02 abril 2014

Por que o socialismo está em ascensão?
Um artigo fundamental de Ben Shapiro
sobre o ‘Perigo vermelho’

By Felipe de Moura Brasil

Nenhuma grande novidade para quem leu o capítulo “Socialismo” e a seção “Marxismo & vigarice” do nosso best seller “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota“, que, aliás, depois de três meses dentro e um fora, mas sempre nas beiradas, voltou nesta semana às listas da VEJA e do Globo dos 10 livros mais vendidos do país.

Mas o artigo de Ben Shapiro, que traduzo abaixo, faz uma síntese precisa da superioridade moral do capitalismo em relação ao socialismo, depois de enumerar o apreço que políticos, intelectuais e meios de comunicação americanos (preciso mesmo mostrar os “Carrascos” brasileiros?) vêm demonstrando pelo segundo, sem a menor cerimônia. Mas, como eu disse, “Para Jabor, ‘Perigo vermelho’ no (…) dos outros é refresco“. E o pior é que ainda tem gente mais preocupada com os conservadores saindo do armário… Voltarei ao assunto em breve.

Vamos lá:

O capitalismo levou meio século para se recuperar da Grande Depressão. O socialismo levou metade desse tempo para se recuperar do colapso da União Soviética.

Em Nova York, o prefeito reconhecidamente socialista Bill de Blasio [matérias da VEJA sobre sua eleição e posse: aqui e aqui] afirmou que seu objetivo é dar um “tiro fatal no Conto da Cidade Partida” [no original, "Tale of Two Cities"] - o fosso entre ricos e pobres. Em Seattle, o recém-eleito vereador Kshama Sawant se dirigiu a seus apoiadores, explicando: “Eu uso o emblema de socialista com honra.” Para grande aclamação da esquerda, o colunista Jesse Myerson, da revista Rolling Stone, fez uma coluna dizendo à geração Y ["millenials": nascidos entre 1980 e 2000] que eles devem lutar por emprego garantido pelo governo, renda básica universal, coletivização da propriedade privada, nacionalização de ativos privados e de bancos públicos.

Os botões recém-floridos do marxismo já não residem na periferia. Não quando o presidente dos Estados Unidos [Barack Obama] declarou o combate à desigualdade de renda sua principal tarefa como comandante-chefe. Não quando o líder da maioria no Senado, Harry Reid, democrata de Nevada, disse que “não há maior desafio” enfrentado pela América do que a disparidade de renda. Não quando a emissora de TV MSNBC, o jornal The New York Times e os amalgamados meios de comunicação pró-Obama declararam todos como a sua missão para 2014 uma campanha contra os ricos.

Menos de 20 anos atrás, o ex-presidente Bill Clinton, disputando a reeleição, declarou encerrada “a era do Estado inchado”. Em 2011, Clinton voltou atrás, declarando que era papel do governo “dar às pessoas as ferramentas e criar as condições para tirar o máximo de nossas vidas.”

O que aconteceu então?

O capitalismo não conseguiu apresentar boas razões para si mesmo. Em 1998, pouco depois de o mundo parecer ter chegado a um consenso sobre a ineficácia dos sistemas socialistas, os economistas Daniel Yergin e Joseph Stanislaw escreveram que o livre mercado requeria algo além do mero sucesso: ele requeria “legitimidade”. Mas, disseram Yergin e Stanislaw, “um sistema que leva a busca do autointeresse e do lucro como sua luz-guia não necessariamente satisfaz o anseio da alma humana para a crença e para algum sentido mais elevado do que o materialismo”. Em outras palavras, eles escreveram que, enquanto os comunistas espanhóis morreriam com a palavra “Stalin” em seus lábios, “poucas pessoas iriam morrer com a expressão ‘livre mercado’ em seus lábios.”

A incapacidade de apresentar boas razões morais para o capitalismo condenou o capitalismo ao status de um eterno plano B. Quando as pessoas estão desesperadas ou ricas, elas se voltam para o socialismo; somente quando elas não têm outra alternativa é que abraçam o livre mercado. Afinal, mentiras sobre a garantia de segurança são muito mais sedutoras do que palestras sobre responsabilidade pessoal.

Quais são, então, as boas razões morais para o capitalismo?

Elas são o reconhecimento de que o socialismo não é uma ótima ideia que deu errado – é uma filosofia diabólica em ação. Não é impulsionado pelo altruísmo, é impulsionado pela ganância e pela inveja. [Ver também o vídeo "Milton Friedman fala sobre a ganância", no fim do meu post "Celebridades hipócritas de Hollywood - 2013".] O socialismo afirma que você me deve alguma coisa simplesmente porque eu existo. O capitalismo, por sua vez, resulta em uma espécie de altruísmo forçado pela realidade: eu posso não querer ajudar você, eu posso não gostar de você, mas se eu não der a você um produto ou um serviço que você quer, eu vou morrer de fome. Troca voluntária é moralmente superior a redistribuição forçada. O socialismo viola pelo menos três dos Dez Mandamentos: ele transforma o governo em Deus, ele legaliza o roubo e ele eleva a cobiça. Discussões sobre desigualdade de renda, afinal, não são sobre prosperidade, mas, ao contrário, sobre mesquinharia. Por que você deveria se preocupar com quanto dinheiro eu faço, contanto que você esteja feliz?

Conservadores falam em resultados quando discutem as deficiências do socialismo. Eles estão certos: o socialismo é ineficaz, destrutivo e atrofiador para o espírito humano. Mas eles estão errados em abandonar o campo da moralidade quando discutem o contraste entre liberdade e controle. E é este abandono – esta preguiça perversa – que levou ao retorno do socialismo, ainda que, no passado recente de nossas próprias vidas, tenhamos visto o colapso de economias continentais e milhões de pessoas abatidas em nome desse falso deus.

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