21 outubro 2010

(réplica ao artigo de Amin)
DIÁRIO CATARINENSE - 21 de outubro de 2010

A VERDADE DA ELEIÇÃO

A célebre frase do diplomata francês Talleyrand - "Eles não aprenderam nada nem esqueceram nada" - cabe como uma luva para definir o sempre ressentido Esperidião Amin.

Talleyrand referia-se aos nobres franceses que voltavam do exílio. Tendo perdido suas propriedades, status e poder, retornavam à França ansiosos por recuperar o que haviam perdido, certos de que tudo voltaria a ser como antes. Não percebiam que a Revolução havia mudado a sociedade francesa para sempre e que aquelas mudanças não tinham mais volta. A nobreza nunca mais recuperaria o poder que tivera no ‘Antigo Regime’, pois o povo havia conquistado espaços políticos dos quais não mais abriria mão.

Apesar de dizer que seu artigo publicado ontem neste espaço não seria choro de derrotado, não foi outra coisa que fez o ex-governador. Segundo ele, “em Santa Catarina, a escolha ocorreu em primeiro turno, sem a efetiva comparação entre mudar e continuar. A sociedade catarinense colherá os frutos da sua decisão”. Disse mais o lamuriento perdedor (que perdedor não é, pois, afinal, ganhou dos catarinenses um mandato de deputado, que parece desprezar): “o segundo turno de uma eleição favorece a comparação mais apurada de ideias, personalidades, credibilidade e circunstâncias, entre outros fatores”, e lamentou a “a falta de confronto mais amplo”, que teria deixado sem esclarecimento questões relativas à segurança pública, saúde, educação, sustentabilidade, agricultura, descentralização.

Data máxima vênia, penso, democraticamente, que seu choro é fruto de uma lógica estranha.

O primeiro turno teve 47 dias de propaganda eleitoral e o segundo apenas 15. O eleitor só pede um pouco mais de tempo para pensar quando não tem segurança em relação ao que viu e ouviu durante os primeiros 45 dias. É o caso da eleição presidencial, pois ainda há muitas incógnitas e dúvidas no ar. Não foi o caso em Santa Catarina.

Amin, que parece considerar a si e aos seus como donatários de uma capitania, insiste em não aprender nada e não esquecer nada.

ÁLVARO JUNQUEIRA – CONSULTOR-GERAL DO GABINETE DO GOVERNADOR

(artigo de Amin)
DIÁRIO CATARINENSE - 20 de outubro de 2010

Eleições 2010

O segundo turno de uma eleição favorece a comparação mais apurada de ideias, personalidades, credibilidade e circunstâncias, entre outros fatores. Para presidente da República, o Brasil ganha com o confronto, apesar das distorções sobre ética e religião que se observam. Em Santa Catarina, a escolha ocorreu em primeiro turno, sem a efetiva comparação entre mudar e continuar. Abstraído o mérito do grupo vencedor, o resultado sinaliza, democraticamente, continuidade.
Os vizinhos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul também tiveram decisão em primeiro turno, vencendo a oposição. A alternância ensejará aprimoramentos e correções. A sociedade catarinense colherá os frutos da sua decisão. Penso, democraticamente, que o resultado será sofrível, por erros conceituais e decisórios que a falta de confronto mais amplo deixou sem esclarecimento.
Na segurança pública, o candidato da situação invectivou contra a partidarização da Aprasc, sem criticar a partidarização da própria cúpula gestora. Na saúde, propagou a construção de um hospital (ou ala?) público, mas defendeu o modelo de hospitais filantrópicos. Na educação, que compromissos foram assumidos face à realidade e desafios postos? Sustentabilidade? Afinal, valem os premiados com troféus motosserra ou a voz da candidata Marina?
Agricultura, políticas públicas para crianças, jovens e idosos são indagações. Os cargos comissionados espalhados por 36 secretarias regionais, já chamadas de “cabides de empregos”, equivalem à descentralização? Se o governo federal adotasse essa equação, criaria 900 ministérios regionais! A isso não chamaríamos, também, de “aparelhamento” do governo?
Longe de ser choro de derrotado, esta reflexão estimula a pensar propostas para a reforma política que todos sabemos ser necessária. Quanto ao choro, prefiro o conselho do beduíno: “Não chores por ter perdido o sol, pois as lágrimas não te deixarão ver as estrelas!”

ESPERIDIÃO AMIN - EX-GOVERNADOR DE SC, DEPUTADO FEDERAL ELEITO (PP)

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