VENEZUELA HOJE
26 abril 2014
17 abril 2014
HUMOR FERINO
O vídeo abaixo mostra o Ministro de Finanças da Suíça, Hans Rudolf Mehrs, no momento em que teve um ataque de riso que contagiou a platéia, acabou se tornando um viral na internet, depois que alguém teve a brilhante ideia de colocar legendas em português, dando a entender que Mehrs estaria rindo quando se referia às presepadas de Lula.
CUBA HOJE
Fotos e comentários de Yusnaby Pérez, 25 anos, blogueiro, fotógrafo e escritor cubano.
Sua vida é como a dos demais cubanos. Não morre de fome, mas é pobre. Seus tataravós chegaram à Ilha desde a Espanha. Estudou o primário, secundário e universitário através do modelo gratuito e obrigatório. Estudou telecomunicações na Universidade de La Habana. Se graduou em 2011.
Depois de receber seu título foi chamado pelo governo para pagar a educação que lhe ofereceram como gratuita. “A educação em Cuba não é gratuita. Seria mais correto dizer que é de acesso universal. Mas, ao graduar-se, tem que pagá-la com três anos de trabalho e um salário mínimo, que em Cuba são 9 dólares ao mês”, denuncia.
Em Cuba os salários em média são de 9 a 20 dólares por mês. Cabe dizer que recebem assistência médica, educação, bônus de alimentação, através de uma libreta de abastecimento e serviços públicos ocasionais. Ter um salário mínimo de nove dólares ao mês pelo sacrifício de sua carreira profissional lhe parecia injusto. Por isso, se rebelou e lhe retiraram seu título universitário.
Para sobreviver, aproveitou seus conhecimentos universitários e começou a desenhar páginas de web.
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| Produtos racionados que cada cubano pode comprar uma vez ao mês |
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| Miguel, 61 anos. Não é pobre, não é vagabundo: não existe. A imprensa oficial jamais contará sua historia |
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| Sempre à mesma hora, Tomás olha pela janela, esperançoso de voltar a ver La Habana que já não existe |
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| Não chegou a ambulância, ninguém lhe ajudou. Ele desmaiou de fome, fadiga e álcool. Passou toda a noite aí |
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| Hospital em La Habana onde não ão os estrangeiros nem os militares mais “heroicos" |
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| Ainda há muitas famílias em Cuba que não se podem permitir ter uma TV a cores |
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| Pasaron los años, pasó la vida, caducó la esperanza y permanecieron las mentiras |
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| Há 60 anos Fidel prometeu uma “reforma urbana”. Madelín, professora primária, deve ter muito a dizer a respeito |
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| 54 anos podem ser mais destrutivos que uma bomba nuclear, sobretudo quando impera o mesmo governo |
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| Nisto se converteu a revolução |
Essas fotos de danos nas edificações causam emoções nas pessoas, que se dão conta de que tudo o que se disse é mentira, expõe Yusnaby antes de rejeitar as recentes reformas que liberalizaram o comércio de alguns bens. “É certo que já se podem comprar casas, carros e que se pode viajar mais fácil fora do país. Todos esses direitos existiam antes do castrismo; não são coisas que se estejam inventando. As estão devolvendo”.
Sobre as autorizações de mercado imobiliário, Yusnaby tem alguns reparos: “Já se podem comprar casas, mas vejamos os preços: uma de classe média custa 60 mil dólares. Com um salário de 19 dólares, quem os pode reunir? E além disso, os bancos não dão empréstimos, não dão créditos, não dão financiamento… são reformas produtivas porque devolvem direitos, mas não são acessíveis”.
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| Quando Raúl Castro fala de “atualizações econômicas” em Cuba se refere a negócios deste calibre |
08 abril 2014
ORGULHO DE SER REACIONÁRIO
Os “reacionários” eram cantados como alvo de ódio por um dos dois maiores totalitarismos da história mundial. No hino nazista, a Canção de Horst-Wessel ("Kameraden, die Rotfront und Reaktion erschossen”), “reacionário” era o epíteto dado aos inimigos dos revolucionários que queriam o poder total (a marca da era moderna) para “corrigir” a sociedade. Reacionário foi quem se opôs a Lenin, a Mao, a Hitler, a Mussolini, a Khomeini, a Fidel, a Milošević, a Pol Pot, a Saddam, a Kadafi, a Mugabe, a Kim Il-sung – foram os refratários ao reformismo social pela tirania estatal.
Reacionários, para quem estuda, lê e pesquisa antes de vomitar achismos e opiniões inventadas de estro próprio por aí, são aqueles que, ao ver um problema social, desconfiam da solução “revolucionária” de plantão (aumentar o poder do Estado para que ele corrija/proíba/financie) e, imaginando como as coisas reagem, se posicionam contra a concentração de poder nas mãos de uns poucos bem-iluminados que, supostamente, podem “corrigir” o problema. Reacionários são os caras que desconfiam de políticos e suas "soluções".
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| Cambodja |
Por isso, os reacionários eram considerados os inimigos das “revoluções” – esta palavra que soa tão agradável a ouvidos desacostumados com a História, que não percebem que toda “Revolução” contra tudo o que está aí resultou no poder absoluto nas mãos de um tirano que simbolizava o pensamento único: a Revolução Francesa decai em Napoleão Bonaparte depois do Terror, a Revolução Russa faz o poder do tsar parecer minúsculo perto de Lenin, Stalin, Kruschev, Andropov e afins, a Revolução Chinesa põe no poder Mao Zedong, que mata sozinho, por métodos que vão do fuzilamento à fome, mais de 70 milhões de pessoas, a Revolução Iraniana, idolatrada por Michel Foucault (que era gay), transforma o ocidentalizado Irã no totalitarismo fechadíssimo de Rūḥollāh Khomeini que enforca gays em praça pública. Todos estes tiranos odiavam os “reacionários” que avisaram: “não faça revolução, vai dar merda…”.
Não há como não notar a contradição brutal em chamar alguém de reacionário e fascista ao mesmo tempo, quando um era inimigo mortal do outro a ponto de ser cantado como alvo de ódio até no hino nacional.
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| G. K. Chesterton |
O reacionário descobre como as coisas reagem porque pensa como um dos homens mais inteligentes da humanidade, G. K. Chesterton: em seu ensaio The Superstition of School, ele explica que não é esperado que os homens “velhos” sejam reacionários, mas que, com a experiência, saibam que as coisas reagem e como reagem - ao contrário do furor revolucionário, que crê religiosamente que o mundo será moldado passivamente com as suas boas intenções. Se um homem atira num coelho, num velho ou num rei, deve esperar reações dessa ação. É a experiência que faz com que o homem tenha expectativa pelo tranco do revólver antes mesmo de puxar o gatilho.
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| David Hume |
É por isso que David Hume, o cético e maior expoente do empirismo, lembra que as doutrinas e tradições são conhecimento, e não precisamos atirar nós mesmos em um coelho, um velho ou um rei para descobrir as consequências. É por isso que conservadores olham para o passado: para não precisar seguir caminhos que os antigos já sabiam que dariam errado no futuro. É por isso que os conservadores conservam tradições e leem livros antigos, de Platão a Montaigne, de Shakespeare a Solzhenitsyn – o revolucionário, por outro lado, acredita que suas boas intenções bastam para “consertar” o mundo, sem esperar nenhuma reação da dura realidade.
G. K. Chesterton nos ensina que o homem que acumula a sabedoria das reações não perde ideais, como os jovens costumam crer que os velhos perderam seus sonhos. Pelo contrário: o socialismo ideal, o capitalismo ideal ou qualquer Utopia, mantida pura no mundo das idéias, hagiograficamente virginal ao contato com a realidade, continua sendo sempre ideal. O problema é o real.
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| Prometeu |
Ser reacionário é saber como as coisas reagem. É ter um saber que prevê reações antes mesmo de elas ocorrerem. É o homem que vê consequências imprevistas onde o afobado vê motivo para exaltação e ânimo em marcha acelerada. É o homem que, como Prometeu no mito, o primeiro reacionário, vê o mal antes mesmo de ele ocorrer. É, enfim, o homem que não nasceu ontem, que não é seduzido por discursos maviosos de quem quer melhorar o mundo sob mandos da concentração de poder e da proibição do que não gostam e do subsídio ao que gostam. Como se ofender em ser reacionário?
Basta ler as palavras de um nobilíssimo reacionário, Erik von Kuehnelt-Leddihn, homem de conhecimento enciclopédico capaz de ler em mais de 20 línguas e, como bom reacionário austríaco, um fugitivo do nazismo, em seu O Credo do Reacionário.
Como se vê, ser reacionário exige experiência, conhecimento de causalidade, a “prudência” na política que nos pedem de Aristóteles a Russell Kirk. Exige a depuração de leituras das obras dos maiores intelectuais da direita “reaça” que povoaram o século: Edmund Burke, Russell Kirk, Thomas Sowell, Eric Voegelin, Bernard Lonergan, Roger Scruton, Ludwig von Mises, Erik von Kuehnelt-Leddihn, Ortega y Gasset, Alain Peyrefitte, Anne Applebaum, Roger Kimball, Alain Besançon, Lionel Trilling, Paul Johnson, David Pryce-Jones, Vicente Ferreira da Silva, Olavo de Carvalho, Otto Maria Carpeaux, Theodor Dalrymple, T. S. Eliot, Rosenstock-Huessy, Michael Oakeshott, Irving Babbitt, Ellis Sandoz, Vladimir Bukovsky, Vladimir Tismăneanu, Matei Visniec.
A esquerda chama todo mundo de quem discorda de “racista”, de “homofóbico”, de “fascista” justamente porque sabe que os xingados odeiam racismo, homofobia, fascismo – e se calarão quando tiverem sua opinião associada a estas coisas das quais têm nojo mortal. Se fossem de fato racistas, homofóbicos ou fascistas, as pessoas simplesmente diriam “Sim” e continuariam na mesma. Mas não é o que a esquerda planeja.
O mesmo não ocorre quando eles pensam estar nos ofendendo ao chamar-nos de “reacionário”, devido à sua própria ignorância em relação ao termo. Neste caso, devemos tomar o epíteto como o elogio que é. Afinal, o que há de ofensivo em saber como as coisas reagem? Em ser inimigo mortal de nazistas, comunistas e totalitarismos islâmicos homofóbicos e misóginos? Em ser contrário à concentração de poder, ao reformismo rebanhista, à planificação econômica, à mesmice cultural?
05 abril 2014
TRECHOS DE UMA ENTREVISTA EM QUE UM ESQUERDISTA,
AO TENTAR DEFENDER JANGO, ENTREGA MUITA COISA.
As forças nacionalistas e esquerdistas mais radicais defendiam reformas na 'Lei ou na Marra'. Tais grupos políticos defendiam o fechamento do Congresso Nacional e a sua substituição por uma Assembleia Constituinte exclusivamente formada por representantes destas forças nacionalistas e esquerdistas, enquanto que os conservadores e direitistas seriam excluídos da mesma.
Tal proposta representava, inegavelmente, uma ruptura com a ordem política e legal existente e, virtualmente, colocava o Brasil no caminho de uma Revolução Nacionalista Radical. E era exatamente este o projeto político destes movimentos sociais nacionalistas e esquerdistas do período (UNE, CGT, Ligas Camponesas, PTB brizolista etc.).
E não era apenas o ex-governador gaúcho e deputado federal Leonel Brizola que defendia tal caminho, mas a quase totalidade dos movimentos sociais do período (estudantil, sindical, camponês, intelectuais etc.), bem como líderes importantes como Miguel Arraes (então governador de Pernambuco e estrela ascendente da política brasileira nos primeiros anos da década de 1960) e Francisco Julião (líder das Ligas Camponesas).
Até mesmo o PCB, liderado por Luiz Carlos Prestes, que sempre havia sido um aliado de Jango e um dos principais defensores de um caminho legal e constitucional para se implantar as 'Reformas de Base', acabou mudando de posição nos meses anteriores ao Golpe de 1964 e se aliou aos grupos esquerdistas e nacionalistas radicais na defesa desta Revolução Nacionalista Radical.
Jango sempre discordou desse caminho de radicalização e, mesmo depois, naqueles que foram os últimos meses de seu governo, quando decidiu se aliar com os grupos nacionalistas radicais, ele acabou adotando um caminho distinto daquele que era defendido por tais grupos. Em vez de fechar o Congresso Nacional e se promover a sua substituição por uma Assembleia Constituinte, ele adotou a política de levar adiante a organização de uma série de grandes manifestações populares pelo país a fim de pressionar o Congresso Nacional para que o mesmo aprovasse as 'Reformas de Base'.
"Não havia transcorrido ainda um ano da posse de Jango e pairava sobre a radiodifusão a ameaça de estatização. Para evitar a estatização, uma comitiva de radiodifusores gaúchos, atendendo a convocação de João de Medeiros Calmon, esteve em Brasília para pressionar a Câmara de Deputados. A comissão conseguiu vetar os 22 itens que seriam acrescentados ao Código Brasileiro de Telecomunicações, que propunham entregar ao Estado o controle total das estações de rádio e televisão do país. Como consequência, no dia 27 de novembro de 1962 foi fundada a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).
Seguindo o exemplo, o grupo formado por Flávio Alcaraz Gomes, representando a Companhia Caldas Júnior, Hugo Vitor Ferlauto, das Emissoras Reunidas, Antônio Abelin, da Rádio Imembuí de Santa Maria, René Corbelini, da Rádio Charrua de Uruguaiana, Nelson Dimas de Oliveira, dos Diários Associados, Salvadore Rosito, da Difusora, Frankilin Peres, comercial da Rádio Farroupilha, Maurício Sirotsky Sobrinho, Rádio Gaúcha, Frederico Arnaldo Balvê, Emissoras Reunidas, entre outros, fundaram a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão. A AGERT nascia com suas raízes plantadas na defesa da liberdade de informação e livre iniciativa".
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JANGO QUIS ESTATIZAR A RADIODIFUSÃO
Pesquisando na internet, identifiquei este texto sobre a AGERT
(Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão):
"Não havia transcorrido ainda um ano da posse de Jango e pairava sobre a radiodifusão a ameaça de estatização. Para evitar a estatização, uma comitiva de radiodifusores gaúchos, atendendo a convocação de João de Medeiros Calmon, esteve em Brasília para pressionar a Câmara de Deputados. A comissão conseguiu vetar os 22 itens que seriam acrescentados ao Código Brasileiro de Telecomunicações, que propunham entregar ao Estado o controle total das estações de rádio e televisão do país. Como consequência, no dia 27 de novembro de 1962 foi fundada a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).
Seguindo o exemplo, o grupo formado por Flávio Alcaraz Gomes, representando a Companhia Caldas Júnior, Hugo Vitor Ferlauto, das Emissoras Reunidas, Antônio Abelin, da Rádio Imembuí de Santa Maria, René Corbelini, da Rádio Charrua de Uruguaiana, Nelson Dimas de Oliveira, dos Diários Associados, Salvadore Rosito, da Difusora, Frankilin Peres, comercial da Rádio Farroupilha, Maurício Sirotsky Sobrinho, Rádio Gaúcha, Frederico Arnaldo Balvê, Emissoras Reunidas, entre outros, fundaram a Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão. A AGERT nascia com suas raízes plantadas na defesa da liberdade de informação e livre iniciativa".
03 abril 2014
O Financiamento da Esquerda
David Horowitz & Glenn Beck
A arte da guerra política
Análise do livro de David Horowitz
Seguem abaixo os links da tradução do livro
“A Arte da Guerra Política”, de David Horowitz
Introdução
I – É a política, estúpido!
II – Os princípios
III – A prática
IV – O que fazer
V – Observações
VI – Política e princípios
VII – Democratas e republicanos
VIII – Fazendo o seu caso
02 abril 2014
Por que o socialismo está em ascensão?
Um artigo fundamental de Ben Shapiro
sobre o ‘Perigo vermelho’
By Felipe de Moura Brasil
Nenhuma grande novidade para quem leu o capítulo “Socialismo” e a seção “Marxismo & vigarice” do nosso best seller “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota“, que, aliás, depois de três meses dentro e um fora, mas sempre nas beiradas, voltou nesta semana às listas da VEJA e do Globo dos 10 livros mais vendidos do país.
Mas o artigo de Ben Shapiro, que traduzo abaixo, faz uma síntese precisa da superioridade moral do capitalismo em relação ao socialismo, depois de enumerar o apreço que políticos, intelectuais e meios de comunicação americanos (preciso mesmo mostrar os “Carrascos” brasileiros?) vêm demonstrando pelo segundo, sem a menor cerimônia. Mas, como eu disse, “Para Jabor, ‘Perigo vermelho’ no (…) dos outros é refresco“. E o pior é que ainda tem gente mais preocupada com os conservadores saindo do armário… Voltarei ao assunto em breve.
Vamos lá:
O capitalismo levou meio século para se recuperar da Grande Depressão. O socialismo levou metade desse tempo para se recuperar do colapso da União Soviética.
Em Nova York, o prefeito reconhecidamente socialista Bill de Blasio [matérias da VEJA sobre sua eleição e posse: aqui afirmou que seu objetivo é dar um “tiro fatal no Conto da Cidade Partida” [no original, "Tale of Two Cities"] - o fosso entre ricos e pobres. Em Seattle, o recém-eleito vereador Kshama Sawant se dirigiu a seus apoiadores, explicando: “Eu uso o emblema de socialista com honra.” Para grande aclamação da esquerda, o colunista Jesse Myerson, da revista Rolling Stone, fez uma coluna dizendo à geração Y ["millenials": nascidos entre 1980 e 2000] que eles devem lutar por emprego garantido pelo governo, renda básica universal, coletivização da propriedade privada, nacionalização de ativos privados e de bancos públicos.
Os botões recém-floridos do marxismo já não residem na periferia. Não quando o presidente dos Estados Unidos [Barack Obama] declarou o combate à desigualdade de renda sua principal tarefa como comandante-chefe. Não quando o líder da maioria no Senado, Harry Reid, democrata de Nevada, disse que “não há maior desafio” enfrentado pela América do que a disparidade de renda. Não quando a emissora de TV MSNBC, o jornal The New York Times e os amalgamados meios de comunicação pró-Obama declararam todos como a sua missão para 2014 uma campanha contra os ricos.
Menos de 20 anos atrás, o ex-presidente Bill Clinton, disputando a reeleição, declarou encerrada “a era do Estado inchado”. Em 2011, Clinton voltou atrás, declarando que era papel do governo “dar às pessoas as ferramentas e criar as condições para tirar o máximo de nossas vidas.”
O que aconteceu então?
O capitalismo não conseguiu apresentar boas razões para si mesmo. Em 1998, pouco depois de o mundo parecer ter chegado a um consenso sobre a ineficácia dos sistemas socialistas, os economistas Daniel Yergin e Joseph Stanislaw escreveram que o livre mercado requeria algo além do mero sucesso: ele requeria “legitimidade”. Mas, disseram Yergin e Stanislaw, “um sistema que leva a busca do autointeresse e do lucro como sua luz-guia não necessariamente satisfaz o anseio da alma humana para a crença e para algum sentido mais elevado do que o materialismo”. Em outras palavras, eles escreveram que, enquanto os comunistas espanhóis morreriam com a palavra “Stalin” em seus lábios, “poucas pessoas iriam morrer com a expressão ‘livre mercado’ em seus lábios.”
A incapacidade de apresentar boas razões morais para o capitalismo condenou o capitalismo ao status de um eterno plano B. Quando as pessoas estão desesperadas ou ricas, elas se voltam para o socialismo; somente quando elas não têm outra alternativa é que abraçam o livre mercado. Afinal, mentiras sobre a garantia de segurança são muito mais sedutoras do que palestras sobre responsabilidade pessoal.
Quais são, então, as boas razões morais para o capitalismo?
Elas são o reconhecimento de que o socialismo não é uma ótima ideia que deu errado – é uma filosofia diabólica em ação. Não é impulsionado pelo altruísmo, é impulsionado pela ganância e pela inveja. [Ver também o vídeo "Milton Friedman fala sobre a ganância", no fim do meu post "Celebridades hipócritas de Hollywood - 2013".] O socialismo afirma que você me deve alguma coisa simplesmente porque eu existo. O capitalismo, por sua vez, resulta em uma espécie de altruísmo forçado pela realidade: eu posso não querer ajudar você, eu posso não gostar de você, mas se eu não der a você um produto ou um serviço que você quer, eu vou morrer de fome. Troca voluntária é moralmente superior a redistribuição forçada. O socialismo viola pelo menos três dos Dez Mandamentos: ele transforma o governo em Deus, ele legaliza o roubo e ele eleva a cobiça. Discussões sobre desigualdade de renda, afinal, não são sobre prosperidade, mas, ao contrário, sobre mesquinharia. Por que você deveria se preocupar com quanto dinheiro eu faço, contanto que você esteja feliz?
Conservadores falam em resultados quando discutem as deficiências do socialismo. Eles estão certos: o socialismo é ineficaz, destrutivo e atrofiador para o espírito humano. Mas eles estão errados em abandonar o campo da moralidade quando discutem o contraste entre liberdade e controle. E é este abandono – esta preguiça perversa – que levou ao retorno do socialismo, ainda que, no passado recente de nossas próprias vidas, tenhamos visto o colapso de economias continentais e milhões de pessoas abatidas em nome desse falso deus.
15 março 2014
OS ARQUIVOS SECRETOS
DA KGB E DA STB TCHECA SOBRE O BRASIL
O pesquisador Mauro Abranches está escarafunchando os arquivos do serviço secreto da antiga Tchecoslováquia e descobrindo como a STB (terceirizada da KGB para a América Latina) atuava no Brasil desde os anos 1950, recrutando colaboradores e agentes a serviço da revolução comunista no nosso continente.
Aqui se pode acessar a página do Institute for the Study of Totalitarian Regimes.
Neste vídeo de análise dos 50 anos do Contragolpe de 1964, Olavo de Carvalho, nos primeiros 15 minutos, cita este vídeo e as descobertas feitas nos arquivos da polícia secreta Tcheca.
No link abaixo, Olavo de Carvalho, em 2001, sugere aos jornalistas brasileiros que entrevistem Ladislav Bittman, ex-espião tcheco que sabe tudo sobre 1964.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/sugestao.htm
O segundo vídeo do Mauro Abranches mostra a extensão da penetração soviética nos altos círculos do governo brasileiro desde os anos 50 do século passado, sempre em busca de candidatos a "agentes de influência".
09 março 2014
28 fevereiro 2014
26 fevereiro 2014
25/02/2014
Nos 20 anos do Plano Real, quero aqui lembrar frases célebres da companheirada. Antes, no entanto, algumas considerações.
Como vocês devem ter lido em toda parte, ocorreu nesta terça, no Senado, uma sessão solene em homenagem aos 20 anos do Real. A estrela do dia foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. As conquistas oriundas do plano devem ser um dos pilares da campanha do tucano Aécio Neves à Presidência — foi ele, aliás, quem dirigiu as palavras mais duras contra o governo Dilma.
Falando, como é de seu feitio, uma linguagem mais institucional, FHC reconheceu os avanços, inclusive do governo Lula — deferência que seu sucessor jamais lhe fez —, mas afirmou que o país precisa de mudanças, de ventos novos, porque há “fadiga de material”, o que disse ter percebido também em seu governo.
Referindo-se à eventual reeleição de Dilma, afirmou:
“A partir de certo momento, tem fadiga de material. Eu sofri essa fadiga quando estava no governo. Agora, tem fadiga de material: ‘De novo o mesmo, meu Deus?’. O Brasil é um país novo, precisa de sentir ventos novos”.
“A partir de certo momento, tem fadiga de material. Eu sofri essa fadiga quando estava no governo. Agora, tem fadiga de material: ‘De novo o mesmo, meu Deus?’. O Brasil é um país novo, precisa de sentir ventos novos”.
Para Aécio, “os 12 anos de governo do PT levaram o Brasil a estar hoje mergulhado em ambiente de desesperança e descrença do futuro”. “De tijolo sólido, viramos hoje frágil economia. (…) Quem suceder ao atual governo governará em tempos difíceis até o país recuperar o entusiasmo num futuro melhor.”
Guerra de propaganda
Os vinte anos do Plano Real estão a merecer, certamente, um trabalho de fôlego. É impressionante que os tucanos tenham perdido a guerra de propaganda para o PT nos últimos, vá lá, 14 anos — já que o governo FHC ficou sob intenso bombardeio nos dois anos finais.
Os vinte anos do Plano Real estão a merecer, certamente, um trabalho de fôlego. É impressionante que os tucanos tenham perdido a guerra de propaganda para o PT nos últimos, vá lá, 14 anos — já que o governo FHC ficou sob intenso bombardeio nos dois anos finais.
Lembre-se de que, um ano antes do Real, o então ministro da Fazenda FHC adotou um conjunto de 58 medidas para criar as precondições da estabilização da economia — de pronto combatidas por Lula (vejam abaixo frase de janeiro de 1994).
Como todo mundo sabe, o partido não ficou só na retórica: votou contra a MP do Real no dia 29 de junho de 1995. Foi além. Recorreu ao Supremo com uma ADI (Ação Direita de Inconstitucionalidade) contra o plano. E voltou ao tribunal para tentar derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Abaixo, um pouco do que disseram alguns patriotas.
*
Lula
“Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições” (O Estado de S. Paulo, 15.1.1994).
“O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.1994).
Guido Mantega
“Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber por que essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa” (Folha de S. Paulo, 16. 8.1994).
Marco Aurélio Garcia
“O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro” (O Estado de S. Paulo, 7.7.1994).
Gilberto Carvalho
“Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico” (“O Milagre Real”, de Neuto Fausto de Conto).
Aloizio Mercadante
“O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (“O Milagre Real”, de Neuto Fausto de Conto)
Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos Deputados
“O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (“O Milagre Real”).
Maria da Conceição Tavares
“O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.1994).
Paul Singer
“Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova” (Jornal do Brasil, 11.3.1994).
“O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho” (Folha de S.Paulo, 24.7.1994).
Gilberto Dimenstein
Anotação para a história: o livro “O Milagre Real” acima citado foi escrito integralmente por mim.
“O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de S.Paulo, 31. 7.1994 ).
Anotação para a história: o livro “O Milagre Real” acima citado foi escrito integralmente por mim.
19 dezembro 2013
TRÊS BONS ARTIGOS DE RODRIGO CONSTANTINO SOBRE A INVEJA
Mais um texto para a série “a inveja como causa do socialismo”, dessa vez com base no excelente livro de Ayn Rand:
A lei moral de que o justo é tirar de cada um de acordo com sua habilidade e dar para cada um de acordo com sua necessidade corrompeu milhões de corações ao longo dos anos, e ainda o faz. No entanto, nada poderia ser mais imoral, injusto e ineficaz que este conceito. A novelista Ayn Rand fez um dos melhores retratos das conseqüências dessa máxima colocada em prática, no seu livro Atlas Shrugged, assim como expôs com perfeição os reais motivadores de seus defensores.
Na ficção, infelizmente nada distante da realidade de muitos, uma fábrica de motores decidiu votar um plano onde todos os funcionários iriam trabalhar de acordo com suas habilidades, mas o pagamento seria de acordo com as necessidades. Falaram que o plano objetivava um nobre ideal de justiça. Era chegada a hora de acabar com a ganância individual, com a busca pelo lucro, com a competição selvagem. Todos os trabalhadores seriam uma grande família, e o bem coletivo seria colocado à frente dos interesses particulares.
Um ex-operário relata como o plano funcionou. Tente colocar água num tanque onde há um duto no fundo drenando o líquido mais rápido do que você é capaz de enchê-lo, e quanto mais você joga água dentro, maior fica o duto. Quanto mais você trabalha, mais é demandado de você, até que suas horas trabalhadas multiplicam-se para que seu vizinho tenha sua refeição diária, a esposa dele tenha a operação necessária, sua mãe tenha a cadeira de rodas, o tio dele tenha a camiseta, o sobrinho a escola etc. Até pelo bebê que ainda não veio, por todos à sua volta, mais e mais é demandado de você, sempre em nome da “família”. A cada um pela necessidade, de cada um pela habilidade.
Foi necessário apenas uma reunião para perceberem que todos haviam se transformado em vagabundos pedindo esmolas, pois ninguém poderia reclamar um pagamento justo, não havia direitos e salários, seu trabalho não lhe pertencia, mas sim à “família”, e nada era devido em troca, sendo o único direito sobre ela a “necessidade”. Cada um tinha que demandar tudo, alegar misérias, pois suas misérias, não seu trabalho, tinham tornado-se a moeda de troca. Ninguém podia mais nada. Afinal, ninguém era pago pelo trabalho, pelo valor gerado, mas apenas de acordo com a “necessidade”. Em pouco tempo, sendo a necessidade algo subjetivo, todos passam a necessitar de tudo, e a “família” experimenta enorme crescimento de ressentimento mútuo, trapaças, mentiras. A cirurgia da mãe do vizinho passa a ser vista com desconfiança, pois seu trabalho que paga a conta. Cada nova demanda através do apelo de “necessidade” gera mais intrigas e brigas.
Bebês foram o único item de produção em alta, pois ninguém tinha que se preocupar com os custos dos cuidados de um filho, já que a conta recaía sobre a “família”. Além disso, não havia muito o que fazer, pois a diversão era vista como algo totalmente supérfluo, um dos primeiros itens a ser cortado em nome da “necessidade” de todos. A diversão passa a ser vista quase como um pecado. Um dos meios mais fáceis de se conseguir um aumento no pagamento era justamente pedir uma permissão para ter filhos ou alegar alguma doença grave.
Não há meio mais seguro de destruir um homem que forçá-lo a um mecanismo de incentivo onde seu objetivo passa a ser não fazer o seu melhor, onde sua luta é por fazer um trabalho ruim, dia após dia. Isso irá acabar com ele mais rápido que qualquer bebida ou o ócio. A acusação mais temida era a de ser mais habilidoso que o demonstrado, pois sua habilidade era como uma hipoteca que os outros tinham sobre você. Mas para que alguém iria querer ser mais habilidoso, se seus ganhos estavam limitados pela “necessidade”, e suas habilidades significariam apenas mais trabalho pesado para que outros ficassem com os benefícios?
A explicação dos motivos que levaram tal plano a ser aprovado está na passagem em que o ex-operário diz que não havia um único homem votando que não pensasse que sob tais regras poderia avançar sobre os lucros de outros homens mais habilidosos que ele. Não havia alguém rico ou esperto o suficiente que não achasse que alguém seria mais rico ou mais esperto, e que tal plano daria a ele uma parcela de sua maior fortuna ou cérebro. O trabalhador que gostava da idéia de que sua “necessidade” lhe daria o direito a ter o carro que seu chefe tinha, esquecia que todos os vagabundos do mundo poderiam demandar aquilo que ele tinha conquistado pelo seu trabalho. Este era o verdadeiro motivo para a aprovação deste plano igualitário, mas ninguém gostava de refletir sobre o assunto, e quanto menos gostavam da idéia, mais alto gritavam sobre o amor pelo bem geral.
A fábrica continuou perdendo os melhores homens, pois os habilidosos “egoístas” fugiam como podiam para lugares onde pudessem trabalhar pelos seus próprios interesses, sem terem o fardo de sustentar os parasitas. Em pouco tempo, não havia mais nada além dos homens “necessitados”, pois não tinha um único homem de habilidade. E a fábrica teve que começar a apelar para as suas necessidades tentando não perder todos os seus clientes, pois seus produtos não mais eram competitivos ou eficientes. Mas qual o bem que faz aos passageiros de um avião um motor que falha em pleno vôo? Se o produto for comprado não pelo seu mérito, mas por causa da necessidade dos empregados da fábrica ineficiente, seria isso correto, bom ou a coisa moral a ser feita pelo dono da empresa aérea? Se um cirurgião compra um equipamento não pela sua qualidade, mas pela necessidade dos funcionários do produtor, seria isso correto com seu paciente?
No entanto, é esta a lei moral pregada por vários líderes, intelectuais e filósofos do mundo. A cada um pela necessidade, de cada um pela capacidade. A fábrica da inveja, na brilhante novela de Ayn Rand, faliu, virou uma fábrica de miséria, assim como os países socialistas que tentaram adotar a mesma máxima de vida.
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Dando continuidade ao tema da inveja como causa do socialismo, segue mais um texto com base no mesmo livro de Helmut Schoeck já citado aqui.
A máscara da inveja
“A inveja é a paixão que vê com maligno desgosto a superioridade dos que realmente têm direito a toda a superioridade que possuem.” (Adam Smith)
O escritor argentino Gonzalo Otálora causou polêmica ao defender a cobrança de impostos das pessoas consideradas mais belas para compensar o “sofrimento” daqueles que supostamente foram menos favorecidos pela natureza. O escritor disse que sua iniciativa tem o objetivo de provocar um debate sobre o culto à beleza. Com um megafone, ele foi à frente da Casa Rosada reclamar os “direitos” dos feios. Esperava contar com o apoio do então presidente Kirchner, a quem classifica como “pouco atraente”. Otálora alega que os deboches sofridos na infância prejudicaram sua auto-estima e atrapalharam na conquista de melhores empregos. Em sua opinião, um dos assuntos que deveriam ser debatidos é a representação de “todos os tipos de constituição física” nos desfiles de moda. A inveja é alçada ao patamar de justiça, e a mediocridade é enaltecida enquanto o superior é condenado por suas virtudes, e não vícios.
Ainda que as demandas do argentino feioso pareçam absurdas – e são, elas no fundo representam apenas os ideais igualitários levados ao extremo de sua coerência. No fundo, um igualitário deveria pregar a igualdade plena, abolindo qualquer tipo de diferença entre os indivíduos. Aquele igualitário que prega uma distribuição de riqueza igual entre os indivíduos precisa aplaudir o apelo do argentino sob pena de ser acusado de materialista, caso não o faça. Ora, ficaria evidente demais que ele só pensa em dinheiro! Por que todos deveriam ter uma renda igual, mas rostos diferentes, podendo se destacar pela beleza num desfile? Onde estaria a igualdade? Na verdade, os igualitários, ou socialistas, pregam a igualdade das contas bancárias, assumindo involuntariamente que focam apenas nos bens materiais. Normalmente, são os primeiros a acusar os capitalistas de materialistas, mas só querem saber de dinheiro. Talvez porque demandar igualdade em outros campos tornaria o verdadeiro motivador de suas idéias aparente demais. E este motivador é conhecido: a inveja.
Na década de 1960, os igualitários ganharam força, levando George Orwell a escrever 1984, uma distopia que explorava a inveja na política. O Partido Trabalhista inglês, de esquerda, demandava uma sociedade de iguais “absolutos”. Uma novela satírica iria explorar esta “paixão anti-social”, como dizia Mill, no campo do cotidiano. O escritor inglês L. P. Hartley era o autor, e a obra chamava-se Facial Justice, comentada no excelente livro de Helmut Schoeck sobre o tema, intitulado Envy: a Theory of Social Behaviour. Na sátira, Hartley chega à conclusão lógica através das tendências do século passado, e expressada por Schoeck no seu livro, sobre a estranha tentativa de legitimar o invejoso e sua inveja, de forma que qualquer um capaz de despertar inveja é tratado como anti-social ou criminoso. Em vez de o invejoso ter vergonha de sua inveja, é o invejado que deve desculpas por ser melhor. Há uma total inversão dos valores, explicada apenas por uma completa aniquilação do indivíduo em nome da igualdade coletivista. Os seres humanos passam a ser tratados como insetos gregários, e o indivíduo que ousa se destacar passa a ser tratado como um inimigo da “sociedade”. O rico, ainda que tenha criado sua riqueza de forma honesta através de trocas voluntárias, é execrado pelos invejosos. O sucesso individual é um pecado!
A heroína da novela de Hartley chama-se Jael, uma mulher que, desde o começo, não se conforma com a visão igualitária, recusando-se a aceitar porque pessoas mais bonitas ou inteligentes deveriam se anular como indivíduos por causa da inveja alheia. A novela se passa no futuro, depois de uma Terceira Guerra Mundial, e as pessoas eram divididas de acordo com o grau de aparência. A meta era obter uma igualdade facial, pois a igualdade material não era suficiente para acabar com a inveja: alguns sempre terão algo que os outros não têm e invejam.* Havia um Ministério da Igualdade Facial, e a extirpação dos rostos tipo Alfa, os mais belos, não bastava, pois os rostos tipo Beta ainda estavam em patamar superior aos do tipo Gama. Enquanto todos não tivessem a mesma aparência, não haveria justiça. Ninguém poderia ser desprivilegiado facialmente. Hartley combate a utopia dos igualitários, mostrando que a igualdade financeira jamais iria abolir a inveja na sociedade. Durante sua vida, ele demonstrou aversão a todas as formas de coerção estatal.
No livro Teoria da Personalidade, o psiquiatra G. J. Ballone diz: “Todas as tendências ideológicas que enfatizam a igualdade dos seres humanos, num total descaso para com as diferenças funcionais, ecoam aos ouvidos despreparados com eloqüente beleza retórica, romântica, ética e moral. Transportando tais ideais do papel para a prática, sucumbem diante de incontáveis evidências em contrário: não resistem à constatação das flagrantes e involuntárias diferenças entre os indivíduos, bem como não explicam a indomável característica humana que é a perene vocação das pessoas em querer destacar-se dos demais”. O sonho com um mundo de iguais, como se homens fossem cupins, denota um escancarado complexo de inferioridade. As diferenças agridem este indivíduo, pois ele é incapaz de aceitá-las, provavelmente por detestar ver no espelho aquilo que o diferencia dos demais. A inveja toma conta de seus sentimentos, e a destruição dessas diferenças passa a ser sua meta. Como ele não suporta as conquistas alheias, ele demanda a mediocridade geral. Os coletivistas odeiam admitir que indivíduos possam fazer a diferença. A riqueza precisa ser explicada como um fatalismo coletivista, os méritos individuais precisam ser derrubados, as escolhas individuais cedem lugar ao determinismo, tudo para anular o indivíduo enquanto indivíduo, substituindo-o pelo coletivo.
Em resumo, o que está por trás do igualitarismo é apenas a inveja mesquinha. O socialismo não passa da idealização da inveja. O foco desses igualitários costuma ser somente o material por dois aspectos: é inviável pregar de fato a igualdade facial, por exemplo; e fazê-lo iria rasgar de vez a máscara da hipocrisia que cobre seus apelos invejosos do mais “nobre” altruísmo. Mas a lamentável verdade é que igualitários não suportam as diferenças. E como os indivíduos, felizmente, são diferentes, parece evidente que existirão vários graus distintos de beleza, inteligência, altura, velocidade, talento musical e sim, também renda. Para Bill Gates ficar bilionário, ele não teve que tirar nada de ninguém. Foram os consumidores que, voluntariamente, julgaram os produtos de sua empresa valiosos, pois criavam valor para eles. Logo, não há motivo algum para que o governo meta suas garras na fortuna de Gates de forma compulsória, em nome da “igualdade”. Ele tem o direito de ser bem mais rico que os outros. Aqueles que não aceitam isso, desejando um imposto extorsivo sobre sua fortuna, podem tentar mascarar seu motivador com a desculpa que quiserem, mas isso não mudará o fato de que, por trás dessa máscara, reside somente a abominável inveja daqueles que não são capazes de admirar o sucesso alheio.
* No filme Círculo de Fogo, que conta a história de um soldado russo que precisa enfrentar um sniper enviado pelos nazistas especialmente para matá-lo, isso fica bem evidente quando um companheiro político, interpretado por Joseph Fiennes, acaba traindo Vasily Zaitsev, o soldado russo interpretado por Jude Law. Sua constatação, quando realiza sua traição, expressa a essência da mensagem. Ele descobre que sempre haverá algo no vizinho que desejamos, mas não possuímos, independente da igualdade material. No caso do filme, trata-se do amor de uma mulher, disputada por ambos. A inveja é uma característica da pessoa, não fruto das desigualdades em si, que sempre existirão.
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Ainda no tema da inveja como principal força propulsora das ideias igualitárias do socialismo, segue uma resenha que escrevi sobre o ótimo livro de Helmut Schoeck, que recomendo na íntegra. É preciso desmascarar as “intenções nobres” da esquerda, que servem apenas para mascarar o mais mesquinho dos sentimentos humanos.
Invidia: o socialismo como a idealização da inveja
“Envy is a drive which lies at the core of man’s life as a social being, and which occurs as soon as two individuals become capable of mutual comparison.” (Helmut Schoeck)
A inveja é um sentimento com profundas conseqüências para o progresso da humanidade, e caso não seja devidamente domesticada, pode limitar bastante nossos avanços. O filósofo austríaco Helmut Schoeck escreveu um brilhante livro sobre o tema, chamado Envy: A Theory of Social Behaviour. Seu trabalho deveria ser lido por todos, principalmente por aqueles que defendem uma utopia na qual seria possível construir uma sociedade igualitária, desprovida da inveja. O autor deixa claro, com sólidos argumentos e vasta experiência empírica, que não só é impossível a construção de tal sociedade, como o motivador de seus defensores é muitas vezes a própria inveja.
Em primeiro lugar, é interessante traçar as diferenças entre a inveja e o ciúmes. No caso deste, uma terceira pessoa está envolvida, e o ciumento pretende preservar algo que considera sua propriedade. Ele quer preservar seu ativo de terceiros. Já no caso da inveja, há um impulso destrutivo, onde o outro não ter algo é mais importante que tudo. A eliminação do próprio ativo passa a ser o objetivo. A inveja se mistura muito com o ressentimento, fruto de um sentimento de inferioridade, onde a desgraça alheia é mais importante que a satisfação pessoal do invejoso. Se um vizinho quebrar a perna, o invejoso irá regozijar-se, ainda que isso não faça ele andar melhor. Se um rico for à bancarrota, o invejoso irá comemorar, ainda que isso não o faça mais rico. O homem intensamente invejoso pode inclusive ser possuído pelo desejo de autodestruição, incapaz de tolerar que outros saibam aproveitar a vida e demonstrar felicidade.
Helmut conclui pontos interessantes sobre a inveja, como o fato de mínimas diferenças serem suficientes para despertar muita inveja no homem invejoso, ou que normalmente a inveja está mais atrelada à proximidade das pessoas. Em outras palavras, um não precisa ser um miserável para invejar um rei, sendo mais provável a inveja surgir entre empregados de um mesmo nível onde um deles recebeu um aumento relativo ou um elogio do chefe. Isso derruba o sonho dos igualitários em criar uma sociedade onde todos fossem materialmente iguais, como se isso pudesse eliminar a inveja do mundo. Pelo contrário, em tais sociedades – caso pudessem existir – a inveja seria de um nível bastante elevado, onde um simples agrado de alguém, o olhar de uma mulher, uma mísera demonstração de superioridade intelectual, faria despertar uma inveja incontrolável no invejoso.
No livro, o autor vai buscar os indícios de inveja – e os mecanismos desenvolvidos para evitá-la – nas sociedades mais primitivas que se tem conhecimento. A crença na magia negra, por exemplo, teria pouca diferença da fé socialista de que o pobre é pobre por ser explorado pelo patrão, ou a crença das nações subdesenvolvidas de que assim estão por culpa das nações mais ricas. O uso de algum bode expiatório, seja a magia negra, o desejo dos deuses ou o capitalismo explorador, serve para consolar aqueles invejosos que não suportam o sucesso alheio explicado por mérito ou alguma superioridade qualquer em relação a si próprio. Se o vizinho teve uma colheita melhor, não pode ser pela sua maior eficiência e produtividade, pois isso seria um atestado de superioridade que o invejoso não está disposto a dar. Diferente daquele que observa e admira o sucesso alheio, o invejoso vai buscar refúgio nas “explicações” fantasiosas, como o uso da magia pelo vizinho, a sorte, o destino traçado pelos deuses etc.
Se todos possuem, em diferentes graus, o sentimento de inveja, a busca de proteção contra o invejoso, o “mau olhado”, sempre esteve presente nas diferentes culturas também. Quanto mais uma sociedade conseguiu controlar os invejosos e dar mais espaço e liberdade para os inovadores, mais progresso atingiu. A alocação de escassos recursos não é eficiente quando o medo da inveja alheia é grande demais. Se o fruto do sucesso será tomado por medidas claramente invejosas como o imposto progressivo, deixam de existir os incentivos adequados para que o empreendedor se arrisque. Se as desigualdades não são toleradas, se alguém souber a priori que seu sucesso será motivo de forte inveja por parte de seus vizinhos, as realizações pessoais serão ínfimas, e por conseguinte a da sociedade em questão também.
Por isso que as comunas israelenses, os kibbutzin, jamais seriam capazes de evoluir da subsistência agrária, e o pouco avanço existente vem emprestado de fora, dos países industriais capitalistas. O socialismo, a pura idealização da inveja, onde todos devem ser iguais como os insetos gregários são, seria a vitória da mediocridade sobre o talento, sobre as conquistas individuais. Numa sociedade igualitária, a inveja derrota o sucesso, as realizações pessoais. Eis o ideal dos invejosos, que trabalham para incutir um forte sentimento de culpa naqueles que, de alguma maneira, destacaram-se na sociedade. Temendo a inveja alheia, muitos desses sucumbem também ao sonho – ou pesadelo – igualitário.
Com isso em mente, deixo a conclusão nas palavras do próprio filósofo: “O desejo utópico por uma sociedade igualitária não pode ter surgido por qualquer outro motivo que não a incapacidade de lidar com a própria inveja”.
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