema consiste em converter o debate – a demanda por argumentos e evidências – em algo imoral. Isso só não seria um problema no longo prazo apenas se alguém realmente acreditar na infalibilidade de seus instintos. Já para aqueles que contemplam a hipótese remota de estarem errados de vez em quando, o perigo inerente à tendência moderna de moralizar o debate é óbvia.
Note, como outro exemplo, a violenta indignação moral suscitada por qualquer tentativa de discutir as opiniões correntes a respeito de conservação do meio ambiente. Nas escolas e na televisão, as crianças pequenas aprendem que são responsáveis por “salvar o planeta”, através da adoção de atitudes como urinar no chuveiro, tomar banhos curtos e reciclar todo o lixo. Os pequenos, apavorados pela responsabilidade, reprovam seus pais por falta de zelo conservacionista. Mas todo lixo deveria ser reciclado? No jargão do economista, essa solução de canto seria adequada? Onde estão os estudos de viabilidade econômica que mostram isso? Mesmo considerando no cálculo apenas valores relacionados à conservação, o que seria mais escassa: a água necessária para lavar e retirar rótulo de embalagem plástica a ser reciclada ou a economia obtida por essa reciclagem? Não sei. Mas perguntar se tornou extremamente ofensivo. Reciclar se tornou um mandamento moral e não necessariamente algo relacionado à conservação.
Por que a professorinha se entusiasma com a divisão do mundo entre os ignorantes que tomam banho normalmente e os esclarecidos que urinam durante seus banhos curtos; mas, ao mesmo tempo, ela não tem interesse nenhum em investigar quais são os incentivos que fazem com que as empresas estatais de água desperdiçam quase metade da água em vazamentos de tubulação por falta de manutenção do capital? Por que a discussão sobre a duração do banho das famílias, responsável por fração pequena do consumo de água, seria mais importante do que discutir a ausência do mecanismo de preços regulando a escassez do recurso precioso no que se refere à demanda industrial e agrícola, responsáveis por parcela substancial do consumo? Novamente, argumentos e dados são ignorados em favor da sensação de pertencer a uma elite esclarecida, moralmente superior à massa ignorante.
O que responder aos filhos quando a professora sugere que o tipo de questionamento mencionado acima seria fruto de ignorância e falta de “consciência social”? Explicar para as crianças pequenas o que é “tragédia dos comuns”? Discutir o papel das instituições e da propriedade privada como solução da tragédia? Explicar os fatores que afetam a taxa de desenvolvimento tecnológico e discutir os problemas econômicos e políticos derivados da alternativa, ou seja, a diminuição do padrão presente de consumo? Essa situação absurda ilustra perfeitamente a nossa falta de sensibilidade ao gradual abandono de valores liberais: doutrinar criancinhas, a poucas décadas atrás, era visto com horror: cartilhas usadas em ditaduras que ensinavam a contar “uma bomba contra o grande satã imperialista, duas bombas…” em vez de “uma, duas maçãs” chocavam a maioria, com exceção dos marxistas que viam nos quadrinhos do Tio Patinhas a mesma coisa. Mas, se assistirmos hoje uma emissora de TV a cabo voltada para a pré-escola, podemos observar o mesmo grau de lavagem cerebral, pretensamente a serviço de causas nobres, sem chocar ninguém. Mas será que os ditadores acreditavam que serviam causas ignóbeis com o mesmo instrumento de propaganda?
O moralismo social é fácil de identificar no ramo de entretenimento televisivo. Em que lugar ele prosperaria mais do que em um ambiente marcado por pessoas populares e, digamos, pouco inclinadas à leitura? Neste ambiente, encontramos a todo instante “artistas” dando lição de moral sobre assuntos que nunca estudaram, como a viabilidade econômica da usina de Belo Monte. Nas novelas, com frequência, nos deparamos com alguns personagens que sofrem de uma espécie de “Complexo de Madre Teresa de Calcutá”, esposando todo tipo de causa nobre, para servir de exemplo de bom comportamento para os telespectadores. Nos programas de entrevistas, os atores disputam para ver quem é o mais altruísta. No recém-extinto programa da apresentadora americana Oprah Winfrey, ela e seus convidados, cercados por uma aura de beatitude, se dedicavam a um ritual de autoelogio constante, exortando a massa a mudar o mundo, inspirados por seu exemplo. Não precisa ser um economista neoclássico para entender o absurdo dessa proposição. Qualquer marxista minimamente competente perceberia como Marx ridicularizaria uma proposta de mudar o mundo por meio da caridade! Discutir papel do altruísmo e egoísmo em sistemas econômicos comparados? Nem pensar! No entanto, dificilmente um candidato a um curso de MBA conseguiria sua vaga se em seu currículo não constar alguma atividade como distribuição de sopa para mendigos, atestando quão altruísta e sensível as “questões sociais” ele é.
O moralismo social se manifesta, de forma cômica, nos “jantares inteligentes” descritos por Luiz Felipe Pondé [2]. Nessas ocasiões, os convivas se congratulam a respeito de sua “consciência social” superior, novamente defendendo causas “politicamente corretas” sem se preocupar com fundamentação teórica ou empírica. O aspecto cômico do fenômeno, em parte, se deve à curiosa combinação de preocupação com os desfavorecidos com um exibicionismo elitista, que pretende ditar um padrão de comportamento adequado. Para Pondé, o moralismo social seria raso, em comparação com a moralidade cristã, pois nesta última estamos conscientes de que o mal, o pecado, pode ser derivado de nossas próprias ações, ao passo que na moralidade da esquerda moderna, o mal reside sempre nos outros, que fariam melhor se seguissem o exemplo dos esclarecidos, que reciclam e andam de bicicleta.
A análise mais profunda do moralismo social até o momento foi feita em um livro escrito por Thomas Sowell [3], cujo título merece transcrição completa, por conter a essência do problema: “A Visão dos Ungidos: auto-congratulação, como base para a política social”. Sowell, além de documentar e analisar extensamente o fenômeno do moralismo social, em sintonia com a análise feita ao longo deste artigo, distingue a “visão trágica”, que informa o ponto de vista liberal, da “visão dos ungidos”, que informa o moralismo social.
Como um autor influenciado por Hayek, Sowell coloca na base da distinção os supostos básicos sobre a natureza do conhecimento relevante para os fenômenos sociais. Enquanto o conhecimento relevante para a visão trágica consiste no conhecimento prático disperso entre todos na sociedade, para os ungidos o relevante é o conhecimento articulado da elite intelectual. Em termos hayekianos, essa questão deve ser respondida em termos da limitação do conhecimento humano para lidar com a complexidade da tarefa de coordenação entre os planos de ação de todos os membros da sociedade. De acordo com isso, a capacidade dos homens de mudar o mundo, inerentemente limitada para os defensores da visão trágica, não seria um problema para os ungidos. Os processos de causação social, para os proponentes da visão trágica, ocorrem por meio de sistemas auto-organizáveis, que dispensam o uso consciente e processamento centralizado de toda essa informação, ao passo que os defensores da visão dos ungidos, livres dessa limitação, privilegiam a ação centralizada através de planos governamentais. Os primeiros preferem decisões incrementais e os segundos, decisões categóricas.
Dada a presença de escassez como um componente da complexidade da interação social, a primeira visão reconhece a existência de dilemas ou trade-offs no que se refere às possibilidades de ação política, ou seja, atender a uma necessidade em certo grau implica menos recursos para atender as demais, ao passo que na visão alternativa os dilemas somem e utiliza-se no lugar as categorias “problemas” e “soluções”. Em outros termos, a visão dos ungidos não leva sistematicamente em conta os custos de oportunidade das escolhas. Dada a limitação do conhecimento, a visão trágica pensa em termos de incentivos colocados por regras diferentes, ao passo que a visão dos ungidos pensa em termos de vontade política para realizar as mudanças. Do mesmo modo, a primeira visão privilegia a noção de liberdade como proteção contra o poder, ao passo que a segunda privilegia a liberdade como habilidade para atingir objetivos.
Para Sowell, assim como argumentamos acima, não importa se algum diagnóstico derivado de uma dessas visões está certo ou errado, ou se a origem da visão dos ungidos é de fato um sentimento de superioridade moral: o verdadeiro perigo associado à predominância moderna do moralismo social consiste por um lado na sistemática recusa de examinar os argumentos e dados empíricos e por outro na condenação moral de quem esposa ideias alternativas. Esses dois fatores, em conjunto, minam a liberdade de pensamento e ameaçam o progresso, que depende dessa liberdade.

Notas
[1]
Como apontou Hayek (The Fatal Conceit, 1988), “social” é a principal palavra doninha dos tempos atuais; ou seja, um adjetivo que esvazia totalmente o significado do substantivo que pretende qualificar, como uma doninha que suga o conteúdo de um ovo sem romper sua casca. “I can suck melancholy out of a song as a weasel sucks eggs.” (Shakespeare, As You Like It)
[2] Ver entrevista na revista Veja, julho de 2011.
[3] SOWELL, T. The Vision of the Anointed: self-congratulation as a basis for social policy. Nova York: Basic Books, 1995.
OS UNGIDOS
Rodrigo Constantino


Há um grupo de pessoas para quem a visão de mundo é muito mais relevante do que a própria realidade. Esta visão, ou ideologia, oferece um estado de graça especial para seus detentores. Aqueles que acreditam nesta visão pensam estar não apenas corretos, mas também em um plano moralmente superior aos demais. Para Thomas Sowell, esta postura caracteriza o que ele chamou de “a visão dos ungidos”.
Para os ungidos, há sempre uma necessidade urgente de ação para impedir uma catástrofe iminente, e esta deve partir quase sempre do governo. Uma minoria mais esclarecida deve decidir no lugar de milhões de pessoas, consideradas alienadas ou desinformadas, quando não motivadas por propósitos questionáveis. Argumentos contrários são ignorados com frequência, e as boas intenções dos próprios ungidos é o que importa. O foco nos resultados práticos dá lugar ao regozijo de sua cruzada moral.
Uma das coisas que chama a atenção de Sowell é a extraordinária habilidade de negar as evidências contrárias às suas medidas presente nos ungidos. Seus profetas preservam incrível aura de respeito apesar do histórico altamente negativo de suas previsões. As profecias apocalípticas dos neo-malthusianos, por exemplo, são refutadas de tempos em tempos, mas nada abala a confiança nestes profetas. Os termos messiânicos dos ungidos, tais como “guerra contra a pobreza” ou “guerra contra as drogas”, são empregados sem respaldo algum pelas consequências concretas de tais medidas.
Ainda que os mais céticos apontem ex ante os defeitos das medidas e seus prováveis fracassos, quando eles ocorrem são simplesmente ignorados pelos ungidos, ou então se alega que outros fatores imprevisíveis levaram a este resultado insatisfatório. Os ungidos se colocam acima de qualquer teste empírico, ou então torturam os dados estatísticos até eles confessarem o resultado desejado. O fato do curso dos eventos seguir um padrão diametralmente oposto àquele proclamado pelos ungidos não produz sequer uma reflexão sobre as premissas adotadas em suas políticas.
Os ungidos desejam chegar até a “raiz” dos problemas sociais, para então oferecer “soluções”. Sowell considera esta característica fundamental para distinguir a visão dos ungidos da visão alternativa, que pode ser considerada trágica. Nesta, há a consciência de que somos seres limitados, e que a vida consiste em uma série de “trade-offs”, onde uma escolha pressupõe abrir mão de algo; naquela, os principais males sociais podem ser solucionados. O crime, a violência, a miséria, tudo isso pode ser extirpado do mundo. Um novo mundo é possível, assim como um novo homem.
Para a visão trágica, a natureza humana é falha, e cada indivíduo é potencialmente um agente de maldades, ou ao menos de atos maldosos isolados. O mecanismo de incentivos se torna, portanto, crucial para reduzir os estragos na sociedade. O crime, por exemplo, deve ser combatido com punição. Além disso, cada indivíduo possui conhecimento extremamente limitado para apreender de forma holística o funcionamento da sociedade. Por isso a relevância da tradição, da descentralização na tomada de decisões, dos pesos e contrapesos na política, das liberdades individuais para se obter, por tentativa e erro, melhorias (graduais) na sociedade.
Já para os ungidos, o ser humano comete erros por alienação, falta de conhecimento, ou necessidade (miséria). O crime, por esta ótica, passa a ser culpa da “sociedade”, nunca do próprio criminoso. Ele não deve ser combatido com a firmeza das punições, mas com “medidas sociais”. A polícia é vista com desdém, enquanto os agentes sociais das ONGs são tomados por “salvadores da pátria”. A natureza humana é quase infinitamente elástica, e, dependendo das circunstâncias, todos podem se tornar pessoas maravilhosas e altruístas, assim como os próprios ungidos. O alerta de Kant, de que da madeira torta de que é feito o homem nada inteiramente reto pode ser talhado, é solenemente descartado pelos ungidos.
A realidade imperfeita incomoda profundamente, e os ungidos confrontam esta imperfeição com sua visão utópica de mundo, concluindo automaticamente que “algo” deve ser feito. Este “algo” será feito, naturalmente, pela imposição do governo. Os ungidos possuem uma insistente mania de se intrometer na vida dos outros, ainda que para seu próprio bem.
Enquanto núcleo autônomo de decisão, a família representa um obstáculo a esta vontade de controle centralizado do processo social. Os engenheiros sociais, portanto, encontram-se constantemente em colisão com a família tradicional. É fácil identificar os ungidos com base nesta tendência de atacar os valores familiares. O poder decisório deve ser transferido das famílias para o estado, que passará a ter uma função paternalista de tutela dos cidadãos, vistos como incapazes desta tarefa.
O mesmo ocorre com o público consumidor, que deve ser protegido pelos ungidos dos capitalistas exploradores, ainda que a própria escolha deste público diga o contrário. Se os consumidores desejam A enquanto os ungidos querem B, então os consumidores são alienados e necessitam da luz proveniente da sabedoria dos ungidos para escolher de forma “correta”. Como não é uma boa bandeira política atacar todos os consumidores, a responsabilidade do “erro” é colocada sobre os ombros dos produtores e vendedores, que manipulariam os consumidores indefesos.
Responsabilidade individual, aliás, é um conceito totalmente inexistente para os ungidos, pois sozinho ele seria capaz de derrubar quase todas as suas crenças, dispensando sua ajuda messiânica. Os ungidos necessitam de seres autômatos e de determinismos sócio-culturais para “venderem” suas fantásticas habilidades de solucionar os problemas no mundo. O acaso tampouco existe, pois toda desgraça precisa de um culpado. Se a miséria na luta pela sobrevivência sempre foi a norma da vida humana, isso não interessa: a culpa pela miséria atual só pode ser dos ricos!
Os ungidos segregam o mundo em classes, colocam-nas em conflito, e depois se oferecem como os únicos capazes de solucionar os problemas oriundos destes conflitos. Esta nobre visão retroalimentada é o que garante a persistência deste grupo de pessoas, pois sempre haverá muita gente disposta a sacrificar o foco nos resultados em nome de sua própria imagem perante os outros e o espelho, via auto-engano. A vaidade enraizada na natureza humana é uma importante aliada dos ungidos. E, afinal de contas, vaidade das vaidades, tudo é vaidade!

02 novembro 2011

ESTE ARTIGO DO HISTORIADOR MARCO ANTÔNIO VILLA DIZ QUASE TUDO O QUE ANDO SENTINDO EM RELAÇÃO AO BRASIL DE HOJE.

REPÚBLICA DESTROÇADA
Estadão 31/10/2011

Em 1899 um velho militante, desiludido com os rumos do regime, escreveu que a República não tinha sido proclamada naquele mesmo ano, mas somente anunciada. Dez anos depois continuava aguardando a materialização do seu sonho. Era um otimista. Mais de cem anos depois, o que temos é uma República em frangalhos, destroçada.

Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. A impunidade acabou transformando alguns deles em referências morais, por mais estranho que pareça. Um conhecido político, símbolo da corrupção, do roubo de dinheiro público, do desvio de milhões e milhões de reais, chegou a comemorar recentemente, com muita pompa, o seu aniversário cercado pelas mais altas autoridades da República.

Vivemos uma época do vale-tudo. Desapareceram os homens públicos. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem enriquecer a qualquer preço. E rapidamente. Não importam os meios. Garantidos pela impunidade, sabem que se forem apanhados têm sempre uma banca de advogados, regiamente pagos, para livrá-los de alguma condenação.

São anos marcados pela hipocrisia. Não há mais ideologia. Longe disso. A disputa política é pelo poder, que tudo pode e no qual nada é proibido. Pois os poderosos exercem o controle do Estado – controle no sentido mais amplo e autocrático possível. Feio não é violar a lei, mas perder uma eleição, estar distante do governo.

O Brasil de hoje é uma sociedade invertebrada. Amorfa, passiva, sem capacidade de reação, por mínima que seja. Não há mais distinção. O panorama político foi ficando cinzento, dificultando identificar as diferenças. Partidos, ações administrativas, programas partidários são meras fantasias, sem significados e facilmente substituíveis. O prazo de validade de uma aliança política, de um projeto de governo, é sempre muito curto. O aliado de hoje é facilmente transformado no adversário de amanhã, tudo porque o que os unia era meramente o espólio do poder.

Neste universo sombrio, somente os áulicos – e são tantos – é que podem estar satisfeitos. São os modernos bobos da corte. Devem sempre alegrar e divertir os poderosos, ser servis, educados e gentis. E não é de bom tom dizer que o rei está nu. Sobrevivem sempre elogiando e encontrando qualidades onde só há o vazio.

Mas a realidade acaba se impondo. Nenhum dos três Poderes consegue funcionar com um mínimo de eficiência. E republicanismo. Todos estão marcados pelo filhotismo, pela corrupção e incompetência. E nas três esferas: municipal, estadual e federal. O País conseguiu desmoralizar até novidades como as formas alternativas de trabalho social, as organizações não governamentais (ONGs). E mais: os Tribunais de Contas, que deveriam vigiar a aplicação do dinheiro público, são instrumentos de corrupção. E não faltam exemplos nos Estados, até mesmo nos mais importantes. A lista dos desmazelos é enorme e faltariam linhas e mais linhas para descrevê-los.

A política nacional tem a seriedade das chanchadas da Atlântida. Com a diferença de que ninguém tem o talento de um Oscarito ou de um Grande Otelo. Os nossos políticos, em sua maioria, são canastrões, representam mal, muito mal, o papel de estadistas. Seriam, no máximo, meros figurantes em Nem Sansão nem Dalila. Grande parte deles não tem ideias próprias. Porém se acham em alta conta.

Um deles anunciou, com muita antecedência, que faria um importante pronunciamento no Senado. Seria o seu primeiro discurso. Pelo apresentado, é bom que seja o último. Deu a entender que era uma espécie de Winston Churchill das montanhas. Não era, nunca foi. Estava mais para ator de comédia pastelão. Agora prometeu ficar em silêncio. Fez bem, é mais prudente. Como diziam os antigos, quem não tem nada a dizer deve ficar calado.

Resta rir. Quem acompanha pela televisão as sessões do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e as entrevistas dos membros do Poder Executivo sabe o que estou dizendo. O quadro é desolador. Alguns mal sabem falar. É difícil – muito difícil mesmo, sem exagero – entender do que estão tratando. Em certos momentos parecem fazer parte de alguma sociedade secreta, pois nós – pobres cidadãos – temos dificuldade de compreender algumas decisões. Mas não se esquecem do ritualismo. Se não há seriedade no trato dos assuntos públicos, eles tentam manter as aparências, mesmo que nada republicanas. O STF tem funcionários somente para colocar as capas nos ministros (são chamados de “capinhas”) e outros para puxar a cadeira, nas sessões públicas, quando alguma excelência tem de se sentar para trabalhar.

Vivemos numa República bufa. A constatação não é feita com satisfação, muito pelo contrário. Basta ler o Estadão todo santo dia. As notícias são desesperadoras. A falta de compostura virou grife. Com o perdão da expressão, mas parece que quanto mais canalha, melhor. Os corruptos já não ficam envergonhados. Buscam até justificativa histórica para privilégios. O leitor deve se lembrar do símbolo maior da oligarquia nacional – e que exerce o domínio absoluto do seu Estado, uma verdadeira capitania familiar – proclamando aos quatro ventos seu “direito” de se deslocar em veículos aéreos mesmo em atividade privada.

Certa vez, Gregório de Matos Guerra iniciou um poema com o conhecido “Triste Bahia”. Bem, como ninguém lê mais o Boca do Inferno, posso escrever (como se fosse meu): triste Brasil. Pouco depois, o grande poeta baiano continuou: “Pobre te vejo a ti”. É a melhor síntese do nosso país.
Quando vi a reação burra, como sempre, da esquerdalha contra o naturalíssimo "Que deselegante!" da jornalista e apresentadora Sandra Annemberg, lembrei de um belo texto do Daniel Piza:

“Costuma-se menosprezar a elegância como um atributo de superfície, como se fosse apenas uma forma de disfarçar ou dourar o que se tem a dizer. Não é nada disso. Elegância é manter a sobriedade sem cair na frieza, é aceitar a complexidade da realidade mas não se conformar com a pequenez, é ser claro para resistir tanto aos eufemismos como às hipérboles. É a arte de dizer muito em pouco, de adensar sem adornar, de simplificar para não banalizar. É ser incisivo sem ser inconseqüente”.