13 agosto 2009

O HORROR!!! O HORROR!!!
A sociedade palestina organizada pelo Hamas na Faixa de Gaza supera todos os limites da imaginação ocidental em seu retorno à barbárie. Inspirados na vida de Maomé (que recebeu Aixa, de sete anos, das mãos do pai Abu-Becre, amigo do profeta, para ser sua nova esposa adolescente, como conta Virgil Gheorghiu, em A vida de Maomé), os chefetes do Hamas organizaram, no dia 29 de julho de 2009, naquela faixa de território, um mega-evento de união massiva de militantes adultos com meninas pré-adolescentes. Uma monstruosa “festa do casamento pedófilo”, com 450 enlaces simultâneos.

Autoridades do Hamas, entre as quais Mahmud Zahar, um dos chefetes mais respeitados, estiveram presentes para cumprimentar os felizes barbados e suas noivas-meninas, já perfeitamente convencidas, por toda a sociedade doentia em que nasceram, e em primeiro lugar por suas mães desnaturadas, que deveriam se sentir felizes abusadas em casamento forçado com homens muito mais velhos. Uma prova de humildade, obediência e sacrifício, os mais altos valores ditados por uma religião de paz, amor e bondade.

“Estamos dizendo ao mundo e à América que não podem nos negar alegria e felicidade”, declarou Zahar aos noivos, todos de terno preto, e recentemente liberados do campo de refugiados de Jabalia e, portanto, cheios de amor pra dar. Cada noivo recebeu um dote de US$500 do Hamas, que anunciou que seus trabalhadores também contribuíram com 5% de seus salários para os presentes de casamento. Não deixem de ver o clipe postado no site Road 90 , com as preciosas informações aqui reproduzidas (as declarações no clipe não têm legendas). É simplesmente espantoso: o autor da postagem chama a atenção para uma cena na altura dos 4 minutos, com o desfile dos marmanjos com suas noivinhas, de maquiagem carregada, como se fossem mulheres maduras, prontas para satisfazerem seus homens famintos de sexo no leito nupcial.

fonte: blog do Luiz Nazario: http://escritorluiznazario.wordpress.com/

26 março 2009














GRANDE REINALDO AZEVEDO!!!
Simplesmente, sensacional a passagem do Reinaldo por Florianópolis.
Excelente palestra, colocando muitos pingos nos iis e vários dedos nas inúmeras feridas que acometem a nossa pobre Kakânia.
Excesso de simpatia, paciência, carinho e atenção às duas centenas de pessoas que colheram seu autógrafo nos livros que adquiriram.
Um papo agradabilíssimo no jantar (risoto com carneiro, ambos excelentes) no Golden Café do Shopping Beiramar, com direito a três doses de 12 anos.
Revelações bombásticas dos bastidores do jornalismo e de outros temas candentes, das quais pediu sigilo, pois em breve estarão em todas as manchetes.
Enfim, uma noite inesquecível, que desfrutei ao lado da minha sempre parceira aí da foto.

18 março 2009

EXCELENTE ANÁLISE, NA ESTEIRA DA TESE DE PAUL JOHNSON.

Os Inimigos de Meus Inimigos

João Costa - 2005

O balanço de poder foi definitivamente alterado – ou melhor, tal alteração foi reconhecida como fato –; pequenos países ou mesmo organizações privadas, apoiadas por tecnologias baratas e facilidades comerciais, adquiriam poder para desestabilizar e pôr de joelhos Estados mais desenvolvidos economicamente. Outrossim, o ciclo de transformação da própria acepção e mecanismos do terrorismo parece ter finalmente sido terminado, quando as forças aparentemente desconexas – que viriam incitar o terrorismo desde os primórdios da Revolução Francesa – iriam ser integradas através de uma bandeira comum: o ódio ao ocidente em geral e à América em particular.

O terrorismo moderno é uma característica inseparável do mundo civilizado porque, primeiramente, depende dele para poder existir. É impossível conceber uma organização terrorista ativa e eficaz no contexto da Alemanha Nazista , da Rússia Stalinista ou, para citar um exemplo atual, do Iraque até então governado por Saddam Hussein ou da Cuba de Castro – a não ser, é claro, se patrocinada pelo próprio Estado Totalitário. Todavia, se o terrorismo depende de um grau de liberdade para poder sobreviver – e se sua intenção maior é a destruição da própria liberdade – obviamente isso implicaria que o terrorismo seria, em essência, autodestrutivo.

Ledo engano, os terroristas vitoriosos de hoje – ou mesmo alguns aparentemente derrotados – serão os homens de estado de amanhã. O Brasil é um exemplo clássico, com sujeitos como José Dirceu, José Genoíno e Fernando Gabeira hoje agarrados firmemente às tetas do poder.

A razão para tanto é a máxima do conquistador persa Hassan bin Sabbah Homairi (um dos heróis de Osama Bin Laden): Os inimigos de meus inimigos são meus amigos. Os que advogam a causa terrorista a tudo e a todos se unem no objetivo primeiro de destruir o inimigo. Como o terrorismo internacional hoje em dia é, por excelência, islâmico e já que o principal inimigo do terrorismo islâmico são os Estados Unidos no Ocidente e Israel no Oriente Médio, todas as demais forças convergem contra essas duas nações, trazendo no caminho uma série de organizações e instituições que quanto postas em conjunto dão poder inusitado ao terror.

A principal arma do terror, na atualidade, é o pensamento esquerdista. Seja a visão marxista da luta de classes, o maniqueísmo revolucionário que divide o mundo numa dicotomia vulgar e inflexível entre certo e errado, as idéias de Rousseau que valorizam ao extremo um modelo social fracassado, ou o pensamento politicamente correto que transfere o veneno marxista para todos os aspectos de nossa cultura.
Isso dá ao terrorismo um escudo moral de tamanha força que suas ações são antecipadamente perdoadas, enquanto todo esforço antiterrorista transforma-se no esforço de opressão dos poderosos contra os humildes, condenando-nos à paralisia dos derrotados.

A aliança entre as esquerdas internacionais e o Islã não deveria ser tão subestimada pelos especialistas, relegada a uma espécie de teoria da conspiração, quando a História está aí para provar, justamente, que há mais ligações perigosas entre o Islã e as esquerdas do que desconfia nossa vã filosofia.

Os ativistas islâmicos possuem enormes pontos comuns com os nazistas – ao contrário do que muitos pensam, um movimento tipicamente de esquerda –, não me refiro apenas ao anti-semitismo explicito (o desejo pela solução definitiva) e ao ódio contra a herança judaico-cristã, pilar de nossa civilização; o próprio entendimento e concepção da natureza da morte são semelhantes, como nos lembra Heitor de Paola em um brilhante artigo intitulado Islã: a conexão Nazista: “Os princípios que guiam as duas ideologias [o Islã e o Nazismo] são similares: a visão de um povo unido frente à dominação estrangeira – principalmente Ocidental – que traz deterioração moral e cultural. Ambas são ligadas, de forma bastante semelhante, à morte pelo martírio como instrumento de depuração sacrificial. A morte é vista como o supremo bem. Enquanto Hitler se baseava nas velhas lendas inspiradas nas sagas dos Nibelungen, do Valhalla como campo dos heróis nacionais mortos em combate, das Valkírias, e da superioridade do Homem Nórdico, o Islã se baseia nas lendas de Sinbad, nos Cavaleiros Árabes e do Rubayyat de Omar Kahyyam, povoadas de guerreiros e mortais que desafiam os deuses pela glória da morte pelo martírio”.

Porém, o que é ainda pior, é o fato de que a conseqüência lógica de tais idéias – o modo de depurá-las para torná-las instrumentos de ação – é a construção de um Estado totalitário e opressivo, o que tem sido visto em todas as sociedades islâmicas.

A Revolução Iraniana de 1979 foi um fenômeno essencialmente antiocidental, marcando o início de uma luta sem trégua entre os radicais islâmicos e os “infiéis” do ocidente. Contudo, foi aplaudida pelas esquerdas em todo o mundo como expressão do direito de autodeterminação dos povos. Não preciso nem lembrar que os organizadores de tal revolução estudaram quase todos em universidades ocidentais, tendo assim, bebido do veneno comum de vários dos mais sanguinários ditadores na África e Ásia, o Marxismo. Que ao invés da classe operária, os clérigos tomem todo o poder e destruam todos os vestígios da sociedade “burguesa” isto é um mero detalhe técnico. Por fim, vemos hoje Irã e Cuba trabalhando conjuntamente em diversos níveis, mas com um propósito fixo. Em sua visita ao Irã, em 2001, Fidel Castro declarou que juntos, Irã e Cuba, poderiam vencer os EUA. Tal aliança só é concebível porque as diferenças entre estes países são apenas superficiais, ambos são ditaduras corruptas que desrespeitam os direitos humanos e que pretendem servir de modelo para uma revolução em escala muito maior.

Visto que os ativistas islâmicos e as esquerdas não são forças antitéticas, podemos observar que a esquerda serve ao terrorismo islâmico primeiramente – mas não somente – em três níveis: acadêmico, jornalístico e diplomático.
Em termos acadêmicos
, vemos a dificuldade mesma de definir o que é terrorismo. Quando vários estudiosos insistem na doentia concepção de que terroristas e freedom fighters sejam conceitos intercambiáveis. O problema aí reside na influência marxista que acaba por induzir os estudiosos a enxergarem o terrorismo como um movimento revolucionário das massas, o que é uma mentira das mais deslavadas. O terrorismo, especialmente o islâmico, é, de fato, um movimento intelectual de elites. Das massas eles recebem nada mais do que carne de canhão para levar a cabo os seus propósitos.

em termos jornalísticos nós vemos a insistente apresentação das notícias sob uma duplicidade de critérios que só não é mais ofensiva porque a mentalidade das massas já foi anestesiada. No mundo em geral – mesmo na América – e no Brasil em particular a grande mídia se presta ao papel de ponta de lança das causas terroristas por, justamente, serem incapazes de apresentá-las à sociedade como tais. Isso se dá pela influência acadêmica que, desde cedo, prepara jornalistas para serem agentes de transformação, que devem usar tudo ao seu alcance que possa favorecer as ideologias dominantes, inclusive manipular e ocultar informações. Os próprios militares brasileiros sentem isso na pele todos os dias.

Por último, vemos a questão diplomática. A ONU desde a década de sessenta é um celeiro de terroristas, seus debates, seus programas, sua própria raison d'être obedecem à lógica terrorista, disseminando anti-semitismo e antiamericanismo pelos quatro cantos do planeta, e buscando ao máximo impedir que se haja de forma mais dura contra países que apóiam abertamente o terrorismo. Todavia, a ONU nos é apresentada pela imprensa e pela intelligentsia como o que existe de melhor nas relações humanas, quando todos os crimes por trás desta organização são ocultados sistematicamente numa tentativa de pôr de joelhos até os mais poderosos estados.

É claro que terroristas islâmicos e esquerdistas de vários tipos não serão aliados para sempre. Suas diferenças, que hoje se encontram em estado de suspensão, tenderão a surgir com força total na medida em que seu poder político se expande, levando a um inevitável confronto de interesses. Haverá, obviamente, um momento de ruptura, caracterizado por extrema violência de ambos os lados.

Mas aí também já não mais importa, pois o ocidente – junto com os valores judaico-cristãos – já estará morto ou escravizado.

Em 11 de Setembro de 2001, o mundo foi sacudido desde suas bases pelos inefáveis ataques terroristas que, usando aviões civis, conseguiram atingir as torres gêmeas em Nova York e parte do Pentágono em Washington. Aqueles atentados marcaram uma transição histórica tão intensa que nossa própria maneira de entender o mundo teve que ser alterada: o terrorismo deixara de ser uma força secundária e passara a fazer parte do centro das atenções do mundo civilizado, o que há muito já havia sido alertado pelo historiador britânico Paul Johnson. Sua conclusão não poderia ser mais assustadora:
A CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL CAMINHA PARA O SUICÍDIO COLETIVO!



OS SETE PECADOS MORTAIS DO TERRORISMO
Paul Johnson
(artigo profético do historiador Paul Johnson, publicado em 7/10/1970 na revista “New Republic”, alertando para o perigo que o terrorismo e suas variáveis representavam para todo o mundo ocidental)


Uma equivocada abordagem do terrorismo é vê-lo como um dos muitos sintomas de uma grave doença de nossa sociedade, parte de um padrão de violência que inclui a delinqüência juvenil, a elevação das taxas de criminalidade, os distúrbios estudantis, o vandalismo, a fraude no futebol e tudo o mais que pode ser atribuído à sombra ameaçadora da bomba atômica, aos divórcios cada vez mais freqüentes, aos serviços de bem-estar social inadequados e à pobreza. Esta análise geralmente termina na conclusão sem sentido e derrotista de que a própria sociedade deve ser acusada: "Somos todos culpados".


O terrorismo internacional não é parte de um problema geral humano. É um problema especifico e identificável em si mesmo. E porque é específico e identificável, porque pode ser isolado do contexto que o engloba, é um problema que tem soluções.

Este é o primeiro ponto que deve ficar claro. Dizer que o problema tem soluções não significa subestimar seu tamanho e seu perigo. Ao contrário: é quase impossível exagerar a ameaça que o terrorismo representa para nossa civilização. Como o assassínio de lorde Mountbatten e de 21 outras pessoas pela ala provisória do IRA nos fez recordar, a ameaça é mais imediata — e, portanto, de certa forma mais grave — que o risco da guerra nuclear, da explosão demográfica, da poluição global ou da exaustão dos recursos naturais. Estas ameaças à nossa civilização podem ser, têm sido ou foram contidas. Mas isso não aconteceu com o terrorismo. Muito ao contrário. O terrorismo está cada vez mais presente, e uma razão pela qual ele constitui um perigo tão grave e crescente é que muito poucas pessoas no mundo civilizado — governos e parlamentares, televisões e jornais, o público, em geral — levam o terrorismo suficientemente a sério.

A maioria das pessoas, a quem falta um adequado conhecimento da história, tende a subestimar a fragilidade de uma civilização. Elas não percebem que as civilizações declinam, da mesma forma como se desenvolvem. As civilizações podem ser, e têm sido, destruídas por forças malignas.

Em nossa história documentada houve ao menos três idades tenebrosas. Uma ocorreu no terceiro milênio antes de Cristo e esmagou a civilização do Antigo Império egípcio, a cultura que construiu as pirâmides. Outra aconteceu perto do final do segundo milênio antes de Cristo e destruiu a Grécia Micênica, a Creta Minoana, o Império Hittta e muito mais. Estamos mais familiarizados com a terceira, que destruiu o Império Romano do Ocidente no quinto século depois de Cristo.

Houve um fator comum a todas essas grandes catástrofes. Elas ocorreram quando a divulgação da tecnologia dos metais e a disponibilidade de matérias-primas possibilitaram às forças do barbarismo igualar ou superar as forças civilizadas na qualidade e quantidade de suas armas. Porque, em última instância, a civilização se mantém ou perece não pelos seus pactos, mas pela espada.

Edward Gibbon escreveu, no fim de seu grande livro, O Declínio e a Queda do Império Romano: “As nações selvagens do globo são o inimigo comum da sociedade civilizada, e podemos bem nos perguntar com ansiosa curiosidade se a Europa ainda está ameaçada pela repetição de tais calamidades que antigamente oprimiram os exércitos e as instituições de Roma”. Escrevendo na década de 1780, no limiar da revolução industrial, Gibbon pensou poder responder sua própria indagação com uma negativa razoavelmente confiante. Ele considerou corretamente que o poder do mundo civilizado aumentaria, e acreditou que os princípios científicos e racionais sobre os quais tal poder se apoiava estavam-se tornando cada vez mais firmemente estabelecidos, ano após ano.

Agora, aproximadamente 200 anos depois, não podemos estar seguros disso. Os princípios da ciência objetiva e da razão humana, a noção do primado da lei, a supremacia da política sobre a força, estão sendo submetidos, em toda parte, a um desafio intencional e encarniçado. As forças da selvageria e da violência que constituem esse desafio tornam-se mais audaciosas, mais numerosas e, sobretudo, melhor armadas. As armas à disposição dos terroristas, sua capacidade e, não menos importante, as técnicas organizacionais com as quais eles empregam tais armas e habilidades, estão-se aperfeiçoando aceleradamente — a um nível mais rápido do que as contramedidas de que lança mão a sociedade civilizada.

Tomemos o exemplo mais recente: a Irlanda do Norte. A ala provisória do IRA e o grupo terrorista marxista INLA agora estão matando membros das forças de segurança à razão de dez por mês. A última vez que as forças de segurança mataram um terrorista foi em novembro de 1978. Existem duas razões para isso. A primeira é a substituição da velha estrutura amadorística do IRA por aquilo que o correspondente da BBC para assuntos de defesa chama de "uma moderna força clandestina, bem organizada e bem equipada, com uma clássica estrutura celular, forte e quase impossível de ser penetrada ou quebrada". A segunda é que o alcance e a qualidade das armas agora usadas pelos terroristas irlandeses estão-se tornando formidáveis. A qualidade desse arsenal e da organização ficaram plenamente demonstradas no dia 27 de agosto. Pelo menos nesse teatro, o barbarismo está conquistando terreno à civilização.

Os sete pecados

Esses ameaçadores aperfeiçoamentos do terrorismo tornaram-se possíveis graças à disponibilidade de apoio internacional, abastecimento e serviços de treinamento para os terroristas. O terrorismo já não é mais um fenômeno puramente nacional, que pode ser destruído a nível nacional. É uma ofensiva internacional — uma guerra aberta e declarada contra a própria civilização — que apenas pode ser derrotada por uma aliança ativa entre as potências civilizadas. O impacto do terrorismo — não apenas sobre os indivíduos, não apenas sobre as nações isoladas, mas sobre a humanidade como um todo — é intrinsecamente mal. E assim é por um número de razões demonstráveis que eu chamarei de os sete pecados mortais do terrorismo.

Primeiro, o terrorismo é a exaltação deliberada e fria da violência sobre todas as formas de atividade política. O terrorismo moderno emprega a violência não como um mal necessário, mas como uma desejável forma de ação. Existe um claro antecedente intelectual na presente onda de terrorismo. Este surge não apenas da justificação leninista e trotsquista da violência, mas do pós-guerra, da filosofia da violência derivada de Nietzsche, através de Heidegger, e largamente popularizada por Sartre, seus colegas e discípulos. Desde 1945, ninguém influenciou mais os jovens do que Sartre, e ninguém fez mais para legitimar a violência da esquerda. Foi Sartre quem adaptou as técnicas lingüísticas, comuns na filosofia alemã, de identificação de certos sistemas políticos com o equivalente de “violência”. Assim justificando a violência de correção ou as respostas. Em 1962, ele disse: “Para mim, o problema essencial é rejeitar a teoria segundo a qual a esquerda não deve responder à violência com a violência”. Algumas pessoas influenciadas por Sartre foram muito mais além —principalmente Franz Fanon. Sua mais influente obra, “Les Damnés de La Terre” que tem um prefácio de Sartre, provavelmente desempenhou um papel maior na divulgação do terrorismo no Terceiro Mundo do que qualquer outro tratado. A violência é apresentada como libertação, um fundamental tema sartreano. Para um negro, escreve Sartre em seu prefácio, "atirar em um europeu é matar dois pássaros com uma cajadada, porque destrói um opressor e o homem que ele oprime ao mesmo tempo". Matando, o terrorista renasce — livre. Fanon pregou que a violência é uma forma necessária de regeneração social e moral para o oprimido. "Apenas a violência", ele escreveu, "a violência cometida pelo povo, a violência organizada e instruída pelos seus líderes, possibilita às massas compreender as verdades sociais e fornece-lhes sua chave". A noção da "violência organizada e instruída", conduzida pelas elites, é a fórmula para o terrorismo. Fanon vai além: "Ao nível dos indivíduos, a violência é uma força purificadora. Ela liberta o oprimido de seu complexo de inferioridade e de seu desespero e inação". É precisamente esta linha de pensamento, de que a violência é positiva e criativa, que capacita os terroristas a cometer os atos horríveis pelos quais são responsáveis. O mesmo argumento — quase que palavra por palavra — foi usado por Hitler, que repetia, interminável, "a virtude está no derramamento de sangue". Portanto, o primeiro pecado mortal do terrorismo é a justificação moral do assassínio, não apenas como um meio para um fim, mas por si mesmo.

O segundo pecado mortal é a supressão deliberada dos instintos morais do homem. Os organizadores do terrorismo descobriram que não é suficiente fornecer a seus recrutas as justificações intelectuais para o assassínio: a instintiva humanidade que há em nós deve ser sistematicamente embotada, ou do contrário rejeitará o sofisma. Na Rússia dos anos 1870 e 1880, os grupos de terror Neznavhalie favoreciam o que chamavam de “terror sem motivos” e consideravam qualquer assassínio uma “ação progressiva”. Uma vez adotado o terror indiscriminado, o grupo sofre rapidamente a desintegração moral — de fato, o abandono de qualquer sistema de critérios morais torna-se um elemento essencial de seu treinamento. O fato é brilhantemente descrito na grande novela antiterrorista de Dostoievski, "Os Possuídos", pelo diabólico Stavrogin, que argumenta que o grupo terrorista somente pode ser unido pelo medo e pela depravação moral: "Persuada quatro membros do círculo a matar um quinto", ele diz, "sob a desculpa de que ele é um delator, e você os terá amarrado em um só nó pelo sangue derramado. Eles serão seus escravos". Esta técnica está sendo indubitavelmente usada por alguns grupos terroristas. Neles, as recrutas são submetidas a repetidos estupros, ou forçadas a tomar parte de atos coletivos de depravação sexual, de forma a anestesiar os reflexos morais e a prepará-las para a brutal transformação de suas naturezas que os seus futuros "deveres" exigirão. A teoria está baseada na presunção de que nenhum homem ou mulher pode ser efetivamente um terrorista enquanto mantiver os elementos morais da personalidade humana. O segundo pecado mortal do terrorismo é uma ameaça não apenas à civilização, mas à humanidade como tal.

O terceiro pecado mortal é a rejeição da política como um meio normal pelo qual as comunidades resolvem seus conflitos. Para os terroristas, a violência não é apenas uma arma política, para ser usada in extremis: a violência é um substituto para todo o processo político. Os terroristas árabes, o IRA, a quadrilha Baden-Meinhof, os Exércitos e Brigadas Vermelhas do Japão e da Itália e outros, nunca mostraram qualquer desejo de se engajar no processo político democrático. Rejeitam a noção de que a violência é uma técnica a ser empregada como último recurso, a ser adotada apenas se falharam todas as outras tentativas para se obter justiça. Assim fazendo, eles rejeitam a vertente do pensamento civilizado, baseada, como boa parte de nossa gramática política, nos teóricos do contrato social do século XVII. Hobbes e Locke trataram corretamente a violência como a antítese da política, uma forma de ação característica do arcaico reino do estado da natureza. Eles viam a política como uma tentativa para criar um mecanismo para evitar o barbarismo e tornar possível a civilização: a política torna a violência desnecessária e também antinatural para o homem civilizado. A política é uma parte essencial da maquinaria básica da civilização e, rejeitando a política, o terrorismo tenta fazer inexeqüível a civilização. Entretanto, o terrorismo não permanece neutro na batalha política. Não tem tendência, a longo prazo, para a anarquia: ele leva ao despotismo.

O quarto pecado mortal do terrorismo é que ele se associa ativamente, sistematicamente e necessariamente à propagação do Estado totalitário. Os países que financiam e sustentam a infra-estrutura internacional do terrorismo — que dão refúgio e abrigo aos terroristas, bases e campos de treinamento, dinheiro, armas e apoio diplomático como um assunto de deliberada política de Estado — são, sem exceção, Estados despóticos. Todos esses Estados têm governos militares ou policiais. A noção de que o terrorismo se opõe às "forças repressivas" da sociedade é falsa — de fato, é o contrário da verdade. O terrorismo internacional, e os vários movimentos terroristas a seu serviço, é inteiramente dependente da boa vontade e do apoio ativo de Estados policiais.

O quinto pecado mortal. O terrorismo internacional não representa perigo para o Estado totalitário. Esta espécie de Estado sempre pode defender-se através do assassínio judicial, da prisão preventiva, da tortura de prisioneiros e suspeitos, e do completo controle das atividades terroristas. Estes Estados não têm de se limitar ao primado da lei ou a qualquer outra consideração de humanidade ou ética. O terrorismo apenas pode fincar pé em um Estado onde o Poder Executivo sofre alguma espécie de restrição legal, democrática e moral. O regime do Xá do Irã foi derrubado — e os terroristas tiveram um papel importante na operação — não porque ele era implacável, mas porque hesitou em ser implacável. O efeito destas vitórias terroristas não é a expansão, mas contração da liberdade e da lei. O Irã agora é um Estado totalitário, onde o primado da lei não mais existe, e um Estado a partir do qual os terroristas podem operar com segurança e com ativa assistência oficial. Assim, o quinto pecado mortal é que o terrorismo discrimina entre o Estado de Direito e o Estado totalitário, em favor deste último. Ele pode destruir a democracia, como destruiu o Líbano, mas não pode destruir um Estado totalitário. A base do terrorismo está no mundo totalitário — é de lá que vem seu dinheiro, treinamento, armas e proteção. Mas, ao mesmo tempo, ele apenas pode operar efetivamente na liberdade de uma civilização liberal.

O sexto pecado mortal do terrorismo é que ele explora o aparelho de liberdade das sociedades liberais e, portanto, o ameaça. Ao defrontar-se com a ameaça do terrorismo, uma sociedade livre deve armar-se. Mas o simples processo de se armar contra o perigo interno, ameaça as liberdades, decoro e padrões que fazem uma sociedade civilizada. O terrorismo é uma ameaça direta e contínua a todos os instrumentos protetores de uma sociedade livre. É uma ameaça à liberdade de imprensa. É uma ameaça ao primado da lei, necessariamente atingido pela legislação de emergência e pelos poderes especiais. É uma ameaça ao habeas corpus, ao processo de humanização dos códigos penais e da civilização de nossas prisões. É uma ameaça a qualquer sistema de controle dos excessos da polícia, das autoridades carcerárias ou de quaisquer outras forças restritivas da sociedade.
O sétimo pecado mortal do terrorismo opera, paradoxalmente, na direção oposta. Uma sociedade livre que reage ao terrorismo pelo recurso aos métodos autoritários se prejudicará necessariamente. Mas um perigo muito maior — e muito mais comum hoje em dia — é que tais sociedades livres, em sua ansiedade para evitar os excessos autoritários, deixam de se armar contra a ameaça terrorista, e assim abdicam à sua responsabilidade de manter a lei. Os terroristas têm êxito quando conseguem provocar a opressão, mas triunfam quando encontram o apaziguamento. O sétimo e mais mortal dos pecados do terrorismo é que ele solapa a vontade de uma sociedade civilizada de se defender.

Temos visto isso acontecer. Encontramos governos negociando com terroristas — negociações que visam não à destruição ou desarmamento dos terroristas, pois tais negociações podem por vezes ser necessárias, mas negociações cujo resultado inevitável é ceder em parte às exigências dos terroristas. Encontramos governos providenciando dinheiro de resgate para terroristas, ou permitindo que cidadãos privados o façam, até mesmo auxiliando no processo pelo qual esse dinheiro chega às mãos dos terroristas. Encontramos governos libertando criminosos condenados, em resposta a exigências de terroristas; concedendo a terroristas o status, direitos, vantagens e, acima de tudo, a legitimidade de interlocutores em negociações. Encontramos governos concedendo a terroristas condenados o status oficial e privilegiado de prisioneiros políticos, o que é sempre uma asneira e uma rendição. Encontramos governos se submetendo às exigências — uma parte invariável da estratégia terrorista — de inquéritos oficiais, ou investigações internacionais, sobre alegados maus tratos a terroristas suspeitos ou condenados. Encontramos jornais e redes de televisão — e, freqüentemente, redes estatais de televisão — colocando governos democráticos e terroristas em um nível de igualdade moral. Encontramos governos se omitindo em seu dever de persuadir o público de que os terroristas não são políticos desencaminhados.

Eles são criminosos. Eles são criminosos extraordinários, de fato, de vez que representam uma ameaça não apenas para os indivíduos que assassinam sem compaixão, mas para toda a matriz da sociedade. Mas mesmo assim continuam criminosos.

O sétimo e mais mortal pecado do terrorismo é que ele tenta induzir a civilização a cometer o suicídio.

10 fevereiro 2009

UM POUCO DE ISLÃ E ISRAEL

Abaixo, vídeo do "60 Minutes" sobre PALLYWOOD, a central palestina de imagens escabrosas, para horrorizar ocidentais bonzinhos e politicamente corretos.



Abaixo, vídeo de discurso do militante palestino Fathi Hamad, gravado e transmitido pela Al-Aqsa TV, do Hamas, a 28 de fevereiro de 2008, admitindo o uso das crianças palestinas como escudos humanos.



Abaixo, trecho do texto do escritor Luiz Nazário, extraído do seu blog http://escritorluiznazario.wordpress.com/2009/02/09/as-criancas-martires/

Desde os filmes de Sergei Eisenstein, as imagens de criancinhas mortas são usadas pela propaganda totalitária para comover os ingênuos a fim de favorecer regimes sanguinários. Os mesmos regimes que se mostram amorosos com criancinhas não hesitam em exterminar friamente seus opositores e “inimigos objetivos”

Quem poderia ficar indiferente à cena de Stachka (“A greve”, 1925), em que o menino que brincava de soldado durante a repressão à greve operária de 1912 tem seu corpinho suspenso pelo cossaco e jogado do alto do alto do cortiço, até espatifar-se no chão? Ou à cena de Bronenosets Potyomkin (“O encouraçado Potenkim”, 1925), em que o cossaco de 1905 esmaga com seu fuzil o garotinho que rola num carrinho de bebê escadaria de Odessa abaixo? Ou à cena de Aleksandr Nevskiy (“Alexandre Nevksi”, 1938), em que a criança é lançada viva à fogueira pelo tirano teutônico que invade a Rússia do século XIII?

Essas “corajosas” críticas de Einsenstein na verdade eram dirigidas à Rússia czarista anterior à Revolução de 1917 e à Alemanha do “presente enquanto passado” (os teutônicos do século XIII representando os nazistas de 1938).

Ou seja, a aparente crítica reduzia-se à propaganda do Estado: suas imagens de criancinhas martirizadas serviram para encobrir os tremendos crimes de Stalin.

O próprio tirano não hesitou em segurar no colo a risonha menina Guelia Markizova, de seis anos de idade, cujos pais ele mandou fuzilar, promovendo com essa foto sua imagem de “amigo das criancinhas”.


















Também Adolf Hitler, responsável pelo assassinato de cerca de 1.500.000 crianças judias e de milhares de crianças ciganas, gostava de ser filmado e fotografado recebendo buquês de flores de criancinhas ou afagando cães, sendo admirado pelo povo alemão por seu amor aos animais e aos pequeninos; pioneiro da política ecológica de “desenvolvimento sustentável”, ele proibiu a vivisseção de animais, ao mesmo tempo em que permitiu aos médicos nazistas realizar suas “experiências” na carne viva dos judeus e ciganos:
















Nos dias atuais, as mídias de consumo repetem como papagaios eletrônicos a propaganda totalitária espalhada pelo terror sobre o “genocídio” dos inocentes palestinos e o “holocausto” das crianças de Gaza. Centenas, talvez milhares de manifestos postados no You Tube clamam pela destruição de Israel. Não apenas militantes extremistas, mas também comentaristas, jornalistas, acadêmicos, escritores e filósofos assumem essa “causa nobre”, pregando boicotes a Israel e comparando sem qualquer constrangimento os judeus aos nazistas, Israel à Alemanha Hitlerista, Gaza a Auschwitz. O antissemitismo triunfa em toda parte, numa escalada global de perigosas distorções da realidade que ameaçam repetir a História numa farsa gigantesca de conseqüências imprevisíveis.

Com a retirada israelense de 2005, Gaza passou a ser controlado pelo Hamas, que trucidou seus rivais do Fatah e transformou o território numa Salò islâmica. Um instantâneo desse horror podia ser visto num vídeo que mostrava os homens do Hamas abatendo a tiros dezenas de homens do Fatah, em 2007. Era um registro ilustrativo da natureza do Hamas e de suas técnicas de matar opositores: os palestinos supostamente ligados ao Fatah eram obrigados a deitar em fila ao longo de um muro, à luz do dia, em plena cidade, para serem fuzilados. Notem bem: não eram colocados contra o muro, como se espera de uma execução sumária; eles eram colocados deitados diante do muro; os mascarados do Hamas atiravam, então, seguidamente, a certa distância, em seus corpos, mirando as cabeças, mas obviamente custando a acertar, fazendo assim a agonia dos fuzilados se prolongar ao máximo. Se esse vídeo foi censurado por razões “humanitárias”, alguns exemplos da barbárie do Hamas ainda podem ser acessados no You Tube, como este registro de um ato de terror das milícias islâmicas contra palestinos a cantar músicas do Fatah a 10 de outubro de 2007: os mascarados chegam atirando para o alto, destroem as mesas colocadas na calçada e espancam violentamente os “rivais” que pareciam festejar um casamento:




O dia 12 de novembro de 2007 em Gaza poderia ser comparado, guardadas as devidas proporções, à Noite das Facas Longas, com o Hamas esmagando – não na calada da noite, mas em plena luz do dia – seus rivais do Fatah durante uma festa terrorista em homenagem a Yasser Arafat, como se pode observar nestes impressionantes registros da TV EuroNews, postados no You Tube, sob o título “Gaza City - Gaza Strip - EuroNews - No Comment”. Dividido em duas partes, na primeira pode-se ver a festa do Fatah e, na segunda, a razzia do Hamas, sendo que a violência desse ataque transforma a festa terrorista numa festa infantil, em comparação:

(vídeo censurado no Youtube)
A selvageria que marcou, de lado a lado, o dia da tomada do poder pelo Hamas em Gaza também foi registrado pela CNN neste clipe postado no You Tube sob o título “Hamas in Control of Gaza”:




E com a aprovação, pelo Conselho Legislatio Palestino da adoção das “leis corânicas” (a Shari’a) em Gaza, com penas de chibatada, amputação das mãos, enforcamento, crucificação, as medidas islâmicas mais extremas foram tomadas para eliminar qualquer oposição de comportamento ou de opinião em Gaza. A seção 84 da lei declara, por exemplo, que: “Qualquer um que beba vinho, possua ou produza vinho será punido com 40 chibatadas se ele for muçulmano, e qualquer um que beba vinho, ou perturbe outra pessoa (com vinho), ou cause nele estresse por estar bebendo vinho em público; ou vá a algum lugar público bebâdo, será punido com não menos que 40 chibatadas e encarcerado por pelo menos três meses”. E a seção 59 estabelece que “punições capitais serão usadas contra palestinos que intencionalmente [...] enfraquecerem o espiríto da força de resistência do povo; ou espionar contra os palestinos, especialmente durante a guerra” [Fontes: Al-Arabiya, 24 dez. 2008; Al Hayat, Londres, 24 dez. 2008].

Entendendo a retirada israelense de Gaza como “sua” vitória, e depois de lançar 10 mil foguetes Qassan contra Israel, ao longo dos últimos oito anos, o Hamas obteve do Irã e da Síria foguetes chineses e russos mais potentes, capazes de atingir cidades a 40 km da fronteira, colocando em risco quase 1 milhão de israelenses. Sobre suas operações contra os lançamentos de foguetes a partir de áreas urbanas, densamente povoadas, de Gaza, as Forças de Defesa de Israel postou no YouTube alguns vídeos que foram censurados e retirados do ar, como um que mostra o momento em que terroristas transferem foguetes de uma van para um caminhão lançador, antes de serem cuidadosamente mirados e, finalmente, atingidos pela Força Aérea israelense. Vídeos remanescentes podem ser vistos na Página das IDF no You Tube e no Site das IDF. Neste registro aéreo para download, por exemplo, realizado a 29 de outubro de 2007, terroristas do Hamas lançam um foguete contra Israel a partir de uma Escola controlada pela ONU. Neste sentido, uma das imagens mais ilustrativas desse crime de guerra do Hamas é o registro da própria TV Al-Aqsa, datado de 6 de janeiro de 2009, do lançamento de um foguete contra Israel a partir de uma área urbana:




O Hamas usou a precária “trégua”, interrompida em dezembro, para rearmar-se, dentro da velha tradição islâmica, segundo a qual tréguas são permitidas quando os combatentes muçulmanos estão em pequeno número ou falta-lhes munição, ou ainda quando se espera que o inimigo se converta ao Islã. Segundo um manual de jurisprudência islâmica, Umdat al-Salik (“A confiança do viajante”), certificado pela Universidade Al-Azhar, se os muçulmanos sentem-se fracos, uma trégua pode durar até dez anos – tempo previsto no Tratado de Hudaibiya, acordado entre o profeta Maomé e os Quraysh de Meca. Durante a trégua, Maomé assaltou caravanas, comprou armas, conquistou aldeias, comercializou escravos, aumentou seus combatentes: com isso, rompeu a trégua acordada após apenas dois anos e conquistou Meca. Quanto aos acordos firmados, eles podem ser quebrados a qualquer momento, uma vez que os islamitas se permitem mentir aos “infiéis”. Seguindo a tradição islâmica, o Hamas ignorou os apelos do Fatah para renovar a “trégua” com Israel. Ao que parece já se sentia forte o suficiente para “destruir Israel” com seus novos foguetes. Foi quando Israel decidiu reagir e bombardear os lançadores em Gaza. Foram então vitimados centenas de terroristas e seus escudos humanos – crianças abusadas por pais que as incentivaram obscenamente, anos a fio, ao martírio.

Como sempre, os pacifistas condenaram Israel, exigindo um cessar-fogo imediato. Teriam crédito se tivessem exigido antes um cessar-fogo do Hamas. Enquanto só israelenses sofriam, não se via manifestação pacifista, só um pacto de silêncio com o terror. Quando o Hamas foi atacado, os pacifistas levantaram suas vozes, em coro, para oferecer ao terror uma nova chance – a de obter e lançar foguetes mais potentes contra Israel. Ora, o terror não cede à diplomacia internacional. É preciso, pois, destruir sua infra-estrutura. Mas a verdadeira solução seria reeducar as populações palestinas doutrinadas no sonho do martírio. E como? Ninguém tem essa resposta. Além disso, o mundo assiste com indiferença e até com respeito à educação para a morte das crianças palestinas.

A Carta do Hamas apregoa o “fim da entidade sionista”. Isso só ocorreria sob bombardeio atômico, com morte radioativa colateral para todos os palestinos. De fato, a visão que o Hamas tem da “causa palestina” encobre um desejo de morte coletiva. Razões de economia política misturam-se a violentos distúrbios psíquicos produzidos por uma educação islâmica que, ao sufocar Eros, libera Tânatos. Um irracionalismo doentio irrompe no mundo político. Cabe, então, às IDF a dura tarefa de defender a existência de seu povo, sob o achincalhe das multidões anti-semitas (“Gás nos judeus” – pedem os pacifistas na Holanda), contra agressores patológicos que, abençoados por seus sacerdotes, anunciam seu objetivo genocida de “varrer Israel do mapa”.

A 2 de janeiro de 2009, uma semana após o início das operações militares em Gaza, o Hamas convocou um orwelliano “dia de ódio” contra os bombardeios. Israel reforçou a segurança em Jerusalém Oriental e impôs restrições ao movimento de palestinos na Cisjordânia. Os preparativos para a ofensiva por terra foram finalizados, e um grande número de tanques e soldados concentrou-se na fronteira. Várias famílias palestinas deixaram a área e o Exército israelense liberou a saída de estrangeiros da Faixa de Gaza, ao mesmo tempo em que impediu a entrada de jornalistas, declarando a área zona militar fechada. Nizar Rayyan, um dos principais líderes do movimento palestino Hamas, foi então morto em um bombardeio e logo Israel atacou uma mesquita carregada de armamentos. O Hamas voltou a lançar foguetes contra Israel, demonstrando indiferença aos apelos internacionais de cessar-fogo, declarando que só estudaria essa possibilidade se Israel suspendesse o bloqueio à Faixa de Gaza.

Sem qualquer escrúpulo, os palestinos passaram então a exibir os cadáveres de suas crianças para as mídias internacionais. Manifestantes em diversas capitais agitaram grotescas bonecas enroladas em lenços palestinos respingados de tinta vermelha para demonstrar que Israel dedicava-se a massacrar crianças em Gaza. E o mundo inteiro se horrorizou com mais um “genocídio” perpetrado por Israel contra o povo palestino, como nas grotescas, contraditórias, assustadoras manifestações antissemitas, fascistas, progressistas, ocorridas em São Francisco (EUA):
















Enquanto o regime palestino doutrinava, ano após ano, “suas” crianças para se tornarem mártires da causa da destruição de Israel, o mundo permanecia calmo e silencioso. Quando crianças começaram a ser mortas em Gaza, o mundo resolveu despertar de seu torpor e os antissemitas apressaram-se a acusar Israel por crimes de guerra. Muitos insistiram então que os foguetes do Hamas não passavam de rojões, sendo a reação israelense “desproporcional” e seu bombardeio de “crianças inocentes” um verdadeiro Holocausto. Os argumentos eram sérios: os inocentes terroristas só desejariam estraçalhar impunemente o maior número de judeus com bombas e foguetes e dar graças a Alá. Os desígnios do Altíssimo são insondáveis, mas, às vezes, o fervoroso fiel é recompensado por Alá com uma viagem a jato para o Paraíso, ao encontro das virgens que ali o esperam para serem defloradas.

Neste caso, antes de culpar Israel, seria preciso condenar o Hamas por seus inúmeros crimes de guerra; e os humanitários dignos deste nome deveriam assinar a petição que exige da hipócrita ONU o reconhecimento, entre outros crimes de guerra do Hamas, do uso das crianças palestinas como escudos humanos, uso publicamente admitido pelo militante palestino Fathi Hamad em discurso gravado e transmitido pela Al-Aqsa TV, do Hamas, a 28 de fevereiro de 2008 (acima).

O uso e abuso das crianças palestinas pelo Hamas foi demonstrado por uma série de eventos registrados pelos próprios palestinos, orgulhosos de praticarem impunemente seus crimes de guerra, usando crianças como carne de canhão, enquanto acusavam Israel de praticar crimes de guerra contra suas crianças inocentes. Trata-se de um dado novo, que merece uma análise mais profunda, que as mídias de consumo parecem incapazes de oferecer. Ao serem treinadas para o martírio, as crianças palestinas tornaram-se poderosas armas de propaganda para o terror do Hamas. Em Gaza, após torturar e liquidar a tiros dezenas de rivais do Fatah, o Hamas conseguiu voltar um mundo inteiro de idiotas a seu favor com a propaganda totalitária de suas crianças mártires. Não retomaremos aqui as imagens pornográficas dos corpos das crianças palestinas martirizadas, como a da menina ensangüentada nos braços do pai ou a de uma mãozinha infantil saindo cadavérica dentre os escombros. Há uma lógica perversa que vai da procura do martírio pelos palestinos ao uso do martírio obtido pelos palestinos para culpar Israel do martírio dos palestinos… Diante das imagens-choque da propaganda palestina, a propaganda israelense é de uma ingenuidade total, produzindo formas superadas de fotografias de soldados confraternizando com inocentes crianças palestinas, num tipo de clichê empregado hoje apenas em campanhas eleitorais; como na imagem-símbolo da campanha da reeleição de Lula à Presidência em 2006, analisada em MIL OLHOS. Hoje, as encenações eisensteinianas de crianças assassinadas, assim como os instantâneos nazistas, fascistas, stalinistas, populistas de criancinhas com buquês de flores em propagandas eleitorais são incapazes de mobilizar as massas. É notável que a ética judaica resista, em nome de um bem maior que a própria sobrevivência de Israel, à única propaganda que se mostra hoje eficiente. Por outro lado, as imagens de propaganda das IDF só servem, pelo seu ridículo involuntário, às associações sádicas – e as imagens ingênuas permitem essas associações; e os antissemitas adoram fazê-las – entre soldado-israelense-com-criancinha e Hitler-com-criancinha (ou: Stalin-com-criancinha, Lula-com-criancinha).

É preciso, aliás, distinguir - tarefa cada vez mais complexa - as imagens da propaganda das imagens foto jornalísticas. As imagens gráficas que todos conhecemos do Holocausto, por exemplo, foram realizadas e exibidas apenas no fim da guerra, quando seu poder de mobilização não era mais eficiente para os judeus, que já estavam mortos ou sendo libertados dos campos. O mundo comoveu-se e ainda se comove com essas imagens, fundamentais para a consolidação de Israel após o Holocausto. Hoje, contudo, essas imagens de violência gráfica, cujo uso Claude Lanzmann rejeitou, e que Steven Spielberg entendeu como necessário, não têm mais força para mobilizar o mundo contemporâneo senão através de seu uso perverso e distorcido pelos antissemitas. Esse uso é hoje realizado sistematicamente a fim de destruir Israel e negar o Holocausto, através de justaposições insanas com as imagens contemporâneas do “sofrimento palestino” – que deve ser mantido entre aspas, pelo que ele apresenta de real e de imaginário, de verdadeiro e de forjado simultaneamente. O mundo não conhece ainda toda a dimensão da chamada Pallywood (acima).

Neste sentido, é notável o exemplo de dignidade oferecido pela concepção do monumento às crianças vitimadas no Holocausto no Museu Yad Vashem, em Jerusalém: ali não se vê nenhuma imagem das crianças judias mortas, nenhuma exploração de seu sofrimento, de sua morte física, apenas a luz de seis velas acesas na escuridão, refletidas por espelhos que as multiplicam ao infinito, enquanto são recitados os nomes das crianças mortas de uma lista sem fim. Já os terroristas palestinos descobriram a força da propaganda totalitária hardcore, muito mais poderosa que as imagens dos martírios infantis encenados por Eisenstein e das poses floridas de crianças junto a ditadores, líderes populistas ou soldados inimigos.

Gênios do marketing maquiavélico contemporâneo, os palestinos divulgam as imagens que o mundo de hoje quer ver: as de suas crianças sendo treinadas para matar e para morrer; e as imagens subseqüentes de seus pequenos cadáveres embrulhados em panos. Os palestinos tornaram-se um sucesso de mídia encarregando os paparazzi internacionais de fotografar essas crianças mártires em tempo real. Primeiro momento: “treinando para o martírio”. Segundo momento: “destroçadas no campo de batalha”. É tudo o de que as mídias e os militantes da causa precisam para que o terror palestino se veja mundialmente legitimado. Em Gaza, a propaganda terrorista suplantou em muito a propaganda totalitária das representações sangrentas ou festivas, criando a propaganda gore da pornográfica exibição de crianças reais abusadas por pais e mestres, que as treinam para matar e para morrer, entregando, em seguida, seus corpos trucidados à sanha dos paparazzi internacionais de criancinhas mortas. Essas imagens hardcore, difundidas em massa, sem qualquer resquício de ética, seja da parte dos palestinos, seja da parte das mídias de consumo, revelaram-se uma forma de propaganda eficaz, capaz de mobilizar as massas. As imagens das crianças mártires são populares, excitantes, esperadas, desejadas, ansiadas, fomentadas, aplaudidas. As massas só se comovem e se deleitam com as imagens hardcore da violência mais gráfica, mais pornográfica possível.

Israel é um fracasso na guerra de propaganda, na guerra virtual, na guerra de mídia, pois não dá ao mundo o que ele quer nesse campo. Não permitiu, por exemplo, que o mundo se comovesse com as imagens das 123 crianças israelenses explodidas pelos homens-bombas palestinos entre outubro de 2000 e janeiro de 2005, em sucessivos atentados: bloqueados pela ética judaica (que há muito o mundo já “superou”), os israelenses pouparam as consciências antenadas da exibição das imagens pornográficas de suas crianças trucidadas. O mundo não perdoa esse tipo de boicote ao seu gozo do horror. Já a causa palestina ganha um sem número de adeptos porque não se acanha diante do inominável, ganhando cada vez mais popularidade mundial exibindo as crianças mártires de Gaza, cujas imagens tenebrosas conquistam corações e mentes graças ao espaço privilegiado das mídias, preocupadas apenas em conseguir a mais ampla audiência, comovendo a qualquer preço a desgastada, frouxa, empedernida sensibilidade contemporânea.

16 janeiro 2009


A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO EM CARNE E OSSO

(na verdade, o próprio conceito é uma das obra-primas do gramscismo)

Palestra de Yuri Bezmenov, ou Tomas Schuman, desertor soviético da KGB, que detalha seu esquema de quatro etapas para o processo de subversão e dominação de sociedades-alvo da KGB em uma palestra em Los Angeles, 1983. Ele enumera várias áreas de atuação e mostra o quanto movimentos aparentemente espontâneos da sociedade são aproveitados ou até criados pelo subversor. (7 partes, acessíveis no Youtube)


ENTREVISTA (1983)

 

PALESTRA (1983)


MEDIDAS ATIVAS SOVIÉTICAS
Falsificação, corrupção, desinformação, agentes de influência e truques sujos globais são todos parte de uma ampla gama de atividades soviéticas chamadas de Medidas Ativas. Depoimentos do correspondente da Newsweek Arnaud de Borchgrave, do escritor Jean Francois Revel, do agente da KGB Stanislav Levchenko, do agente da inteligência da Tchecoslováquia, Ladislav Bittman.

05 janeiro 2009

TERRORISTAS DO HAMAS x DEMOCRACIA DE ISRAEL
Tudo o que teria a dizer foi dito pelo Reinaldo Azevedo em mais um de seus brilhantes textos (abaixo).
Faltou apenas uma coisa, que comentei na área específica de seu blog: 

se a questão é REAÇÃO PROPORCIONAL, isso significa que Israel estaria autorizada a VARRER DO MAPA aqueles que, oficialmente, dizem querer varrer Israel do mapa?


SIM OU NÃO À EXISTÊNCIA DE ISRAEL? ESSA É A PRIMEIRA QUESTÃO. EU DIGO “SIM”
O Hamas rompeu a trégua com Israel — a rigor, nunca integralmente respeitada —, e aqueles que ora clamam pelo fim da reação da vítima — e a vítima é Israel — fizeram um silêncio literalmente mortal. Hipócritas, censuram agora o que consideram a reação desproporcional dos israelenses, mas não apontam nenhuma saída que não seja o conformismo da vítima. É desnecessário indagar como reagiria a França, por exemplo, se seu território fosse alvo de centenas de foguetes. É desnecessário indagar como responderia o próprio Brasil. O Apedeuta e seus escudeiros no Itamaraty — que vive o ponto extremo da delinqüência política sob o comando de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães — aceitam, de bom grado, que Evo Morales nos tungue a Petrobras, mas creio que defenderiam uma resposta militar se o Brasil passasse a ser alvo diário de inimigos. Há dias, Lula afirmou que o Brasil precisa ser uma potência militar se quiser ser respeitado no mundo. Confesso que, dada a moral ora vigente no Planalto e na diplomacia nativa, prefiro que o país tenha, no máximo, aqueles fogos Caramuru, os únicos que, no nosso caso, não podem dar xabu... Lula merece, no máximo, ter um rojão ou aqueles fósforos coloridos de São João para brincar.

É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação. Por quê? O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção. Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica.

Será que exagero? Que outra consideração estaria na origem da suposição de que um país deve se quedar inerme diante de uma chuva de foguetes em seu território? “Não, Reinaldo, o que se censura é o exagero, a reação desproporcional”. Tratarei desse argumento, essencialmente mentiroso e de ocasião, em outro post. Neste artigo, penso questões mais profundas, que estão na raiz do ódio a Israel. Como se considera que aquele estado é essencialmente ilegítimo, cobra-se dele, então, uma tolerância especial. Aliás, exigem-se dos judeus duas reações particulares, de que estariam dispensados outros povos.

Como os hipócritas do silêncio consideram que a criação de Israel foi uma violência, cobram que esse estado viva a pedir desculpas por existir e jamais reaja. Seria uma espécie de suicídio. Israel faria por conta própria o que várias nações islâmicas — em grupo, em par ou isoladamente — tentaram sem sucesso em 1956, em 1967 e em 1973: eliminar o país do mapa. Dói na consciência e no orgulho dos inimigos do país a constatação de que ele adquiriu o direito de existir na lei e na marra, na diplomacia e no campo de batalha.

A segunda reação particular guarda relação com o nazismo. Porque os judeus conheceram o horror, estariam moralmente proibidos de se comportar como senhores: teriam de ser eternamente vítimas. Ao povo judeu seria facultado despertar ódio ou piedade, mas jamais temor. Franceses, alemães, espanhóis, chineses, japoneses e até brasileiros cometeram ou cometem suas injustiças e violências — e todos esses povos souberam ou sabem ser impressionantemente cruéis em determinadas ocasiões e circunstâncias. Mas os judeus?! Eles não!!! Esperam-se passividade e mansidão pouco importa se são tomados como usurpadores ou vítimas. A anti-semitismo ainda pulsa, eis a verdade insofismável.

Tudo seria mais fácil se as posições fossem aclaradas. Acatar ou não a legitimidade do estado de Israel ajudaria muitas nações e muitas correntes político-ideológicas a se posicionar e a se pronunciar com clareza: “Sim, admito a existência de Israel e penso que aquele estado, quando atacado, tem o direito de se defender”. É o que pensa este escriba. Ou: “Não! Fez-se uma grande bobagem em 1948, e os valentes do Hamas formam, na verdade, uma frente de resistência ao invasor; assim, quando eles explodem uma pizzaria ou um ônibus escolar ou quando jogam foguetes, estão apenas defendendo um direito”. Mas os hipócritas não seriam o que são se não cobrissem o vício com o manto da virtude. Como não conseguem imaginar uma solução para alguns milhões de israelenses que não o mar — e, desta feita, sem Moisés para abri-lo —, então disfarçam o ódio a Israel com um conjunto pastoso de retóricas vagabundas: “pacifismo”, “antimilitarismo”, “reação proporcional”, “direito à resistência” etc.

Na imprensa brasileira, um jornalista como Janio de Freitas chegou a chamar o ataque aéreo a Gaza de “genocídio”, dando alguma altitude teórica à militância política anti-Israel — embora o próprio Hamas admita que a maioria das vítimas seja mesmo composta de militantes do grupo. Trata-se, claro, de uma provocação: sempre que Israel é acusado de “genocida”, pretende-se evocar a memória do Holocausto. Em uma única linha, sustenta-se, então, uma farsa gigantesca:
a) maximiza-se a tragédia presente dos palestinos;
b) minimiza-se a tragédia passada dos judeus:
c) apaga-se da história o fato de que o Hamas é a força agressora, e Israel, o país agredido;
d) equiparam-se os judeus aos nazistas que tentaram exterminá-los, o que, por razões que dispensam a exposição, diminui a culpa dos algozes;
e) cria-se uma equivalência que aponta para uma indagação monstruosa: não seria o povo vítima do Holocausto um tanto merecedor daquele destino já que incapaz de aprender com a história?
E pouco importa se os que falam em genocídio têm ou não consciência dessas implicações: o mal que sai da boca dos cínicos não vira virtude porque na boca dos tolos.

Em junho de 2007, esse mesmo Hamas foi à guerra contra o Fatah na Faixa de Gaza. E venceu. O grupo preferiu não fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça — muitas vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena. “O que ocorreu no centro de segurança [as execuções] foi a segunda liberação da Faixa de Gaza; a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas. “Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá volta. A era da Justiça e da lei islâmica chegou", afirmou Islam Shahawan, porta-voz do grupo. Nezar Rayyan, também falando em nome dos terroristas, não teve dúvida: “Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas. Desde 2006, quase 700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.

Ódio a Israel
O ódio a Israel espalhado em várias correntes de opinião no Ocidente é caudatário da chamada “luta contra o Império”. O apoio ao país nunca foi tão modesto — em muitos casos, envergonhado. Não é coincidência que assim seja no exato momento em que se vislumbra o que se convencionou chamar de “declínio americano”. Israel é visto como uma espécie de enclave dos EUA no Oriente Médio. As esquerdas do mundo caíram de amores pelos vários sectarismos islâmicos, tomados como forças antiimperialistas, de resistência. Eu era ainda um quase adolescente (18 anos)— e de esquerda! — quando se deu a revolução no Irã, em 1979, e me perguntava por que os meus supostos parceiros de ideologia se encantavam tanto com o tal aiatolá Khomeini, que me parecia, e era, a negação, vejam só!, de alguns dos pressupostos que deveriam nos orientar — e o estado laico era um deles. Mas quê... A “luta antiimperialista” justificava tudo. O que era ruim para os EUA só poderia ser bom para o mundo e para as esquerdas. No poder, a primeira medida de Khomeini foi fuzilar os esquerdistas que haviam ajudado a fazer a revolução...

É ainda o ódio ao “Império” que leva os ditos “progressistas” do mundo a recorrer à vigarice intelectual a mais escancarada para censurar Israel e se alinhar com as “vítimas” palestinas. Abaixo, aponto alguns dos pilares da estupidez.

Mas o que é terrorismo?
Pergunte a qualquer “progressista” da imprensa ou de seu círculo de amizades se ele considera o Hamas um grupo “terrorista”. A resposta do meliante moral virá na forma de uma outra indagação: “Mas o que é terrorismo?” A luta “antiimperialista” torna esses humanistas uns relativistas. Eles dirão que a definição do que é ou não terrorismo decorre de uma visão ideológica, ditada por Washington, pela Otan, pelo Ocidente, pelo capitalismo, sei lá eu...

Esses canalhas são capazes de defender o “direito” que os ditadores islâmicos têm de definir os seus homens viciosos e virtuosos — “democracia não se impõe”, gritam —, mas, por qualquer razão que não saberiam explicar, acreditam, então, que Washington, a Otan, o Ocidente e o capitalismo não podem fazer as suas escolhas. E essas escolhas, vejam que coisa!, costumam ser justamente aquelas que garantem as liberdades democráticas. Se você disser que explodir bombas num ônibus escolar ou num supermercado, por exemplo, é terrorismo, logo responderão que isso não é diferente da ação de Israel na Faixa de Gaza, confundido a guerra declarada (e reativa!!!) com a ação insidiosa contra civis. Para esses humanistas, a ação contra Dresden certamente igualou os Aliados aos nazistas... Falei em nazistas? Ah, sim: os antiisraelenses gostam de comparar as ações do Hamas, do Hezbollah ou das Farc aos atos heróicos dos que lutaram contra o nazismo. Ao fazê-lo, não só igualam, então, os vários “terrorismos” como também os várias “estados da ordem”. No caso, o nazismo não se distinguiria dos governo de Israel, da Colômbia ou de qualquer outro estado que sofra com a ação terrorista.

Só querem a paz
Aqui e ali, leio textos indignados em nome da “paz”. E penso que o pacifismo pode ser uma coisa muito perigosa. Chamberlain e Daladier, que assinaram com Hitler o Acordo de Munique, que o digam. Como observou Churchill, entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e tiveram a guerra. Argumentos que remetem ao nazismo, sei disto, costumam desmoralizar um tanto o debate porque apelam sempre a uma situação extrema, que se considera única, irreproduzível. A questão, então, é como Israel pode fazer a paz com quem escolheu o caminho da guerra e só aceita a linguagem das armas e da morte. O Hamas é o inimigo que mora ao lado — e, com freqüência, dentro de Israel. Mas há os que estão um pouco mais distantes, como o Irã por exemplo. O que vocês acham que acontecerá quando (e se) os aiatolás estiverem prestes a ter uma bomba nuclear? Em nome da paz, senhores pacifistas, espero que Israel escolha a guerra. E ele escolherá, fiquem certos, concordem os EUA ou não.

A ação de Israel só fortalece o Hamas
Israel deixou o Sul do Líbano, e o Líbano foi entregue — sejamos claros — aos xiitas do Hezbollah. Israel deixou a Faixa de Gaza, e o Hamas expulsou de lá os corruptos moderados da Fatah, não sem antes fuzilar todos os que foram feitos prisioneiros na guerra civil palestina. Isso indica um padrão, pouco importa a vertente religiosa dos sectários. A guerra desastrada contra a facção xiita no Líbano, muito mais poderosa do que o inimigo de agora, significou, de fato, uma lição amarga aos israelenses: se a ação militar não cumpre o propósito a que se destina, ela, com efeito, só fortalece o inimigo. Na prática, é o que pedem os que clamam pela suspensão dos ataques à Faixa de Gaza: querem que Israel dispare contra a sua própria segurança.

O argumento de que os ataques só fortalecem o Hamas porque fazem do grupo heróis de uma luta de resistência saem, não por acaso, da boca de intelectuais palestinos ou de esquerda. Cumpre perguntar se, no status anterior, havia algum sinal de que os palestinos de Gaza estavam descontentes com os terroristas que os governam. Mais uma vez, está-se diante de uma leitura curiosa: a única maneiras de Israel não fortalecer o Hamas seria suportar os foguetes disparados pelo... Hamas! Como se vê, os argumentos passam pelos mais estranhos caminhos e todos eles cobram que os israelenses se conformem com os ataques.

A volta a 1948
Aqui e ali, leio que o estado de Israel só é defensável se devolvido à demarcação definida pela ONU em 1948. Digamos, só para raciocinar, que se possa anular a história da região dos últimos 60 anos... Os inimigos do país considerariam essa condição suficiente para admitir a existência do estado judeu? A resposta, mesmo diante de uma hipótese improvável, é “NÃO”. Mesmo as facções ditas moderadas reivindicam a volta do que chamam “os refugiados”, que teriam sido “expulsos” de suas terras — terras que, na maioria das vezes, foram compradas, é bom que se lembre. Tal reivindicação é só uma maneira oblíqua de se defender que Israel deixe de ser um estado judeu — e, pois, que deixe de ser Israel. E isso nos devolve ao começo deste texto.

Aceita-se ou não a existência de um estado judeu? Israel está muito longe, no curtíssimo prazo, dos perigos que, com efeito, viveu em 1967 e em 1973. Não obstante, sustento que nunca correu tanto risco como agora. Desde a sua criação, jamais se viu tamanha conspiração de fatores que concorrem contra a sua existência:
- a chamada “causa palestina” foi adotada pela imprensa ocidental — mesmo a americana, tradicionalmente pró-Israel, mostra-se um tanto tímida;
- o antiamericanismo, exacerbado pela reação contra a guerra no Iraque, conseguiu transformar o terrorismo em ação de resistência;
- os desastres da era Bush transferem para os aliados dos EUA, como Israel, parte da reação negativa ao governo americano;
- os palestinos dominam todo o ciclo do marketing da morte e se tornaram os “excluídos” de estimação do pensamento politicamente correto: o que são 300 mil mortos no Sudão e 3 milhões de refugiados perto de 500 mortos na Faixa da Gaza, a maioria deles terroristas do Hamas? A morte de qualquer homem nos diminui, claro, claro, mas a de alguns homens excita mais a fúria justiceira: a dos sudaneses não excita ninguém...;
- um estado delinqüente, como é o Irã — que tem em sua pauta a destruição de Israel —, busca romper o isolamento internacional aliando-se a inimigos estratégicos dos EUA;
- a Europa ensaia dividir a cena da hegemonia ocidental com os EUA sem ter a mesma clareza sobre o que é e o que não é aceitável no que concerne à segurança de Israel;
- atribui-se ao próprio estado de Israel o fortalecimento dos seus inimigos, num paradoxo curioso: considera-se que o combate a seus agressores só os fortalece, ignorando-se o motivo por que, afinal, ele decidiu combatê-los...

Sim ou não à existência de Israel? Sem essa primeira resposta, não se pode começar um diálogo. Ou romper de vez o diálogo. Sem essa resposta, o resto é conversa mole.

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