04 outubro 2006

ARDILOSO OU MENTIROSO?


Antes do início da campanha, quando ainda tentava aliança com o PFL, Amin disse que apoiava Alckmin.
Depois de abandonado por seus antigos parceiros, na esperança de obter os votos petistas num eventual segundo turno, disse que nunca deu apoio a Alckmin. Quem quiser conhecer a verdade, basta ler o jornal Zero Hora, de 25/04/2006: “Ontem, em Porto Alegre, os candidatos do partido ao governo do Rio Grande do Sul, Francisco Turra, e de Santa Catarina, Esperidião Amin, divulgaram carta com 11 sugestões ao programa de governo tucano”; ou o Correio do Povo do mesmo dia, onde, entrevistado, Amin destacou “a afinidade de idéias entre PP e PSDB e classificou o apoio como natural”.



Qual Amin é o verdadeiro? Nenhum! Para ele só existe o presente eterno, que vai existindo segundo a necessidade da hora.


Germano Rigotto passou da condição de favorito à reeleição para terceiro colocado por algo que os gaúchos não perdoam: falta de posicionamento. Não assumiu Lula nem Alckmin, e ficou a ver navios. Os gaúchos dizem, com razão, que só gostam de pelego para montar.




Indignado com o afastamento de velhos aliados, sem se perguntar o que teria feito para que o abandonassem, Amin passou o primeiro turno inteiro criticando o que chamava de “ajuntamento”, que, na verdade, nada mais era que uma inédita e bem conduzida tríplice aliança, costurada com maestria por Luiz Henrique. Pois não é que, nem bem terminado o 1o turno, o ácido crítico da aliança correu em busca de um ajuntamentozinho, espargindo elogios aos perdedores, dizendo-se aberto a incluir suas propostas no tal contrato com Santa Catarina e oferecendo espaços num eventual governo!

Em qual Amin acreditar? Em nenhum! Para ele a verdade é algo que vai se amoldando às exigências de cada momento.


Na cerimônia em que recebeu o Nobel de Literatura de 2005, o maior dramaturgo inglês da atualidade, Harold Pinter, leu o seu discurso de 46 minutos por meio de uma fita de vídeo, já que estava internado devido a um câncer.
Nele, Pinter disse que em 1958 escreveu que, quando se trata de arte, "não existem distinções concretas entre o que é real e o que é irreal, nem entre o que é verdadeiro e o que é falso. Uma coisa não é necessariamente ou verdadeira ou falsa; pode ser verdadeira e falsa a um só tempo". Desse trecho, podemos deduzir que Amin é um artista.


Mais adiante, porém, ele disse: “Acredito que essa alegação continue a fazer sentido e continue a se aplicar à exploração da realidade por intermédio da arte. Portanto, como escritor eu reafirmo o que disse. Mas não posso fazê-lo como cidadão. Em minha condição de cidadão, me cabe perguntar: O que é verdadeiro? O que é falso?”. Já neste trecho, o cidadão Amin não se compara com o seu antípoda inglês.


Falando com dificuldade, Pinter lembrou que 100 mil iraquianos e dois mil soldados norte-americanos foram mortos – sem contar os milhares e milhares de feridos e mutilados – porque a verdade não interessava ao presidente Bush. Qualquer semelhança não é mera coincidência...


Segundo o Houaiss, ardiloso pode ser aquele que se vale de astúcia, manha ou sagacidade, mas também é aquele que visa iludir, lograr, através de armações ou ciladas. Ainda segundo o Houaiss, mentiroso é aquele que faz afirmações baseadas em mentiras, que dá falsa idéia da realidade, que induz ao erro, que é inexato, aparente, fingido, hipócrita, ilusório, que pratica o engano, a falsidade, a fraude, que é falacioso, falso, doloso.


Confesso que me é difícil escolher a melhor definição para o candidato Amin.


A desvantagem do ardil é que, pela sua própria tendência de reproduzir-se mecanicamente ad infinitum, ele só serve para ludibriar ignorantes.


Felizmente, os eleitores catarinenses de ignorantes não têm nada.

4 comentários:

Anônimo disse...

Algo me preocupa agora no 2 turno gostaria de ouvir a sua opinião , como é que a gente fica tendo ao nosso lado FHC, ACM e garotinho, será que não vem uma liderança que seja vencedora.Assim vamos perder.

Anônimo disse...

a pesquisa não nos abate
Estou preocupado .Saiu a pesquisa, precisamos de bons aliados para ganhar a eleição.Porém do nosso lado só tem perdedores AMIN, Garotinho,ACM consulta: como a gente vai ganhar a eleição?

andre wernner disse...

Então meu caro Álvaro, o Esperidião chegou a esse ponto, aí em Santa Catarina é? Quem diria! Já foi o mandatário político do Estado juntamente com a patroa e os apaniguados da época. Nada como um dia atrás do outro...
Aliás, ele fazia aquela política feijão-com-arroz, sorriso largo, um balaio de piadinhas prontas para serem lançadas a qualquer momento, e o tradicional tapinha nas costas, fazendo de conta, apreço por quem o recebia!
Aquela política usada pelas velhas raposas de rabo felpudo. Esse negócio de ficar em cima do muro, chega uma hora, que o povo cansa. Pelo que se tem lido, o Luiz Henrique deu uma oxigenada na política do estado, descentralizou o poder e está dinamizando a máquina pública. Se for tudo isso, realmente, o Amin vai ter que ficar na geladeira por um bom tempo, ou estou enganado?

Abs e parabéns pelo blog.

Paulino disse...

Ow Alvaro,blz?? me amarro no seus comentarios lá no bataclan, sempre muito inteligentes bem humorados...aquele que vc depois do debate com ch...em todas as frases foi otimo, mas hoje tu deu um vacilo rsrs me explica isso mermao:
"surpreendidos" novamente pela facilidade com que as mentiras deles "colam" com tanta facilidade e as nossas não decolam, ficando atoladas em nossos próprios feudos.

as nossas nao decolam???rsrs pegou mau.....mas só tirando uma onda mesmo! seus coments sao muito bons mas esse me fez rir indevidamente rsrs
abraço...