29 novembro 2012

O MASSACRE DE KATYN

Hitler e Stálin haviam assinado o infame tratado Molotov-Ribbentrop, em 23 de agosto de 1939, supostamente de não-agressão, mas, de fato, de cooperação entre os dois regimes totalitários com vistas a repartir a Europa após a ocupação e destruição das democracias liberais. Em seguida, em setembro, primeiro os nazistas, depois os comunistas invadiram a Polônia e fizeram uma pletora de barbaridades no país, entre os quais se destaca o Massacre da Floresta de Katyn.


Vale lembrar que o dia 23 de agosto foi recentemente reconhecido, na Europa, como Dia da Memória das Vítimas de todos os regimes autoritários e totalitários. Vale também sempre rever a análise do cientista político francês Alain Besançon sobre as razões pelas quais as barbáries cometidas pelo comunismo são tão pouco conhecidas.

Entre essas razões, ressalta-se o fato de que o nazismo perdeu a guerra enquanto a URSS posou inclusive de aliada, no fim das contas, para a derrota de Hitler. E como diz o velho ditado, a história é escrita pelo vencedor. Como Hitler resolveu atacar inclusive seu até então amigo Stálin (em junho de 1941), não restou ao sanguinário comunista outra opção que não defender-se e se unir aos inimigos do seu inimigo. Depois, tratou de reescrever a história ao sabor de seus interesses, pondo a culpa de muitas de suas atrocidades nas costas dos ex-colegas nazistas. E, diga-se, para seu opróbrio, sob o silêncio cúmplice dos aliados.

O caso do Massacre da Floresta de Katyn foi um desses episódios em que os soviéticos culparam os nazistas por um crime que, de fato, eles próprios haviam cometido.

Mas como tem gente que nunca esquece, em 2007 o diretor polonês Andrzej Wajda trouxe à luz a verdade sobre esse evento trágico para seu povo e para sua própria família, já que perdeu o pai no massacre.

Para uma análise crítica do filme, logo abaixo há uma resenha de Isabela Boscov, para a Veja de 8 de abril de 2009.

VEJA O FILME... E HORRORIZE-SE!



SOB A NÉVOA DA GUERRA
Isabela Boscov - Revista Veja, 8 de abril de 2009


Na primeira cena de Katyn (Polônia, 2007), dois grupos de refugiados encontram-se no meio de uma ponte, em algum lugar da Polônia. Parte deles vem do oeste, fugindo dos invasores nazistas, enquanto a outra parte vem do leste, tentando escapar dos invasores soviéticos. Ou seja: chegou-se ao ponto onde não há mais saída – e essa é a imagem ao mesmo tempo literal e metafórica da terrível má sorte que desabou sobre os poloneses em 1939.


Imprensada pela geografia entre os dois regimes totalitários mais cruéis do período, a Polônia virou um palco para as piores tensões da II Guerra. Sua invasão pelos nazistas foi, primeiro, o estopim do conflito. Depois, enquanto o farsesco pacto de não agressão entre Adolf Hitler e Josef Stalin vigorou, o país se viu repartido entre dois exércitos de nacionalidades e métodos diferentes, mas objetivos idênticos – quebrar a espinha do ocupado e ensaiar as práticas expansionistas que logo estenderiam pelo mundo. Finalmente, quando ficou claro que nenhum acordo poderia conter o choque entre as ambições de Hitler e Stalin, o país passou a ser sistematicamente eviscerado pelos dois adversários.


Um episódio central simboliza esse processo: em abril de 1940, os soviéticos fuzilaram cerca de 12.000 oficiais poloneses na floresta de Katyn. Contando-se os fuzilamentos em outros campos de prisioneiros, o total de assassinados chegou a 20.000. Muitos destes eram reservistas e atuavam como engenheiros, técnicos ou cientistas. Sem eles, calculava Stalin, seria muito mais difícil à Polônia reerguer-se (Hitler, por sua vez, já se havia incumbido do extermínio dos intelectuais poloneses). Em 1943, quando as valas comuns foram descobertas, os nazistas aproveitaram-se ao máximo delas para propaganda antissoviética. Em menos de dois anos, porém, a Alemanha foi derrotada, e a Polônia caiu na órbita da União Soviética – a qual reescreveu a história, atribuindo o massacre de Katyn aos nazistas e alardeando-se de ser a verdadeira esperança dos poloneses. A Polônia inteira sabia tratar-se de uma mentira; mas quem o dissesse enfrentaria tortura, exílio ou morte. Eis, então, como uma nação foi refundada sobre uma farsa.

Essa é a história que o grande diretor polonês Andrzej Wajda conta, pela primeira vez na história do cinema de seu país, em KATYN. O pai de Wajda foi uma das vítimas do massacre, e durante anos sua mulher e filho aguardaram que ele voltasse. Quando souberam de sua morte, mal puderam cumprir o luto. Logo, como todos os outros parentes dos fuzilados, tiveram de assumir a falsidade. O massacre e sua subsequente dissimulação feriram a Polônia até a alma: como Wajda mostra em seu filme, numa brilhante recriação não apenas do episódio, mas da dimensão emocional que ele adquiriu, o ocorrido em Katyn pisoteou a identidade dos poloneses, violentou sua história e anulou, por décadas, sua esperança de um futuro livre. Se esse futuro não tivesse afinal se concretizado, KATYN não poderia existir, claro.

Mas é intrigante que só Wajda, que acaba de completar 83 anos, tenha se ocupado de reabrir essa ferida para começar a arejá-la. Intrigante, mas também sintomático: Wajda é um dos remanescentes de uma fraternidade de diretores que, iniciando a carreira entre o fim da II Guerra e a década de 70, imaginou o cinema não apenas como espetáculo – aspecto que a maioria deles nunca menosprezou –, mas também como um novo fórum, de alcance e apelo sem precedentes.

Federico Fellini, Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci, Luchino Visconti, Ingmar Bergman, Akira Kurosawa, François Truffaut, Louis Malle, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Stanley Kubrick, para ficar apenas nos nomes mais óbvios, foram alguns dos expoentes desse grupo que Wajda integra desde sua estreia, na década de 50, com a "Trilogia da Guerra", formada por Geração, Kanal e Cinzas e Diamantes.

Nem todos os diretores surgidos nesse período de transformação se dedicaram a temas políticos ou ideológicos, como Wajda quase sempre continuou a fazer. De sexo a relações humanas, de identidade cultural a filosofia, todas as grandes questões encontraram um espaço nesse fórum. A base comum para esses cineastas e os filmes que eles produziram, porém, é clara: o espírito inquisitivo e a aspiração de intervir em seu tempo. Esse é o espírito que abriu para eles um lugar não apenas na história do cinema, mas no cânone cultural contemporâneo. E esse é também o espírito que move Wajda a dissipar a névoa da guerra em KATYN. Se não se trabalhar para encontrar no passado seu sentido verdadeiro, argumenta o filme, tudo o que repousa sobre ele será também em alguma medida uma falsificação.

O mais triste em KATYN é quanto ele é solitário em sua ambição. Outros veteranos como Wajda continuam a fazer um cinema de busca e indagação, a exemplo de Clint Eastwood e Werner Herzog. Mas, nas fileiras de diretores que despontaram a partir da década de 80, os casos de inquietude intelectual são escassos – Pedro Almodóvar, na Espanha; Paul Thomas Anderson, de Sangue Negro, nos Estados Unidos; Cristian Mungiu, de 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, na Romênia; Florian Henckel von Donnersmarck, de A Vida dos Outros, na Alemanha. Wajda, que não é nenhum esnobe – uma de suas críticas ao cinema europeu é que ele em geral se recusa a aprender com o americano como conduzir a emoção da plateia –, tem uma teoria sobre o problema. "Certa vez, perguntei a Kurosawa como ele conseguira interpretar Macbeth, de Shakespeare, de maneira tão profunda e acurada em Trono Manchado de Sangue", contou o polonês em uma entrevista recente à revista Sight & Sound. "‘Senhor Wajda, tive uma educação clássica em Tóquio’, ele me respondeu. Bergman e Fellini também tinham esse tipo de formação – assim como muitos de seus espectadores. Hoje, as escolas não ensinam mais esses valores."

Se o diagnóstico de Wajda estiver correto, portanto, não são o cinema ou os cineastas que estão menores. É a própria cultura que está perdendo seu sentido de continuidade e acumulação e, assim, se apequenando. O cinema, afinal, não depende só de quem o faz para provocar impacto: depende igualmente de quem o vê. KATYN prova que essa contração não é necessária. O filme de Wajda tem uma experiência fundamental a transmitir sobre uma calamidade que o presente está longe de erradicar – a dos regimes ditatoriais - e como eles desfiguram não uma liberdade abstrata e sim cada indivíduo, até seu âmago. Mas ele a transmite com arte, e espetáculo, e emoção.

23 novembro 2012

A CRISTOFOBIA EM ASCENSÃO


A favor dos palestinos, toda a solidariedade, contra o cristianismo, toda a licenciosidade.

A principal religião, que representa quase um terço da população mundial, está sob ataque duro e constante. Não, não é o Islã, que é privilegiado pelas leis, principalmente na Europa. É o cristianismo que está sob cerco, em vários países, especialmente no Oriente Médio e sul da Ásia.

A perseguição contra os cristãos, que lá pelos anos 50 a 70 do século passado, estava restrita à esfera intelectual (Sartre e outros), agora passou para outro patamar, da ação prática.

Você sabia que recentemente, na cidade de Santa Mônica, Califórnia, foi proibida a exibição pública de presépios?

Assim como os nossos destrambelhados membros do MP, que exigem a retirada de crucifixos de locais públicos, a Associação dos Ateus Americanos encaminhou a um tribunal estadual de Nova York pedido para que o memorial do ataque às torres gêmeas do World Trade Centre deixe de exibir uma cruz por ser um símbolo religioso, incompatível com o Estado laico. A ação judicial cita como réus o governador de Nova Jersey, Chris Christie, e o prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg.


Eles também colocaram Jesus ao lado de Netuno, Papai Noel e o diabo em outdoor que será inaugurado no dia 11 de dezembro perto do túnel Lincoln, em Nova Jersey. Pelo local, passam 120 mil carros por dia.



Na Suíça, a associação de imigrantes de segunda geração, a "Verein Secondos Plus", exige que a cruz seja abolida da bandeira do país. "A bandeira não representa a Suíça multicultural de hoje", diz Petrusic um dos fomentadores da proposta. "A cruz representa a formação cristã. A origem cristã da Suíça é de fato respeitada, mas também é importante fazer uma separação entre estado e religião. Além do mais, temos uma grande diversidade religiosa no país. A bandeira precisa de novos símbolos que identifique os não-cristãos, como por exemplo a bandeira da antiga República Helvética", explicou um dos dirigentes do "Secondos Plus".

Mas, além desse genocídio cultural, há o genocídio stricto sensu, nos países comunistas e islâmicos.

Os islamistas sonham com um califado árabe desde o Atlântico até o Canal de Suez, ao sul do Saara, e o Islã está conquistando cidades e populações inteiras, gerando o colapso da linha histórica ao longo do paralelo 16, que dividia a terra da Cruz da terra do Alcorão. Hoje, o que resta do "Dar al Harb", terra de guerra, deve tornar-se "Dar al Islam", a terra do Islã. Nos estados do norte que adotaram a lei islâmica, cinco milhões de cristãos estão sob severa repressão.

Hoje, o Islã já é a primeira religião em uma dúzia de países africanos. E isso ocorreu em pouco mais de 40 anos...

NO IRAQUE:
No mês de novembro de 2011, um ataque a Catedral de Nossa Senhora da Salvação, no Iraque, causou a morte de 52 pessoas que assistiam a Missa no local.

Nas semanas e meses que seguiram, sucederam mais ataques contra a minoria cristã, bombas explodiram nos bairros cristãos, dois irmãos foram metralhados; um casal cristão que havia fugido para a região autônoma do Curdistão, devido à perseguição, foi brutalmente assassinado quando voltaram para vender sua residência. No dia 31 de dezembro duas pessoas morreram e 16 ficaram feridas após a explosão de 14 bombas colocadas junto às casas dos Cristãos em Bagdá, e uma jovem católica foi sequestrada por terroristas que invadiram sua casa na capital iraquiana.


NA NIGÉRIA:
Mais de 13.750 cristãos foram mortos pelos muçulmanos no norte da Nigéria desde a introdução das leis da Sharia em 2001.
Em 2011, a polícia nigeriana deteve um carregamento de armas dirigidas ao hisba, o movimento que pretende impor a lei islâmica no norte da Nigéria, e para a facção de Boko Haram. A carga vinha de Teerã, parte do "Plano África", lançado pelos mullahs para expandir a influência iraniana no continente, apoiando os governos e grupos islâmicos.
Neste mesmo ano, várias explosões em igrejas da região central e do norte deixaram pelo menos 30 católicos mortos e 74 feridos durante as comemorações do Natal. As forças de segurança acusaram o grupo Boko Haram, responsável por outros ataques, mas o grupo até então anônimo “Jama’atu Ahlus – Sunnah Lidda’ Awati Wal Jihad” reivindicou a autoria do atentado.
500 cristãos foram mortos desde dezembro de 2011. 300 igrejas foram demolidas.


NO EGITO:
A população cristã no Egito correspondia a 50%, mesmo depois do surgimento do islã e das invasões árabes. Hoje, não passa de 10% o número de cristãos que restou.
Em 2011, quando fiéis deixavam à igreja de al-Qidissen depois da missa de Ano Novo, pouco depois da meia-noite, uma explosão matou 21 pessoas e deixou mais de 40 feridos. O governo rapidamente declarou que o atentado tinha sido causado por "forças estrangeiras”, funcionários do governo chegaram a acusar “agentes sionistas” pelas mortes. Mas os coptas não tinham dúvidas quanto aos responsáveis. Testemunhas disseram que muçulmanos da mesquita que fica logo em frente, em um ato desumano, gritavam “Alah Akbar” (Alá é o maior) e recitavam versos do Corão, enquanto esmagavam com os pés os restos mortais de Cristãos que se espalhou pelas ruas devido à força da explosão.
Desde a "primavera árabe", os fundamentalistas islâmicos mataram centenas de cristãos. Conforme relatou a Associated Press, a derrubada de Mubarak deixou "os islâmicos livres para irem atrás de seu alvo nº 1, ou seja, os cristãos".

EM BELÉM:
Por medo de ataques extremistas a venda de cruz foi proibida.

NO SRI LANKA:
Em uma reportagem publicada no final de 2009 ao Sri Lanka Guardian, Sellin Khan Panni, líder do Hizb ut-Tahir, declarou: “É uma missão divina matar Judeus e Cristãos e estuprar suas mulheres”.

NO PAQUISTÃO:
Asia Bibi
Asia Bibi aguarda a morte na forca pelo suposto crime de blasfêmia. As pessoas que ousaram defendê-la – o governador Salman Taseer e o ministro para as minorias Shah-baz Bhatti – foram brutalmente assassinadas.
A lei de blasfêmia tem sido usada para perseguir a minoria cristã no país, e aqueles que não são mortos pela pena capital, são assassinados por militantes: “Nenhum bom mulçumano tolera um blasfemo”, declarou o chefe da polícia ao ser questionado quanto à presença de policiais na rua no momento em Latif Mash era assassinado após ter sido absorvido da acusação de blasfêmia.

NO AFEGANISTÃO:
Shah Bhatti
De acordo com um relatório da CNSnews, não há uma única Igreja aberta para a comunidade, ou seja, nos locais de maioria muçulmana as igrejas e seus fiéis vivem secretamente. Segundo o relatório, a última igreja livre do Afeganistão foi destruída em março de 2010.

Padre Zacarias Brotos
A Arábia Saudita, por exemplo, está entre os piores perseguidores de cristãos no Oriente Médio, mas o mundo tem agido com indiferença contra o Genocídio Cristão por medo de se tornarem vítimas do ódio fundamentalista. As vozes que ousaram opor-se sofrem as conseqüências: o ministro das Minorias do Paquistão, Shah Bhatti, recebeu um Fatwa de morte do grupo Lashakar-e-Taiba por opor-se à lei de blasfêmia, e foi brutalmente assassinado; o Padre Zacarias Brotos é considerado pela mídia egípcia como inimigo número um, e a Al-Qaeda ofereceu 60 milhões pela sua cabeça.

Nina Shea
“Estamos vendo um ataque muito cruel aos cristãos em vários países, mas. De fato, em muitos lugares no Iraque temos visto uma limpeza de religião”, segundo Nina Shea, diretora do Centro para Liberdade Religiosa do Instituto Hudson. De acordo com Shea, cerca de dois terços dos Cristãos no Iraque já deixaram o país e no Egito muitos estão também indo embora.

Asaph Borba
O pastor brasileiro Asaph Borba, que trabalhou com evangelismo no Oriente Médio por 15 anos, disse em entrevista ao The Christian Post que “com as recentes guerras a situação piorou devido às migrações das minorias. Por causa do crescimento do poder xiita no Iraque, tiveram que ir para a Jordânia e Síria".

A estratégia é retirar todos os símbolos da fé cristã do espaço público, confiná-los no ambiente familiar, e depois criminalizar e perseguir todos que se oponham a isso. Na Indonésia, nem mesmo isso é garantido, pois os cristãos foram proibidos de rezarem dentro de suas próprias casas.


Sempre é bom lembrar que o genocídio cultural é preparativo do efetivo. A História prova, primeiro você quebra a espinha dorsal da comunidade, que são os seus valores, suas crenças, seu espírito de unidade, depois você pode mandar os opositores para a cadeia ou um pelotão de fuzilamento que ninguém mais liga...

Giulio Meotti
Giulio Meotti, autor do livro "A Nova Shoah", é um jornalista italiano que escreve uma coluna semanal para o jornal israelense Arutz Sheva e também para o Wall Street Journal. Neste artigo, de 7/5/2012, sob o título "O Genocídio de Cristãos na África", ele relata o avanço do Islã no continente, critica a ONU e os países ocidentais por silenciarem ante a matança de cristãos.
link para o artigo (em inglês):
http://tinyurl.com/codaavp


Ayaan Hirsi Ali
Ayaan Hirsi Ali atraiu atenção mundial com o livro de memórias "Infiel", que ficou 31 semanas na lista de best-sellers do New York Times. Nele, ela conta sua infância e adolescência na Somália, na Arábia Saudita, na Etiópia e no Quênia sob o rigor do islamismo, até chegar à Holanda, onde se tornou uma das principais críticas do islã e defensora dos direitos das mulheres.
Com o título "A Guerra Global contra cristãos no mundo muçulmano", ela escreve um artigo para a Newsweek alertando que o genocídio contra cristãos, em ascensão, deveria provocar alarme global:
link para o artigo (em inglês):
http://tinyurl.com/86peeqf

21 novembro 2012

"PROMESSAS DE UM NOVO MUNDO"

Este é o melhor e mais emocionante documentário que eu já vi. Mostra crianças israelenses e palestinas no seu dia a dia. Primeiro, elas são mostradas individualmente, depois são convidadas a se conhecerem e ficam muito ressabiadas. Todos consideram os meninos do "outro lado" como seus antípodas, inimigos mesmo. Quando se encontram, mantém-se um clima de receio e estranheza, mas, aos poucos, conforme percebem que têm as mesmas dúvidas, curtem as mesmas coisas, eles vão se descontraindo e socializando como crianças, simplesmente. É emocionante e tem uma das trilhas sonoras mais tocantes que já ouvi, especialmente a última música. Quem ainda não viu (passou há alguns anos na GNT), não perca. Vale muito a pena.

PARTE 1


PARTE 2


PARTE 3


PARTE 4


PARTE 5


PARTE 6


PARTE 7


PARTE 8


PARTE 9


PARTE 10

13 novembro 2012

O PROFETA MARCOLA


O que vai a seguir é a transcrição de uma entrevista que o marginal MARCOLA concedeu a um jornalista de “O GLOBO”, onde faz uma análise estarrecedora dos “Novos Tempos”, estes que vêm aterrorizando São Paulo, Rio e agora Florianópolis. Pelo depoimento de MARCOLA, não há solução, pois não conhecemos nem os problemas. Repare na incredulidade do repórter:

O GLOBO - 23/05/2006

O GLOBO: Você é do PCC?
MARCOLA: Eu sou mais do que isso, sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas. E antigamente era mole resolver o problema da miséria… O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias… A solução é que nunca vinha… Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo… Nós somos o início tardio de vossa consciência social… Viu? Sou culto… Leio Dante na prisão…

O GLOBO: – Mas… a solução seria?
MARCOLA: Solução? Não há mais solução, cara… A própria ideia de “solução” já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios…). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.

O GLOBO: – Você não tem medo de morrer?
MARCOLA: Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar… mas eu posso mandar matar vocês lá fora… Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba… Estamos no centro do Insolúvel, mesmo… Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração… A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala… Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em “seja marginal, seja herói”? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha… Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante… mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas “com autorização da Justiça”? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

O GLOBO: – O que mudou nas periferias?
MARCOLA: Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$ 40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório… Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no “microondas”… ha, ha… Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.


O GLOBO: – Mas o que devemos fazer?
MARCOLA: Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas… O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, “Sobre a Guerra”. Não há perspectiva de êxito… Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas… A gente já tem até foguete anti-tanques… Se bobear, vão rolar uns Stingers aí… Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas… Aliás, a gente acaba arranjando também “umazinha”, daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?

O GLOBO: – Mas… mas... não haveria solução?
MARCOLA: Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a “normalidade”. Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco… na boa… na moral… Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês… não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: “Lasciate ogni speranza voi che entrate!”. Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.

NA VERDADE, ACABEI DE DESCOBRIR, A ENTREVISTA É FICTÍCIA, FEITA PELO ARNALDO JABOR, VEJA AQUI.

10 novembro 2012

JOHN COWPERTHWAITE

Você já ouviu falar de John Cowperthwaite? Ele foi um funcionário público escocês nomeado secretário de Finanças de Hong Kong em 1961. Pois foi a partir da sua atuação, que foi mais uma quase inação (pois ele era um liberal clássico à moda antiga, convicto de que o melhor que o governo podia fazer era intervir o menos possível), que o outrora porto de pesca se transformou em um dos mais importantes centros de comércio mundial. Foi a inspiração de todo o milagre econômico da Ásia. Jimmy Lai, um chinês que fugiu da China com 1 dólar no bolso e hoje é o bilionário fundador do império de mídia NEXT MEDIA, diz algo ao mesmo tempo simples e revolucionário nos dias de hoje: "A lição que os governos atuais devem aprender é a de serem humildes perante o povo". Ele aprendeu que é o povo que cria riqueza, tendo a liberdade de empreender. Ele tem uma estátua de John Cowperthwaite no seu escritório e diz que ele é seu herói.

03 novembro 2012


PRIMEIRAS IDEIAS DO ESTUDO “A MENTALIDADE REVOLUCIONÁRIA” DE OLAVO DE CARVALHO

“Mentalidade revolucionária” é o estado de espírito, permanente ou transitório, no qual um indivíduo ou grupo se crê habilitado a remoldar o conjunto da sociedade – senão a natureza humana em geral – por meio da ação política; e acredita que, como agente ou portador de um futuro melhor, está acima de todo julgamento pela humanidade presente ou passada, só tendo satisfações a prestar ao “tribunal da História”. Mas o tribunal da História é, por definição, a própria sociedade futura que esse indivíduo ou grupo diz representar no presente; e, como essa sociedade não pode testemunhar ou julgar senão através desse seu mesmo representante, é claro que este se torna assim não apenas o único juiz soberano de seus próprios atos, mas o juiz de toda a humanidade, passada, presente ou futura. Habilitado a acusar e condenar todas as leis, instituições, crenças, valores, costumes, ações e obras de todas as épocas sem poder ser por sua vez julgado por nenhuma delas, ele está tão acima da humanidade histórica que não é inexato chamá-lo de Super-Homem.
Recusando-se a prestar satisfações senão a um futuro hipotético de sua própria invenção e firmemente disposto a destruir pela astúcia ou pela força todo obstáculo que se oponha à remoldagem do mundo à sua própria imagem e semelhança, o revolucionário é o inimigo máximo da espécie humana, perto do qual os tiranos e conquistadores da antiguidade impressionam pela modéstia das suas pretensões e por uma notável parcimônia no emprego dos meios.
O advento do revolucionário ao primeiro plano do cenário histórico – fenômeno que começa a perfilar-se por volta do século XV e se manifesta com toda a clareza no fim do século XVIII – inaugura a era do totalitarismo, das guerras mundiais e do genocídio permanente. Ao longo de dois séculos, os movimentos revolucionários, as guerras empreendidas por eles e o morticínio de populações civis necessário à consolidação do seu poder mataram muito mais gente do que a totalidade dos conflitos bélicos, epidemias, terremotos e catástrofes naturais de qualquer espécie desde o início da história do mundo.
O movimento revolucionário é o flagelo maior que já se abateu sobre a espécie humana desde o início dos tempos históricos.
O socialismo e o nazismo são revolucionários não porque propõem respectivamente o predomínio de uma classe ou de uma raça, mas porque fazem dessas bandeiras os princípios de uma remodelagem radical não só da ordem política, mas de toda a vida humana. Os malefícios que prenunciam tornam-se universalmente ameaçadores porque não se apresentam como respostas locais a situações momentâneas, mas como mandamentos universais imbuídos da autoridade de refazer o mundo segundo o molde de uma hipotética perfeição futura.
O que caracteriza inconfundivelmente o movimento revolucionário é que sobrepõe a autoridade de um futuro hipotético ao julgamento de toda a espécie humana, presente ou passada. A revolução é, por sua própria natureza, totalitária e universalmente expansiva: não há aspecto da vida humana que ela não pretenda submeter ao seu poder, não há região do globo a que ela não pretenda estender os tentáculos da sua influência.
Os sintomas mais graves e constantes da mentalidade revolucionária são a inversão do sentido do tempo (o futuro hipotético tomado como garantia da realidade presente), a inversão de sujeito e objeto (camuflar o agente, atribuindo a ação a quem a padece) e a inversão da responsabilidade moral (vivenciar os crimes e crueldades do movimento revolucionário como expressões máximas da virtude e da santidade).
Na peça de Pirandello, Henrique IV, um milionário louco se convence de que é o rei Henrique IV e força todos os seus empregados a vestir-se como membros da corte. No fim eles já não têm mais certeza de que são eles mesmos ou membros da corte de Henrique IV. É este o perigo a que os democratas se expõem quando aceitam discutir respeitosamente as idéias do revolucionário, em vez de denunciar a farsa estrutural da própria situação de debate. A loucura espalha-se como um vírus de computador. A maioria dos democratas que conheço é inteiramente indefesa em face da prepotência psicológica do discurso revolucionário. Daí a hesitação, a pusilanimidade, a debilidade crônica de suas respostas ao desafio revolucionário. Uma doença mental não pode ser "respeitada", aliás nem "desrespeitada". O respeito ou o desrespeito supõem um fundo de convivência normal, que justamente o delírio revolucionário torna impossível.
A esquerda – toda a esquerda, sem exceção – enxerga o tempo histórico às avessas: supõe um futuro hipotético e o toma como premissa fundante da compreensão do passado. Em seguida, usa essa inversão como princípio legitimador das suas ações no presente. Como o futuro hipotético permanece sempre futuro, e por isso mesmo sempre hipotético, toda certeza alegada pelo movimento esquerdista num dado momento pode ser mudada ou invertida no momento seguinte, sem prejuízo, seja da continuidade do movimento, seja do sentimento de coerência por baixo das mais alucinantes incoerências.
A mentalidade revolucionária não é só inversão do tempo: é inversão das relações lógicas de sujeito e objeto, dos nexos de causa e efeito, da relação entre criminoso e vítima etc. Essas inversões, psicóticas no sentido clínico mais estrito do termo, são a essência do movimento revolucionário, mas essa essência pode se manifestar sob uma impressionante variedade de formas. É por isso que o movimento revolucionário não pode ser definido nem pelo conteúdo concreto dos seus objetivos declarados a cada momento, nem pelo discurso ideológico com que os legitima. É preciso sempre buscar, sob a variedade dessas aparências, a resposta à pergunta: - Tal ou qual movimento político ou cultural, nas circunstâncias precisas em que atua, impõe ou não impõe a seus militantes e simpatizantes aquele pacote de percepções invertidas? Se a resposta é "sim", então torna-se claro que se trata de um movimento inserido na corrente revolucionária. Se ele tem mais consciência ou menos consciência disso, é perfeitamente irrelevante para os resultados históricos objetivos que ele vai desencadear necessariamente por meio da inversão da consciência de populações inteiras.
Se o oposto de revolução é "reação" ou "conservadorismo", um reacionarismo ou conservadorismo consciente não atacará o movimento revolucionário apenas na superfície dos seus ideais proclamados ou da sua conduta política ostensiva, mas na base mesma, que é a inversão revolucionária da consciência e das consciências. Como todo movimento revolucionário se arroga o papel de representante do futuro, ele só responde perante o tribunal do futuro, mas como esse futuro, por definição, é móvel, o seu autonomeado representante no presente não tem jamais de responder perante ninguém. A mentalidade revolucionária é, na base, a reivindicação de uma autoridade ilimitada, de um poder divino. As pretensões explícitas de tal ou qual líder revolucionário podem até parecer modestas e sensatas na formulação verbal que ele lhes dê no momento, mas no fundo delas está sempre essa reivindicação, essa exigência implícita. Os movimentos revolucionários não criaram as grandes ditaduras genocidas do século XX por um desvio dos seus belos ideais ou por um acidente histórico qualquer. Eles as criaram por necessidade intrínseca da própria dialética revolucionária, que sempre terminará em totalitarismo sangrento, seja por um caminho, seja por outro caminho aparentemente inverso.
É nesse ponto, precisamente, que a mentalidade revolucionária tem de ser atacada de maneira implacável e incansável: ela é demência megalômana na sua essência mesma. Ela nunca pode produzir nada de bom. Ela é a mentira existencial mais vasta e profunda que já infectou a alma humana desde o início dos tempos. Ela é crime e maldade desde a sua raiz mesma – e é essa raiz que tem de ser cortada, não as ramificações mais aparentes apenas.
A boa notícia é que o movimento revolucionário não é uma constante na história humana. Ele apareceu numa dada civilização e num dado momento do tempo. Ele teve um começo e terá um fim. Apressar esse fim é o dever de todos os homens de bem.
O principal e mais desastroso reflexo da mentalidade revolucionária é que o próprio impulso conservador, um dos mais básicos e mais saudáveis da humanidade, acaba por não ter meios próprios de expressão e por copiar as estratégias e táticas revolucionárias, infectando-se da mentalidade que desejaria combater. Só para dar um exemplo, quando você rejeita alguma proposta revolucionária, logo lhe perguntam: "Mas o que você propõe em lugar disso?". Aí o conservador começa a inventar hipotéticas soluções conservadoras para todos os problemas humanos, e perde a autoridade da prudência, passando a discursar na clave psicótica das "propostas de sociedade". Ser conservador é não ter nenhuma proposta de sociedade, é aceitar que a própria sociedade presente vá encontrando pouco a pouco a solução para cada um dos seus males sem jamais perder de vista o fato de que, para cada novo mal que seja vencido, novos males aparecerão. Ser conservador é não ser jamais o portador de um futuro radiante, é ser o porta-voz da prudência e da sabedoria. Ser um conservador é saber que os limites da capacidade humana não desaparecerão só porque Lênin mandou ou porque Trotski disse que no socialismo cada varredor de rua será um novo Leonardo da Vinci.