13 setembro 2011

Pesquisando sobre o Bolsa Escola, descobri uma preciosidade.


DISCURSO DO SENADOR CRISTOVAM BUARQUE 5/10/2010

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT-DF) – Antes de passar a palavra ao Senador Heráclito Fortes, eu fico muito feliz com o seu aparte e quero dizer – pedindo licença ao Senador Heráclito Fortes para que S. Exª espere um pouquinho – que, quando alguém fica insistindo muito na paternidade de um filho é porque desconfia da fidelidade da esposa e eu não fico por aí, insistindo na paternidade do Bolsa Escola mas como o senhor levantou, eu quero lembrar que a idéia ficou bem clara, em 1987, no Centro de Estudos Multidisciplinares da UNB, - no Núcleo de Estudos do Brasil Contemporâneo – foi que essa idéia surgiu. Não importa se fui eu que a lancei. Ela surgiu ali. Depois, eu escrevi um texto que debati pelo Brasil inteiro, a partir de 1989 ou 1990 e que, depois, virou um livro que se chama A Revolução nas Prioridades, em que são 100 medidas para mudar o Brasil. A segunda eu, ainda, a chamava de Renda Mínima Vinculada à Educação. A primeira era Um Programa de Creches para o Brasil Inteiro e a terceira era Poupança Escola, ainda sem o nome de poupança. A terceira era o Poupança Escola, ainda sem o nome de poupança.

Em 94, quando fui candidato a governador, aí, num primeiro momento, um assessor me perguntou se a gente não podia apresentar esse projeto para o Distrito Federal. A minha primeira reação foi contrária, porque disse: se trouxermos um programa desses para um estado apenas todo mundo virá para cá. Mas aí eu pensei, e colocamos, sim, no nosso projeto, a exigência de cinco anos, pelo menos, de moradia aqui para receber o direito. A outra coisa que precisava, além da exigência de cinco anos, era criar um nome bonito, porque com o nome de Renda Mínima vinculado à educação ninguém consegue passar a ideia para a população. É bom para livro, é ruim para campanha eleitoral. E aí a gente queria não apenas criar o Programa, mas ganhar votos também, é claro. Foi aí que preparei a ideia e levei para os marqueteiros. Criei a idéia do Bolsa Escola por falta de outro nome. Não sei por que o nome foi esse, era uma Bolsa vinculada à escola. Eles aceitaram. Em 94, comecei a divulgar isso. O meu primeiro gesto de governo foi criar o Bolsa Escola. Logo depois, o Poupança Escola. E aí é que veio o grande erro. Essas duas coisas deviam ter um nome só, o Bolsa Escola deveria ser as duas coisas, a renda mensal com a exigência da frequência às aulas, e o depósito em caderneta de poupança contra a aprovação da criança. Devia ser uma coisa só. Criamos como duas separadas, mas elas funcionaram aqui. O Presidente Fernando Henrique Cardoso, quatro anos depois – e quero dizer que lutei muito nesses quatro anos do Governo, eu aqui e o Presidente Fernando Henrique lá, para que ele criasse...

Lembro de, quando fui visitá-lo na transição, no escritório dele no Lago Sul, ter levado o meu livro de presente para ele, sugerindo: Presidente, por que o Senhor não cria esse Programa? Aliás, quero fazer aqui um registro. Fui do governo paralelo, criado pelo Presidente Lula em 90. Eu levei essa ideia para a reunião do governo paralelo, que foi recusada. O governo paralelo recusou essa ideia. Lembro bem que o Dr. Barelli, que era assessor econômico, disse que não fazia sentido. E o documento que depois publicamos, que é assinado pelo Presidente Lula...

O Sr. Heráclito Fortes (DEM – PI) – V. Exª pode repetir o nome do assessor?

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT – DF) – Barelli, que foi do Dieese. Foi ele que disse que não fazia sentido. Foi eliminado. Tanto que no pequeno documento, assinado...

O Sr. Heráclito Fortes (DEM – PI) – Onde anda ele? V. Exª está aqui, no Senado da República.

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDB – DF) – Não sei. O pequeno documento, assinado pelo então Luiz Inácio Lula da Silva, não presidente, e por mim, numa co-autoria, um documento com propostas para a educação, lançado em 90. Não entrou o Bolsa Escola. O Lula perdeu aí a chance da paternidade, porque não entrou, entraram outras medidas para a educação. E o PT não foi favorável ao Bolsa Escola aqui no Distrito Federal. Sofri muito para convencê-lo disso, especialmente ao Sindicato dos Professores. Isso era chamado de política compensatória, era o nome que se dava. Lembro que eu dizia: por que pagar uma criança para estudar é política compensatória, mas pagar em dólares para alguém já formado ir estudar na Europa não é política compensatória, é investimento? Esse era o debate. Mas diziam: mas é melhor colocar esse dinheiro para pagar melhor os professores. Aí mostrei que se aquele dinheiro fosse distribuído aos professores o aumento seria de 1,5%, não ia adiantar nada, mas era um salário mínimo inteiro o que a gente pagava aqui, o que não proponho para o Brasil todo.

Aqui sim, porque o número é menor, porque é possível, porque custa mais viver aqui do que em pequenas cidades do interior. Então, essa é a idéia, assim que surgiu. O Presidente Fernando Henrique no começo recusou. Eu tenho as cartas guardadas em que eu mandei para ele e para o meu amigo, Paulo Renato Souza, que esnobou a idéia no primeiro momento e insiste que começou em Campinas. Se fosse assim, o Governo Fernando Henrique Cardoso teria começado em 95, se fosse uma coisa lá de Campinas. Agora, Campinas começou a executar praticamente no mesmo momento em que nós aqui. Por quê? Porque o prefeito tinha sido eleito dois anos antes que eu, Grama.

O SR. HERÁCLITO FORTES (DEM – PI) – Grama.

O SR. CRISTOVAM BUARQUE (PDT – DF) – Grama. Ele tinha sido eleito dois anos antes. Eu fui a Campinas ajudar a implantar. Fui lá, conversei com ele, debati com ele e ele implantou, na verdade, quase no mesmo momento mas dois anos depois, no terceiro ano do governo dele e não era exatamente o Bolsa Escola, estava mais perto do Bolsa Família. Primeiro, porque a gestão era na Secretaria de Assistência Social, não na Secretaria de Educação; segundo, porque a vinculação à educação não era suficientemente rígida. O Presidente Fernando Henrique Cardoso, então, demorou muito, mas no fim colocou. E, quando colocou – a isso é preciso fazer justiça – ele teve uma generosidade raríssima em um político, ele manteve o nome de um programa que vinha do governo de um partido a que ele fazia oposição. E nas reuniões de criação do programa dentro do Governo Fernando Henrique muitos sugeriram que mudasse o nome. E foi ele – eu soube depois – foi ele, o próprio Fernando Henrique que disse: “Não, esse nome está aí, vamos manter esse nome”. Essa é uma generosidade muito rara na política. O que mais a gente faz em política é mudar o nome daquilo que o governador, o presidente ou o prefeito de antes fez.
O Presidente Fernando Henrique Cardoso manteve o nome. Se não fosse isso, o nome Bolsa Escola tinha desaparecido, porque, vamos falar com franqueza, o nome Bolsa Escola só se espalhou porque virou um programa nacional.

10 setembro 2011

"9/11 - THE NAUDET BROTHERS DOCUMENTARY"


Quem ainda não assistiu ao documentário "9/11 - The Naudet Brothers Documentary" não deixe de ver, é terrivelmente fantástico. O filme traz imagens feitas antes, durante e depois da tragédia. Vale dizer que o filme tem 1 hora e 44 minutos.

SINOPSE

O material foi registrado por acaso pelos irmãos franceses Jules e Gedeon Naudet, que, ainda em julho, começaram a registrar a rotina de um típico bombeiro norte-americano, acompanhando o dia de treinamento de um novato “virando homem”. Depois de acompanhar durante vários meses a vida do jovem futuro bombeiro, Tony Benetatos, sem que nada de importante acontecesse, por ironia do destino na manhã de 11 de setembro de 2001 eles estavam no lugar certo e na hora certa, sendo os únicos a registrar o início da tragédia, quando o primeiro avião atingiu uma das torres.

O destino, além de colocar os dois documentaristas em meio à loucura, também os separou. Jules tinha ido fazer a cobertura de um singelo vazamento de gás nas ruas, enquanto Gedeon ficava no posto dos bombeiros captando imagens do novato Tony Benetatos. Por golpe desse mesmo destino, o jovem cinegrafista Jules Naudet, menos experiente com a câmera que seu irmão, Gedeon, conseguiu captar a única imagem do primeiro avião colidindo com o World Trade Center, registrando um evento que entraria para a história, daqueles que, em séculos, é possível presenciar uma única vez.

Por instinto ou mero acaso, ao ouvir um forte rugido no céu Jules virou sua câmera com o foco no avião no exato momento de registrar a única imagem existente da primeira aeronave colidindo com o World Trade Center.

Dentro de uma das torres ou fora delas, as imagens dos dois irmãos se buscam o tempo todo. Em seus melhores momentos, as imagens do documentário são caóticas e confusas como a própria vida. Ninguém, nem o aprendiz de cinegrafista nem os bombeiros veteranos, sabe muito bem o que está acontecendo ou o que fazer. O medo está no olhar de todos. Pelas imagens, não se entende nem se tenta explicar nada.

O que há de mais importante e dramático neste documentário não são as palavras nem as imagens. Não há como esquecer a horrível trilha sonora - um barulho ensurdecedor ao fundo que insistia em alertar que corpos caiam como uma chuva macabra. O som da morte. Mas o documentário não traz nenhuma imagem grotesca ou chocante. Em “9/11”, o medo e a correria não podem ser confundidos com a falta de profissionalismo. Os cineastas evitaram mostrar cenas fortes, como pessoas queimadas ou corpos caindo de cima do prédio. O som das quedas sobre o saguão é ainda mais assustador que qualquer imagem sensacionalista. As imagens são preenchidas pela nossa própria imaginação.

O feito mais impressionante de “9/11” é colocar o espectador dentro do WTC no momento em que a primeira torre desaba. Jules estava junto da equipe de bombeiros no saguão de um dos prédios. Vários homens já haviam subido para iniciar o resgate. De repente, o som ao fundo cresce. Desta vez não são mais os corpos que caem, mas o mundo inteiro que está desabando. A primeira torre começa a ruir, a poeira escurece tudo e a pequena luz da câmera do jovem Jules é que indica o único caminho para a fuga. Não se vê nada. A câmera de Gideon registra sua fuga desse inferno e testemunha, sempre "ligada", sua própria luta pela vida.

Na seqüência, começa a correria para encontrar uma saída – o que se vê é apenas poeira e mais poeira, a se perder de vista. Pelas ruas, Jules continua a captar imagens impressionantes.

Ao desligarem suas câmeras para o triste/alegre reencontro (não sabiam o paradeiro do outro), um terceiro cinegrafista registra o momento de lágrimas entre os franceses.


9/11 (The Naudet Brothers Documentary)

05 novembro 2010

Assino embaixo, com um único adendo: no penúltimo parágrafo o autor poderia ter ido além e concluído: "Mas Fernando Henrique fez, tanto que nem Lula, com seus estratosféricos 80% de aprovação, ousou mudar os paradigmas da revolução de FHC".

Gestão Lula, sucesso ou desastre?

Passada a eleição, acho que é hora de um balanço dos oito anos de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República. Façamo-lo pelo método cebola, que é o de analisar por camadas.

Numa primeira leitura, a administração foi um sucesso. Provam-no os mais de 80% de popularidade obtidos pelo mandatário e, principalmente, o fato de ter conseguido fazer seu sucessor, mesmo sendo ele Dilma Rousseff. Nada pessoal contra a presidente eleita --a quem desejo sucesso--, mas, convenhamos, ela não foi a candidata dos sonhos dos marqueteiros: não é exatamente uma miss simpatia nem excele na arte de Cícero.

Voltando a Lula, os brasileiros ainda não ficamos todos malucos. Sua gestão é bem avaliada porque tem resultados bastante positivos a exibir, especialmente no campo econômico. Para além do fato de o Brasil ter passado sem grandes solavancos pela crise mundial, a pior desde 1929, foi sob Lula que amplos contingentes da população entraram no maravilhoso mundo do consumo, seja, na fatia mais pobre, através de programas como o bolsa-família e o aumento real do salário mínimo, seja, nos setores médios, por meio da ampliação do crédito e de ferramentas indiretas como o Prouni. Não chega a ser um ovo de colombo. A pergunta que cabe aqui é: por que ninguém fez isso antes? Sob essa chave, é mais do que justo que Lula e seus aliados gozem dos dividendos eleitorais proporcionados por essas políticas.

Numa segunda camada, porém, acho que dá para afirmar que o PT não é o único --e nem mesmo o principal-- artífice da bonança econômica. O Brasil vai agora relativamente bem porque se formaram alguns consensos importantes em relação, principalmente, a qual modelo seguir. Desde então, paramos de inventar bruxarias e tentar reinventar a roda. Firmes em direção a um norte, e com uma mãozinha da China que compra quase tudo o que somos capazes de extrair da terra, os resultados apareceram.

Para sermos honestos, é preciso dizer que esse consenso se formou apesar do PT, que, enquanto estava na oposição, fez o possível para sabotá-lo. A cada oportunidade que tinham, Lula e seus seguidores denunciavam o ajuste fiscal, as privatizações e a própria economia de mercado, a que tachavam de neoliberalismo. Foi só na iminência de chegar ao poder que o partido finalmente aderiu ao consenso, cujas sementes haviam sido lançadas na gestão Fernando Collor de Mello e que ganhou corpo sob o governo de Fernando Henrique Cardoso. Numa das mais reveladoras declarações de sua carreira, o já presidente Lula admitiu que, enquanto oposição, o que partido fazia eram "bravatas".

Resquícios desse discurso "bravatista" apareceram agora na campanha, quando Dilma tentou apresentar José Serra como o homem que privatizaria a Petrobras. Se quisermos há elementos dessa retórica na própria administração, em especial nas relações externas, que ainda tentam pintar os EUA como a encarnação do mal e ensaia desastradas aproximações sentimentais com regimes que se afirmem de esquerda ou se oponham ao "império".

Aqui, o analista generoso afirmará que o PT, depois de muito tempo, finalmente aprendeu o beabá dos fundamentos econômicos e mudou para melhor. O crítico mais impiedoso dirá que são um bando de oportunistas que dançam conforme a maré e tomam para si glórias alheias. De minha parte, fico no meio do caminho entre essas duas posições mais caricaturais.

A terceira camada é mais difícil de descascar. São os gomos da ética. No espaço de menos de dois anos, entre o início da administração, em 2003, e a eclosão do escândalo do mensalão, em 2005, o PT passou de partido principista, que não admitiu nem mesmo participar do "espúrio" colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves e pôs fim ao ciclo autoritário, a legenda pragmática radical, que se alia sem hesitar aos Sarneys, Collors e Renans deste país.

E aqui, que me perdoem os intelectuais do PT, não dá para pretender que o partido esteja promovendo algum tipo de revolução silenciosa. Muito pelo contrário, qualquer transformação minimamente progressista do Brasil passaria por contrariar ativamente os interesses dessa oligarquia. Não fazê-lo é, na minha leitura, o atestado de óbito ideológico do PT.

Não estou evidentemente dizendo que teria sido fácil livrar o país de suas centenárias estruturas de perpetuação do atraso. É até arguível que seria impossível fazê-lo. O que afirmo, e lamento, é que, quando chegou ao Planalto e teve a oportunidade de pelo menos tentar modernizar o Brasil, o PT preferiu o caminho mais confortável de compor com os inimigos de ontem para com eles partilhar as prebendas de hoje --e amanhã.

Muito mais do que uma mudança estrutural, o governo Lula representou uma mera troca de guarda entre os inquilinos do poder. Enquanto os deuses da economia sorriem para o país, é relativamente fácil administrar a casa. Mas, quando a situação se inverter, em algum momento dos próximos anos, os limites das atuais políticas ficarão claros. As alianças de hoje darão sinais de instabilidade e, no pleito seguinte, quase certamente experimentaremos uma alternância no poder. É o ritmo da democracia.

Nesse meio tempo, é claro, estamos melhorando, embora não na velocidade desejável. Um setor tão fundamental como a educação ainda se ressente de uma revolução qualitativa. Mas melhorar é a ordem natural das coisas. Exceto em casos de guerra ou de crises catastróficas, a humanidade caminha sempre para a frente. Muito mais raros --e preciosos-- são aqueles líderes que introduzem ou dão substância a mudanças de paradigma, seja na economia, na política ou nos costumes. E isso Lula não fez.

Um juízo mais conclusivo da administração depende evidentemente das expectativas iniciais do eleitor. Para quem não esperava nada ou temia o caos, Lula foi uma grata surpresa. Já para quem apostava no PT da ética e dos princípios republicanos, a gestão revelou-se desastrosa. Façam suas escolhas.

Hélio Schwartsman

21 outubro 2010

(réplica ao artigo de Amin)
DIÁRIO CATARINENSE - 21 de outubro de 2010

A VERDADE DA ELEIÇÃO

A célebre frase do diplomata francês Talleyrand - "Eles não aprenderam nada nem esqueceram nada" - cabe como uma luva para definir o sempre ressentido Esperidião Amin.

Talleyrand referia-se aos nobres franceses que voltavam do exílio. Tendo perdido suas propriedades, status e poder, retornavam à França ansiosos por recuperar o que haviam perdido, certos de que tudo voltaria a ser como antes. Não percebiam que a Revolução havia mudado a sociedade francesa para sempre e que aquelas mudanças não tinham mais volta. A nobreza nunca mais recuperaria o poder que tivera no ‘Antigo Regime’, pois o povo havia conquistado espaços políticos dos quais não mais abriria mão.

Apesar de dizer que seu artigo publicado ontem neste espaço não seria choro de derrotado, não foi outra coisa que fez o ex-governador. Segundo ele, “em Santa Catarina, a escolha ocorreu em primeiro turno, sem a efetiva comparação entre mudar e continuar. A sociedade catarinense colherá os frutos da sua decisão”. Disse mais o lamuriento perdedor (que perdedor não é, pois, afinal, ganhou dos catarinenses um mandato de deputado, que parece desprezar): “o segundo turno de uma eleição favorece a comparação mais apurada de ideias, personalidades, credibilidade e circunstâncias, entre outros fatores”, e lamentou a “a falta de confronto mais amplo”, que teria deixado sem esclarecimento questões relativas à segurança pública, saúde, educação, sustentabilidade, agricultura, descentralização.

Data máxima vênia, penso, democraticamente, que seu choro é fruto de uma lógica estranha.

O primeiro turno teve 47 dias de propaganda eleitoral e o segundo apenas 15. O eleitor só pede um pouco mais de tempo para pensar quando não tem segurança em relação ao que viu e ouviu durante os primeiros 45 dias. É o caso da eleição presidencial, pois ainda há muitas incógnitas e dúvidas no ar. Não foi o caso em Santa Catarina.

Amin, que parece considerar a si e aos seus como donatários de uma capitania, insiste em não aprender nada e não esquecer nada.

ÁLVARO JUNQUEIRA – CONSULTOR-GERAL DO GABINETE DO GOVERNADOR

(artigo de Amin)
DIÁRIO CATARINENSE - 20 de outubro de 2010

Eleições 2010

O segundo turno de uma eleição favorece a comparação mais apurada de ideias, personalidades, credibilidade e circunstâncias, entre outros fatores. Para presidente da República, o Brasil ganha com o confronto, apesar das distorções sobre ética e religião que se observam. Em Santa Catarina, a escolha ocorreu em primeiro turno, sem a efetiva comparação entre mudar e continuar. Abstraído o mérito do grupo vencedor, o resultado sinaliza, democraticamente, continuidade.
Os vizinhos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul também tiveram decisão em primeiro turno, vencendo a oposição. A alternância ensejará aprimoramentos e correções. A sociedade catarinense colherá os frutos da sua decisão. Penso, democraticamente, que o resultado será sofrível, por erros conceituais e decisórios que a falta de confronto mais amplo deixou sem esclarecimento.
Na segurança pública, o candidato da situação invectivou contra a partidarização da Aprasc, sem criticar a partidarização da própria cúpula gestora. Na saúde, propagou a construção de um hospital (ou ala?) público, mas defendeu o modelo de hospitais filantrópicos. Na educação, que compromissos foram assumidos face à realidade e desafios postos? Sustentabilidade? Afinal, valem os premiados com troféus motosserra ou a voz da candidata Marina?
Agricultura, políticas públicas para crianças, jovens e idosos são indagações. Os cargos comissionados espalhados por 36 secretarias regionais, já chamadas de “cabides de empregos”, equivalem à descentralização? Se o governo federal adotasse essa equação, criaria 900 ministérios regionais! A isso não chamaríamos, também, de “aparelhamento” do governo?
Longe de ser choro de derrotado, esta reflexão estimula a pensar propostas para a reforma política que todos sabemos ser necessária. Quanto ao choro, prefiro o conselho do beduíno: “Não chores por ter perdido o sol, pois as lágrimas não te deixarão ver as estrelas!”

ESPERIDIÃO AMIN - EX-GOVERNADOR DE SC, DEPUTADO FEDERAL ELEITO (PP)

23 setembro 2010

MAQUIADORES DO CRIME
Olavo de Carvalho - 20/9/2010


A única reação eficaz à espiral do silêncio é quebrá-la - e não se pode fazer isso sem quebrar, junto com ela, a imagem de respeitabilidade dos que a fabricaram.

Lenin dizia que, quando você tirou do adversário a vontade de lutar, já venceu a briga. Mas, nas modernas condições de "guerra assimétrica", controlar a opinião pública tornou-se mais decisivo do que alcançar vitórias no campo militar. A regra leninista converte-se portanto, automaticamente, na técnica da "espiral do silêncio": agora trata-se de extinguir, na alma do inimigo, não só sua disposição guerreira, mas até sua vontade de argumentar em defesa própria, seu mero impulso de dizer umas tímidas palavrinhas contra o agressor.

O modo de alcançar esse objetivo é trabalhoso e caro, mas simples em essência: trata-se de atacar a honra do infeliz desde tantos lados, por tantos meios de comunicação diversos e com tamanha variedade de alegações contraditórias, com frequência propositadamente absurdas e farsescas, de tal modo que ele, sentindo a inviabilidade de um debate limpo, acabe preferindo recolher-se ao silêncio. Nesse momento ele se torna politicamente defunto. O mal venceu mais uma batalha.

A técnica foi experimentada pela primeira vez no século 18. Foi tão pesada a carga de invencionices, chacotas, lendas urbanas e arremedos de pesquisa histórico-filológica que se jogou sobre a Igreja Católica, que os padres e teólogos acabaram achando que não valia a pena defender uma instituição venerável contra alegações tão baixas e maliciosas. Resultado: perderam a briga.

O contraste entre a virulência, a baixeza, a ubiquidade da propaganda anticatólica e a míngua, a timidez dos discursos de defesa ou contra-ataque, marcou a imagem da época, até hoje, com a fisionomia triunfante dos iluministas e revolucionários. Pior ainda: recobriu-os com a aura de uma superioridade intelectual que, no fim das contas, não possuíam de maneira alguma. A Igreja continuou ensinando, curando as almas, amparando os pobres, socorrendo os doentes, produzindo santos e mártires, mas foi como se nada disso tivesse acontecido.

Para vocês fazerem uma idéia do poder entorpecente da "espiral do silêncio", basta notar que, durante aquele período, uma só organização católica, a Companhia de Jesus, fez mais contribuições à ciência do que todos os seus detratores materialistas somados, mas foram estes que entraram para a História - e lá estão até hoje - como paladinos da razão científica em luta contra o obscurantismo. (Se esta minha afirmação lhe parece estranha e - como se diz no Brasil - "polêmica", é porque você continua acreditando em professores semianalfabetos e jornalistas semialfabetizados. Em vez disso, deveria tirar a dúvida lendo John W. O'Malley, org. The Jesuits: Cultures, Sciences, and The Arts, 1540-1773, 2 vols., University of Toronto Press, 1999, e Mordecai Feingold, org., Jesuit Science and the Republic of Letters, MIT Press, 2003).

Foi só quase um século depois desses acontecimentos que Alexis de Tocqueville descobriu por que a Igreja perdera uma guerra que tinha tudo para vencer. Deve-se a ele a primeira formulação da teoria da "espiral do silêncio", que, em extensa pesquisa sobre o comportamento da opinião pública na Alemanha, Elizabeth Noëlle-Neumann veio a confirmar integralmente em The Spiral of Silence: Public Opinion, Our Social Skin (2ª. ed., The University of Chicago Press, 1993).

Calar-se ante o atacante desonesto é uma atitude tão suicida quanto tentar rebater suas acusações em termos "elevados", conferindo-lhe uma dignidade que ele não tem. As duas coisas jogam você direto na voragem da "espiral do silêncio". A Igreja do século 18 cometeu esses dois erros, como a Igreja de hoje os está cometendo de novo.

A sujidade, a vileza mesma de certos ataques são planejadas para constranger a vítima, instilando nela a repulsa de se envolver em discussões que lhe soam degradantes e forçando-a assim, seja ao silêncio, seja a uma ostentação de fria polidez superior, que não tem como não parecer mera camuflagem improvisada de uma dor insuportável e, portanto, uma confissão de derrota. Você não pode parar um assalto recusando-se a encostar um dedo na pessoa do assaltante ou demonstrando-lhe, educadamente, que o Código Penal proíbe o que ele está fazendo.

As lições de Tocqueville e Noëlle-Newman não são úteis só para a Igreja Católica. Junto com ela, as comunidades mais difamadas do universo são os americanos e os judeus. Os primeiros preferem antes pagar por crimes que não cometeram do que incorrer numa falta de educação contra seus mais perversos detratores. Os segundos sabem se defender um pouco melhor, mas se sentem inibidos quando os atacantes são oriundos das suas próprias fileiras - o que acontece com frequência alarmante.

Nenhuma entidade no mundo tem tantos inimigos internos quanto a Igreja Católica, os EUA e a nação judaica. É que viveram na "espiral do silêncio" por tanto tempo que já não sabem como sair dela - e até a fomentam por iniciativa própria, antecipando-se aos inimigos.

A única reação eficaz à espiral do silêncio é quebrá-la - e não se pode fazer isso sem quebrar, junto com ela, a imagem de respeitabilidade dos que a fabricaram. Mas como desmascarar uma falsa respeitabilidade respeitosamente? Como denunciar a malícia, a trapaça, a mentira, o crime, sem ultrapassar as fronteiras do mero "debate de idéias"?

Quem comete crimes não são ideias: são pessoas. Nada favorece mais o império do mal do que o medo de partir para o "ataque pessoal" quando este é absolutamente necessário. Aristóteles ensinava que não se pode debater com quem não reconhece - ou não segue - as regras da busca da verdade.

Os que querem manter um "diálogo elevado" com criminosos tornam-se maquiadores do crime. São esses os primeiros que, na impossibilidade de um debate honesto, e temendo cair no pecado do "ataque pessoal", se recolhem ao que imaginam ser um silêncio honrado, entregando o terreno ao inimigo. A técnica da "espiral do silêncio" consiste em induzi-los a fazer precisamente isso.

02 julho 2010

09 maio 2010

Depois de tanto trabalho para repaginar e reprogramar a Dilma, que bicho será que vai dar?



















01 abril 2010

Na seqüência, uma série de vídeos do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, promovido pelo Instituto Millenium no dia 1º de março de 2010.
Abertura: Roberto Civita / Min. Hélio Costa

1º Painel = Cenários, Tendências e Práticas na América Latina
ADRIÁN VENTURA (colunista do jornal La Nación - Argentina)
CARLOS VERA (âncora da TV Ecuavisa - Equador)
MARCEL GRANIER (proprietário da RCTV - Venezuela)
Mediador: Marcelo Rech

2º Painel = Ameaças à Democracia no Brasil
DEMÉTRIO MAGNOLI
DENIS ROSENFIELD
AMAURY DE SOUZA
Mediador: Tonico Ferreira

3º Painel = Restrições à Liberdade de Expressão
ARNALDO JABOR
CARLOS ALBERTO DI FRANCO
SIDNEI BASILE
Mediador: Luis Erlanger

4º Painel = Liberdade de Expressão e Estado Democrático de Direito
MARCELO MADUREIRA
ROBERTO ROMANO
Mediador: William Waack

Painel Especial de Encerramento: Democracia & Liberdade de Expressão
ANTÔNIO PALLOCCI
MIRO TEIXEIRA
OTÁVIO FRIAS FILHO
Mediador: Carlos Alberto Sardenberg


PALESTRA DE ABERTURA: ROBERTO CIVITA




MARCEL GRANIER 1


MARCEL GRANIER 2






MARCEL GRANIER 3




CARLOS VERA 1


CARLOS VERA 2


CARLOS VERA 3







CARLOS VERA 4


ADRIÁN VENTURA 1


ADRIÁN VENTURA 2






ADRIÁN VENTURA 3




DENIS ROSENFIELD 1


DENIS ROSENFIELD 2


DENIS ROSENFIELD 3


DENIS ROSENFIELD 4


DENIS ROSENFIELD 5


ARNALDO JABOR 1






ARNALDO JABOR 2




ARNALDO JABOR 3


DEMÉTRIO MAGNOLI 1






DEMÉTRIO MAGNOLI 2




DEMÉTRIO MAGNOLI 3






DEMÉTRIO MAGNOLI 4




DEMÉTRIO MAGNOLI 5


DEMÉTRIO MAGNOLI 6


AMAURY DE SOUZA 1






AMAURY DE SOUZA 2




AMAURY DE SOUZA 3


ANTONIO PALOCCI 1






ANTONIO PALOCCI 2




ANTONIO PALOCCI 3


MARCELO MADUREIRA 1




MARCELO MADUREIRA 2




ROBERTO ROMANO 1






ROBERTO ROMANO 2




CARLOS ALBERTO DI FRANCO 1


CARLOS ALBERTO DI FRANCO 2


CARLOS ALBERTO DI FRANCO 3


MIRO TEIXEIRA 1






MIRO TEIXEIRA 2




MIRO TEIXEIRA 3


SIDNEI BASILE 1




SIDNEI BASILE 2


SIDNEI BASILE 3


OTÁVIO FRIAS FILHO 1


OTÁVIO FRIAS FILHO 2


HÉLIO COSTA 1


HÉLIO COSTA 2


21 março 2010

20 fevereiro 2010

A "ciência lúgubre" (economia) brilha intensamente nesta palestra otimista, quando o economista Alex Tabarrok argumenta que o livre comércio e a globalização estão transformando nosso mundo, até então dividido, numa comunidade que compartilha ideias de forma mais saudável, feliz e próspera do que jamais prevista.
Nina Jablonski afirma que cores de pele diferentes são simplesmente a adaptação de nossos corpos a variados climas e níveis de exposição a UV. Charles Darwin discordava dessa teoria, mas ela explica, é porque ele não tinha acesso à NASA.
Barry Schwartz faz um apelo entusiasmado à "sabedoria prática" como um antídoto a uma sociedade enlouquecida com a burocracia. Ele argumenta de forma veemente que as regras muitas vezes nos falham, incentivos podem se tornar tiros que saem pela culatra, e que a sabedora prática nos ajudará a reconstruir o mundo.

22 janeiro 2010

EM MEIO À DESGRAÇA ABSOLUTA, CONSEGUI CHORAR DE ALEGRIA COM KIKI!!!






















foto de matthew mcdermott/polaris

VEJA O VÍDEO DA CBS: