26 setembro 2008

OLHO VIVO SAMPA!

SHORT STORY - SOAP OPERA

As crises das economias liberais são assim: chegam depressa, causam medo numa semana. São dramáticas. São uma short story fulminante.
As crises das economias "socialistas" são lentas, não causam medo numa semana, mas geram a modorra durante décadas. Não são uma short story, são uma gigantesca soap opera venezuelana.
Enterram os países numa curva descendente lenta e mortal. Morre-se aos bocadinhos.
A Europa e Portugal estão assim: a morrer aos bocados. A crise americana não deve ser o álibi para não fazermos as reformas que são necessárias.


publicado por Henrique Raposo/BLOG ATLÂNTICO

OBAMA (HOSANA!) NAS ALTURAS


Podemos admirar Churchill, Roosevelt ou Thatcher. Mas nunca durante o consulado de Churchill, Roosevelt ou Thatcher.
Questão de ceticismo. Ou sanidade.
Um político é um político. Um julgamento histórico é um julgamento histórico. O primeiro faz-se em cima do tempo. O segundo faz-se com distância sobre ele.
Curiosamente, esta prudência básica não é aplicada a Barack Obama, um candidato com retórica de pastor evangelista que já conseguiu o seu rebanho fanático. Não apenas nos Estados Unidos, o que se entende. Mas na Europa e, particularmente, em Portugal, o que não se entende: na opinião publicada, não faltam por aí pequenos "obamas" que declaram o seu total apoio ao candidato, como se isso fizesse qualquer diferença. Não faz, exceto para mostrar a megalomania serôdia da seita.

João Pereira Coutinho, no Expresso

19 setembro 2008

TOUS VA TRÈS BIEN MADAME LA MARQUISE


Nada poderia ser mais adequado do que o post abaixo na atual conjuntura, em que, apesar da gravíssima crise econômica mundial, o nosso ministro da Fazenda estimula o povão a gastar e consumir à vontade, sem se preocupar com a crise dos "gringos"; em que o nosso presidente reforça as asnices do seu subordinado dizendo que ele mata a crise no peito e vai buscar a grana que for necessária (onde? de quem? a que taxas?); em que nenhuma autoridade dá ouvidos às vozes sensatas que, há tempos, vêm alertando de que a aparente bonança, o ilusório céu de brigadeiro, poderiam se transformar, de uma hora para outra, em tempestade; em que, por cálculo político, ou "inguinorança" mesmo, deixam de enxugar a máquina pública, inchando-a e engordando-a com os seus apaniguados.


Ouça a música (Ray Ventura Et Ses Collégiens - 1935) e leiam a letra (só tenho em francês, original, mas dá para entender boa parte).

Para quem quiser, está disponível no Youtube.







TOUS VA TRÈS BIEN MADAME LA MARQUISE

- Allô, allô, James? Quelle nouvelle? Absente depuis 15 jours, au bout du fil, je vous appelle que trouverai-je à mon retour?
- Tout va très bien, Madame la Marquise. Tout va très bien, tout va très bien. Pourtant il faut que l´on vous dise, on déplore un tout petit rien... Un incident, une bêtise, la mort de votre jument grise. Mais à part ça, Madame la Marquise, tout va très bien, tout va très bien.
- Allô, allô, Martin? Quelle nouvelle? Ma jument grise morte aujourd´hui? Expliquez-moi, cocher fidèle, comment cela s´est-il produit?
- Cella n´est rien, Madame la Marquise. Cella n´est rien tout va très bien. Pourtant il faut que l´on vous dise, on déplore un tout petit rien... Elle a péri dans l´incendie qui détruisit vos écuries. Mais à part ça, Madame la Marquise, tout va très bien, tout va très bien.
- Allô, allô, Pascal? Quelle nouvelle? Mes écuries ont donc brülé? Expliquez-moi, mon chef modèle, comment cela s´est-il passé?
- Cella n´est rien, Madame la Marquise. Cella n´est rien tout va très bien. Pourtant il faut il faut que l´on vous dise, on déplore un tout petit rien... Si l´écurie brüla, Madame, c´est que le château était en flammes. Mais à part ça, Madame la Marquise, tout va très bien, tout va très bien.
- Allô, allô, Lucas? Quelle nouvelle? Notre château est donc détruit? Expliquez-moi, car je chancelle, comment cela s´est-il produit?
- Eh bien voilà, Madame la Marquise. Apprenant qu´il était ruiné à peine fut-il revenu de sa surprise, que Monsieur le Marquis s´est suicidé... Et c´est en ramassant la pelle, qu´il renversa toutes les chandelles, mettant le feu à tout le château, qui se consuma de bas em haut, le vent soufflant sur l´incendie, le propage a sur lécurie, et c´est ainsi qu´en um moment, on vir périr votre jument... Mais à part ça, Madame la Marquise, tout va très bien, tout va très bien.