31 agosto 2014

PSICOPATOCRACIA
O GOVERNO DOS MAUS

Fichamento do livro "Political Ponerology", de Andrew Lobaczewsky, psiquiatra polonês que viveu e sobreviveu em um campo de concentração sob o regime nazista.

Invariavelmente, o termo psicopata nos remete à imagem de indivíduos sadicamente violentos, criminosos comuns, serial killers e assemelhados. No entanto, esses traços de personalidade característicos escondem um espectro muito mais amplo de indivíduos.

Uma em cada vinte e cinco ou trinta pessoas é psicopata. E esta patologia não está presente apenas em criminosos, mas também em pessoas bem sucedidas socialmente.

São indivíduos muito egocêntricos, sem empatia pelos demais e incapazes de sentir remorso ou culpa por seus atos. Costumam ser encantadores e sedutores, passando a impressão de possuir nobres qualidades humanas. Assim agindo, mantém um disfarce ou máscara superficial que esconde sua verdadeira natureza. Eles gostam de ser admirados e bajulados. Pertencem, indistintamente, a todas as classes sociais, mas almejam, sempre, posições de poder. Sentem um prazer especial em usurpar tudo o que possam plagiar, fraudar e obter mediante extorsão ou engodo. Esta forma de obter o que desejam lhes dá mais prazer do que realizar algum trabalho honesto, em função de sua pouca vocação para o trabalho árduo e sistemático.

A mentira para o psicopata é como o ar que respira. Quando são pegos em alguma mentira inventam novas mentiras e não se importam em ser descobertos, pois não são capazes de sentir vergonha nem culpa reais, embora possam até simular estes sentimentos se isto for necessário para dissimular, para manipular ou granjear boa vontade de quem querem trapacear.

Os psicopatas tem uma tendência a se associar com outros como eles, ou seja, formar quadrilhas. Para os psicopatas inteligentes e espertos não é muito difícil se infiltrar nas esferas dos negócios, da política, do sistema judicial, do governo, dos sistemas acadêmicos e outras estruturas sociais. Mas tem uma marcada predileção por posições e cargos nos quais não precisem trabalhar muito e possam colocar os outros a trabalhar por eles enquanto se dedicam apenas a "puxar os cordões" e dar ordens. Eles possuem uma espécie de senso de superioridade perverso, que os leva a acreditar que as demais pessoas lhe devem subserviência e adulação de modo a atender seus desejos e supostos direitos superiores, naturais ou até mesmo divinos.

De modo geral, este grupo não contém pessoas de inteligência muito elevada, nem pessoas com grande talento artístico ou científico. Mas eles tendem a se valer de pessoas de maior talento, manipulando-as ou dominando-as de alguma forma - seja através de promessas, ameaças ou chantagens - para alcançar seus objetivos.

São conscientes de que são diferentes à medida que se familiarizam com suas distintas maneiras de lutar por seus objetivos. Seu mundo está dividido sempre entre "nós", os "espertos" ou "especiais", e "eles", os "otários", ou "pessoas comuns".

Os psicopatas sonham com um mundo no qual sua maneira muito singular e radical de experimentar e perceber a realidade (isto é, mentindo, enganando, destruindo, usando os demais etc.) seja o modo dominante de ação, no qual sua supremacia estaria, consequentemente, assegurada. Neste mundo, as demais pessoas, os "outros", especialmente os mais capacitados tecnicamente, deveriam ser postos a trabalhar para alcançar seus objetivos, de preferência sob a forma de subjugação e subserviência inconteste. Os psicopatas odeiam ser contrariados ou terem suas ideias e vontades contestadas ou questionadas, apreciam a obediência cega e a idolatria, tendem a se enfurecer e se tornar agressivos quando contrariados.

Os psicopatas gostam muito de disfarçar seus propósitos e projetos na forma de discursos e ideologias que falam em revolução e renovação, coisas como criar um "novo mundo" ou um "novo governo" sob novas denominações que escondem suas reais intenções, que é a criação de um sistema no qual possam ser dominantes, de preferência de modo permanente. Desta forma, quando chegam ao poder, tendem a fazer de tudo para se perpetuar, muitas vezes não se importando de fazer mal, caluniar, desqualificar, humilhar, prender e até matar os seus opositores se for necessário.

Os publicitários, os meios de comunicação e os aparatos de propaganda são mobilizados para causar uma opinião externa favorável a eles.

Assim vai se estabelecendo uma sociedade na qual os traços centrais da psicopatia, o egocentrismo, a falta de preocupação real com os demais, a superficialidade, a dominação, a manipulação e o narcisismo patológico vão sendo cada vez mais tolerados e valorizados. Neste contexto, muita gente que pode ter nascido "normal" vai se convertendo no que se poderia chamar de "psicopatas secundários", a partir da influência que os psicopatas vão exercendo na sociedade e na cultura com promessas de "um mundo melhor", de uma "sociedade perfeita" ou coisa do gênero, coisa para a qual se valem inclusive de intelectuais aderentes a suas causas, capazes de adorná-las com teses sociológicas e filosóficas extremamente elaboradas que lhes dá uma aparência de sofisticação e qualidade pseudocientífica.

Quando o processo psicopático abarca toda a classe governante de uma sociedade ou nação, estamos diante de um fenômeno social chamado Patocracia, que só pode ser compreendido através da ciência da Ponerologia Política.

Os patocratas dão muito pouca importância ao sofrimento, ao derramamento de sangue e até à morte da gente comum. A ideologia, portanto, deve prover uma justificativa correspondente para o direito alegado de conquistar e se manter no poder. O expansionismo deriva da própria natureza da patocracia, e não de uma ideologia, porém, este fato precisa estar disfarçado de uma ideologia que possa ser difundida e aceita.



Ao entender este mecanismo, começamos a ter uma ideia melhor de como os psicopatas são capazes de conspirar e se articular de modo a alcançar seus intentos. Em uma sociedade em que o mal não é estudado nem devidamente entendido eles facilmente alcançam o auge e continuam a condicionar as pessoas normais a aceitar seu domínio e suas mentiras sem questionar. É muito difícil identificar um psicopata habilidoso, mas há algumas pistas que podem ser úteis. Uma delas é justamente a habilidade de mentir, negar a mentira e tentar ocultá-la sob o manto de uma nova mentira ou meia-verdade.

Para alguns excertos do livro, clique aqui.